quarta-feira, 17 de agosto de 2011

RPG e a criação da ambientação com novatos

RPG repetitivo ou não:
a preparação da ambientação

Como disse o Trevisan na sua estréia para a coluna 3D6, da RPG Online, nem sempre, por sermos ‘da antiga’, nossos temas são novidades, quanto mais inéditos, e temos de tomar cuidado mesmo para não sermos repetitivos. Mas numa prática de um hobby onde seus membros se renovam constantemente, os temas não podem ser considerados repetitivos, mas naturalmente recorrentes.

Um desses temas, que dá muita dor de cabeça para os novos mestres, é a ambientação.

Uma das principais características que tanto atrai os muitos fãs para o RPG é a possibilidade ou capacidade de usarmos a criatividade como tela onde nossa aventura será ambientada. A tão afamada ambientação é tudo o que criamos e nos valemos para que nossos jogadores se sintam realmente no jogo. Se RPG é um jogo interpretativo nada melhor do que nos sentirmos no jogo como membros reais daquele cenário.

Este é um dos elementos, ao meu ver, que mais frustra e, em alguns casos, até encerra a carreira de algumas pessoas no RPG.

Erroneamente os novatos acham que simplesmente precisamos de uma mesa, alguns dados exóticos, um grupo de amigos e um mestre e temos um jogo de RPG. Lógico que sem esses elementos não temos jogo, mas falta muito para um ‘verdadeiro’ jogo de RPG.

Já tive alguns debates acalorados onde me acusavam de criar uma mística de que RPG é complicado, que eu estava sendo excludente, que assustava e afastava novos jogadores. Eu discordo. RPG realmente não é fácil, mas isso não afasta ninguém. O que afasta são más experiências de jogo e más experiências com mestres despreparados, isso sim afasta os novos jogadores. O que há de pior do que um mestre inseguro ou simplista, ou uma história fraca e desmotivante?

Se nos detivermos apenas na ambientação, como disse no início deste artigo, para reduzirmos o debate à um único elemento, temos que ter claro que o processo de criar o famoso ‘clima de jogo’, seja num momento de tensão, seja numa animada taverna, requer um bom trabalho do mestre. Lógico que com o tempo mestres agem de forma quase instantânea e levam um jogo quase sem nenhuma preparação. Mas este artigo se direciona novatos.

Nem sempre, quase nunca, termos um ótimo conhecimento das regras de um sistema nos garante um bom jogo. O conhecimento frio e técnico da mecânica de um jogo nos permite sanar um outro problema que desejo abordar de forma separa num outro dia, a fluidez do jogo. Mas a ambientação passa por outra linha. Ela necessita de uma desinibição no trato com as palavras, possibilitando que verdadeiramente o mestre molde o cenário na imaginação dos jogadores. Ora, isso não é coisa para se fazer sem preparo algum. Esta narrativa pressupõe que o ele tenha uma preparação, leituras, um arcabouço teórico mínimo.


E qual a melhor forma de se aprender à lidar com esta ambientação? Também é jogando! Não estou dizendo neste artigo que os mestres despreparados ou novatos não devam mais mestrar, mas sim que eles devem ter consciência da necessidade de estar sempre aprendendo e procurando pelos recursos para isso, aliando a prática com o estudo constante.

Um mestre novato e interessado em evoluir na arte da ambientação de seus jogos irá ler, ler e ler muito. Ler de bula de remédio à quadrinhos da Mônica, livros dos mais variados estilos. Assistir filmes, documentários, canais dedicados à seriados sci-fi e históricos. Tudo isso e muito mais.

Mestrar um jogo de fantasia será muito mais interessante para o grupo se o mestre tiver algum conhecimento sobre nomes de armamentos, tipos de animais exóticos e fantasiosos, utensílios da época além de um bom vocabulário. Imagine criar a ambientação de uma aventura de terror com um mestre que tenha lido algumas obras de Stephen King ou Lovercraft? Ou um cenário espacial por um mestre viciado em Star Wars, Star Trek e Stargate. Esses detalhes, que não são apenas detalhes, vão enriquecer de tal forma a ambientação que muitas vezes acabam por dar fôlego à uma história fraca entretendo os jogadores.

Não deixe de mestrar por ser novato. Só a prática vai lhe ajudar a evoluir. Aceite as críticas e as transforme em dicas de onde melhorar. Invista em leituras dos temas de seus gosto e cenários preferidos devorando cada exemplar ou programa que tiver acesso.

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