quarta-feira, 20 de março de 2013

Dicsa do Mestre: solução simples para jogadores faltosos



Solução simples para os faltosos


Uma das maiores amarguras para os mestres e grupos de RPG são os jogadores incidentais. São jogadores que por uma ou outra razão não levam tão à sério o compromisso com as seções e aparência de forma esporádica. Isso causa muita indignação.

A solução mais comum é a execução sumário do personagem, normalmente com requintes de crueldade por parte da mente magoada do mestre. Depois disso a aventura continua como se nada tivesse acontecido e a lembrança da existência do personagem é banida do universo.

Mas, se formos pensar bem, os dias em que esses jogadores incidentais aparecem nas seções é tão complicado quanto os dias em que eles faltam. Toda uma aventura tem que ser reestruturada e a solução mais comum é dar um personagem novo para esses ‘faltoso’. Isso acaba gerando uma escalada de problemas, pois modifica a aventura e acaba com o enredo. Claro que isso funciona até que o dito jogador falte novamente.

O que fazer então?

Um solução simples passa sempre por bom senso e criatividade, e por um mestre interessado e responsável. O que realmente importa é a diversão. Dizemos isso à exaustão em todos os blogs e sites especializados. E a diversão, numa aventura de RPG, passa sim por um bom enredo, pontas aparadas e o mínimo de erros. Qual o grupo que gosta de ver sua aventura sendo podada aqui e ali com as faltas dos outros? Qual o grupo que fica satisfeito com claras mudanças de última hora tal como a entrada de um personagem novo à cada duas seções? Ninguém! Isso quebra o ritmo do jogo e a percepção que o grupo tem do realismo do cenário.


O mestre, pelo menos os menos orgulhosos, podem sim adaptar a aventura à um personagem incidental. Alguns de vocês podem me perguntar - mas seria certo adaptar ‘nossa’ aventura por causa de um faltoso? Não deveria ser o contrário?

A resposta é certeira: se o que interessa é realmente a diversão e a linearidade da aventura para que o grupo, como um todo, se divirta, devemos adaptar esta necessidade ao que acontece em volta.

Os mestre se esquecem muitas vezes do poder que eles têm em suas mãos. Eles podem moldar todo um universo, contando as ações dos jogadores, ao seu bel prazer. Por que não se valer disso para o benefício da aventura e esquecer os sentimentos primitivos de vingança (heheheh)!?

Mas como fazer isso? A alternativa mais fácil e interessante é a fragmentação da história. Explico. Na grande maioria das vezes as seções são interrompidas em momentos de baixa tensão. Quase sempre os hiatos entre uma semana e outra se dão antes ou depois de um combate ou de um momento de clímax, e isso facilita muito.

Ao mestre cabe a criatividade. Com a falta de um membro do grupo podemos simplesmente contornar sua falta fragmentando seu papel na aventura. Crie um enredo pequeno e particular para ele onde ele teria de deixar o grupo por um curto tempo para qualquer que fosse a atividade. Esse membro retornaria ao grupo quando voltasse a comparecer à seção tendo seu afazer resolvido. Parece um paliativo, mas dá resultado e, como disse, a criatividade do mestre pode ser fundamental.

O mestre pode incrementar essa fragmentação de muitas formas. A mais engenhosa seria oferecer ao faltoso a oportunidade de uma mini-seção individual (uma espécie de spion-off) valorizando sua participação. Ao mesmo tempo esse recurso pode ser muito bem utilizado pelo mestre que pode acrescentar novas cores à aventura sem parecer uma imposição.

Um adendo positivo à esta solução é que o mestre pode ter mais contato com seu jogador desgarrado e perceber quais os motivos que o fizeram debandar momentaneamente. Por mais que não gostemos disso, na maioria dos casos, as faltas podem refletir desde problemas dentro do grupo, problemas de qualidade da aventura ou mesmo problemas com o mestre. E para qualquer um desses três problemas o mestre é o maior interessado em resolvê-los.

Sempre tive claro que o maior interesse do RPG é a diversão, sua função primordial. Não será excluindo o depreciando jogadores que iremos chegar à este fim!

Um comentário:

Álvaro Botelho disse...

Ótimo post. Apesar de jogadores faltosos serem um grande problema, existem formas de colocá-los dentro do jogo de várias maneiras. Acho que, personagens flutuantes, que não acompanham o grupo, mas que de vez em quando aparecem é uma boa ferramenta. Fora isso, a conversa, de fato, é o melhor a ser feito.