domingo, 18 de janeiro de 2026

Mutantes & Malfeitores RPG - RÉQUIEM [Regras]

 Mutantes & Malfeitores RPG
RÉQUIEM

 - por Gio “Tuto” Mota
 

Se tem uma parte dos jogos de RPG que eu tenho muito cuidado é a hora da morte de um personagem, e possuo uma opinião muito própria e forte sobre como ela deve ocorrer. Aqui vamos ver um pouco dessa opinião e uma ideia de como aproveitar este evento tão especial da melhor forma o possível.

Todos os RPGs possuem algum sistema para a morte do personagem, alguns mais simples como zerar os pontos de vida e outros com múltiplos testes e múltiplas formas de se perder o personagem. 

Em Mutantes & Malfeitores, aqui na nossa terceira edição, o personagem vai recebendo dano enquanto falha em testes de Resistência, mas o jogo não possui pontos de vida. Ele vai piorando indo de ferido ou atingido até incapacitado, quando o personagem atinge incapacitado que é quando falha por 16 ou mais no teste de Resistência ele está automaticamente fora do combate.

Não está morto e sim fora de combate, às vezes inconsciente. Então, caso ele receba mais um ataque e falhe por qualquer valor na resistência, ele morre. Pode parecer difícil morrer nesse jogo e realmente é difícil de se morrer aqui, pois estamos em um jogo de super-heróis, que tem o estilo de tratar dano de forma muito lúdica porque precisa ser assim.

Eu particularmente gosto deste método. Na maioria dos jogos onde a morte é atingida ao se zerar a saúde do personagem me deixa muito incomodado como a vida do personagem e o momento da morte costuma ser banalizado, com várias fichas prontas para serem utilizadas uma seguinte da outra. Em M&M o mestre precisa permitir mais um ataque ou avisar ao jogador que se isso ocorrer é morte intencional, porque veja NÃO EXISTE a morte no ataque que incapacita o personagem, pelo menos não diretamente em regras.

Isso acaba se tornando uma opção mais narrativa, e a morte pode se tornar algo realmente monumental e lembrado pelos jogadores.


MORTE NARRATIVA
Ainda existe a possibilidade de se morrer caso um acerto atinja o personagem em estado de morte. Não gosto desta ideia, então vamos tratar a morte como algo necessariamente narrativo.

O seu personagem é um construto literário só que tem uma desvantagem enorme se comparado com o personagem de um livro, o seu personagem joga dados para se manter vivo e conseguir contar a história, o personagem do livro não. Eu defendo muito sempre o uso de alguma coisa para sortear os sucessos das ações dos personagens. Mas pelo menos na hora da morte a gente precisa de um controle de como narrar e onde narrar.

Então, a primeira coisa que eu faço é ignorar a morte por sorte. Não significa que o personagem que está incapacitado e fora de combate vai ficar sendo esmurrado e não vai morrer como em um cartoon e sim que nas regras do jogo, quando um personagem sai de cena por conta de dano físico, ele sai de cena e não pode ser mirado PELOS JOGADORES, veja que é uma regra de narrativa, um acordo de que não se vai matar personagens de forma leviana.

Neste acordo, até mesmo o Mestre se compromete a não dar o golpe final no personagem moribundo, apenas removendo-o da cena com dramaticidade. Ele não saiu da narrativa, apenas se ausenta na cena por ferimentos ou outros “n” motivos. Quando esta morte for realmente ocorrer, que o perigo seja declarado para enaltecer o jogo e não punir uma jogada de dados ruim.

Veja que esta opção nem precisa ser tratada como regra opcional e sim como um bom acordo de cavalheiros para se manter uma boa narrativa. Pela regra o moribundo pode ser atacado, mas ninguém o fará com intenção de matar respeitando o que foi combinado na seção zero. Não precisa ser sempre assim, mas pode ser legal jogar alguns jogos dessa forma. Mas então você me pergunta o porquê do nome desta matéria? Bem então desenvolvemos toda essa curva para chegarmos finalmente aonde eu gostaria. Vamos falar de….


RÉQUIEM
Caso esta regra opcional entre em jogo, o GRUPO em conjunto com o mestre decidem se irão matar um personagem caso o perigo ocorra, ou em um sacrifício especial. Tudo é decidido pela mesa em conjunto.

Quando esta morte ocorre, e sua ocorrência soma algo bom à narrativa do jogo, os jogadores podem pedir um Requiem ao mestre na próxima ou nas próximas seções.

Um Requiem é uma espécie de seção especial onde o personagem falecido vai ser celebrado. Pode ser uma história de ação que necessite dele, pode ser apenas as despedidas, podem ser qualquer tipo de aventura, não importa. O que se necessita é que o jogo contenha testes, conflitos e formas de se gastar pontos Heroicos.

Quando o Réquiem ocorre o mestre avisa os jogadores e durante todo este jogo o personagem ou personagens mortos precisam ser citados. Durante esta seção de jogo cada jogador começará com 1 PONTO HEROICO extra que deverá ser mantido em separado dos pontos heroicos normais.

Este ponto se acumula a cada cena jogada e funciona exatamente como um ponto heroico comum, mas SÓ PODE SER USADO caso o nome do personagem falecido seja citado e o ponto seja usado em seu nome. Como disse ele vai funcionar como um PH simples com a diferença de que pode ser somado com um PH comum e entre outros pontos de RÉQUIEM.

O mestre deve decidir quantos pontos podem ser usados por cena ou se o uso é livre, eu recomendo que até 3 pontos dentre todos os personagens podem ser usados na cena, tentando não banalizar o evento e no climax da seção o limite é retirado permitindo seu uso de forma totalmente livre.

Todos os pontos de Requiem se perdem no final da seção onde a despedida final ao personagem é feita.

Nem toda morte merece um Réquiem e ele só ocorre caso a morte seja decidida em grupo e ela ocorra de forma memorável, uma morte por dados aleatória nunca ativa a seção de Réquiem.

A ideia desta regra é valorizar a morte do personagem e torná-la algo marcante e forte para os jogadores que sempre vão se lembrar do evento. Os Mestres devem ser duros para permitir réquiens e a ideia é que as mortes fiquem muito raras e difíceis de ocorrer. O mestre deve conversar com os jogadores para entenderem que frequência cada personagem pode morrer, tentando manter este evento e as mortes cada vez mais raras.

Outro ponto é que mesmo que o jogo possua ressurreição e os personagens possam voltar a vida, CADA PERSONAGEM PODE RECEBER APENAS UM RÉQUIEM, mesmo que morra e volte a vida outras vezes.

Honrar um bom companheiro morto pode gerar histórias fabulosas, mas também podem resultar em bastante abusos caso a mesa não converse e não use isso exclusivamente para melhorar as histórias e deixar os personagens inesquecíveis.


FINALIZANDO
Sempre trate os personagens de sua mesa com respeito, seja você um mestre ou mesmo um jogador, os personagens quando possuem uma vida, nome e jornada merecem mortes memoráveis. Sempre pense nisso e que seus Réquiens sejam sempre sobre honrar estas histórias e dar continuidades cada vez melhores e mais divertidas a suas jogatinas.

 

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