Mutantes & Malfeitores RPG
RÉQUIEM
- por Gio
“Tuto” Mota
Se
tem uma parte dos jogos de RPG que eu tenho muito cuidado é a hora da morte de
um personagem, e possuo uma opinião muito própria e forte sobre como ela deve
ocorrer. Aqui vamos ver um pouco dessa opinião e uma ideia de como aproveitar
este evento tão especial da melhor forma o possível.
Todos
os RPGs possuem algum sistema para a morte do personagem, alguns mais simples
como zerar os pontos de vida e outros com múltiplos testes e múltiplas formas
de se perder o personagem.
Em
Mutantes & Malfeitores, aqui na nossa terceira edição, o personagem vai
recebendo dano enquanto falha em testes de Resistência, mas o jogo não possui
pontos de vida. Ele vai piorando indo de ferido ou atingido até incapacitado,
quando o personagem atinge incapacitado que é quando falha por 16 ou mais no
teste de Resistência ele está automaticamente fora do combate.
Não
está morto e sim fora de combate, às vezes inconsciente. Então, caso ele receba
mais um ataque e falhe por qualquer valor na resistência, ele morre. Pode
parecer difícil morrer nesse jogo e realmente é difícil de se morrer aqui, pois
estamos em um jogo de super-heróis, que tem o estilo de tratar dano de forma
muito lúdica porque precisa ser assim.
Eu
particularmente gosto deste método. Na maioria dos jogos onde a morte é
atingida ao se zerar a saúde do personagem me deixa muito incomodado como a
vida do personagem e o momento da morte costuma ser banalizado, com várias
fichas prontas para serem utilizadas uma seguinte da outra. Em M&M o mestre
precisa permitir mais um ataque ou avisar ao jogador que se isso ocorrer é
morte intencional, porque veja NÃO EXISTE a morte no ataque que incapacita o
personagem, pelo menos não diretamente em regras.
Isso
acaba se tornando uma opção mais narrativa, e a morte pode se tornar algo
realmente monumental e lembrado pelos jogadores.
MORTE NARRATIVA
Ainda
existe a possibilidade de se morrer caso um acerto atinja o personagem em
estado de morte. Não gosto desta ideia, então vamos tratar a morte como algo
necessariamente narrativo.
O
seu personagem é um construto literário só que tem uma desvantagem enorme se
comparado com o personagem de um livro, o seu personagem joga dados para se
manter vivo e conseguir contar a história, o personagem do livro não. Eu
defendo muito sempre o uso de alguma coisa para sortear os sucessos das ações
dos personagens. Mas pelo menos na hora da morte a gente precisa de um controle
de como narrar e onde narrar.
Então,
a primeira coisa que eu faço é ignorar a morte por sorte. Não significa que o
personagem que está incapacitado e fora de combate vai ficar sendo esmurrado e
não vai morrer como em um cartoon e sim que nas regras do jogo, quando um
personagem sai de cena por conta de dano físico, ele sai de cena e não pode ser
mirado PELOS JOGADORES, veja que é uma regra de narrativa, um acordo de que não
se vai matar personagens de forma leviana.
Neste
acordo, até mesmo o Mestre se compromete a não dar o golpe final no personagem
moribundo, apenas removendo-o da cena com dramaticidade. Ele não saiu da
narrativa, apenas se ausenta na cena por ferimentos ou outros “n” motivos.
Quando esta morte for realmente ocorrer, que o perigo seja declarado para
enaltecer o jogo e não punir uma jogada de dados ruim.
Veja
que esta opção nem precisa ser tratada como regra opcional e sim como um bom
acordo de cavalheiros para se manter uma boa narrativa. Pela regra o moribundo
pode ser atacado, mas ninguém o fará com intenção de matar respeitando o que
foi combinado na seção zero. Não precisa ser sempre assim, mas pode ser legal
jogar alguns jogos dessa forma. Mas então você me pergunta o porquê do nome
desta matéria? Bem então desenvolvemos toda essa curva para chegarmos
finalmente aonde eu gostaria. Vamos falar de….
RÉQUIEM
Caso
esta regra opcional entre em jogo, o GRUPO em conjunto com o mestre decidem se
irão matar um personagem caso o perigo ocorra, ou em um sacrifício especial.
Tudo é decidido pela mesa em conjunto.
Quando
esta morte ocorre, e sua ocorrência soma algo bom à narrativa do jogo, os
jogadores podem pedir um Requiem ao mestre na próxima ou nas próximas seções.
Um
Requiem é uma espécie de seção especial onde o personagem falecido vai ser
celebrado. Pode ser uma história de ação que necessite dele, pode ser apenas as
despedidas, podem ser qualquer tipo de aventura, não importa. O que se
necessita é que o jogo contenha testes, conflitos e formas de se gastar pontos
Heroicos.
Quando
o Réquiem ocorre o mestre avisa os jogadores e durante todo este jogo o
personagem ou personagens mortos precisam ser citados. Durante esta seção de
jogo cada jogador começará com 1 PONTO HEROICO extra que deverá ser mantido em
separado dos pontos heroicos normais.
Este
ponto se acumula a cada cena jogada e funciona exatamente como um ponto heroico
comum, mas SÓ PODE SER USADO caso o nome do personagem falecido seja citado e o
ponto seja usado em seu nome. Como disse ele vai funcionar como um PH simples
com a diferença de que pode ser somado com um PH comum e entre outros
pontos de RÉQUIEM.
O
mestre deve decidir quantos pontos podem ser usados por cena ou se o uso é
livre, eu recomendo que até 3 pontos dentre todos os personagens podem ser
usados na cena, tentando não banalizar o evento e no climax da seção o limite é
retirado permitindo seu uso de forma totalmente livre.
Todos
os pontos de Requiem se perdem no final da seção onde a despedida final ao
personagem é feita.
Nem
toda morte merece um Réquiem e ele só ocorre caso a morte seja decidida em
grupo e ela ocorra de forma memorável, uma morte por dados aleatória nunca
ativa a seção de Réquiem.
A
ideia desta regra é valorizar a morte do personagem e torná-la algo marcante e
forte para os jogadores que sempre vão se lembrar do evento. Os Mestres devem
ser duros para permitir réquiens e a ideia é que as mortes fiquem muito raras e
difíceis de ocorrer. O mestre deve conversar com os jogadores para entenderem
que frequência cada personagem pode morrer, tentando manter este evento e as
mortes cada vez mais raras.
Outro
ponto é que mesmo que o jogo possua ressurreição e os personagens possam voltar
a vida, CADA PERSONAGEM PODE RECEBER APENAS UM RÉQUIEM, mesmo que morra e volte
a vida outras vezes.
Honrar
um bom companheiro morto pode gerar histórias fabulosas, mas também podem
resultar em bastante abusos caso a mesa não converse e não use isso
exclusivamente para melhorar as histórias e deixar os personagens
inesquecíveis.
FINALIZANDO
Sempre
trate os personagens de sua mesa com respeito, seja você um mestre ou mesmo um
jogador, os personagens quando possuem uma vida, nome e jornada merecem mortes
memoráveis. Sempre pense nisso e que seus Réquiens sejam sempre sobre honrar
estas histórias e dar continuidades cada vez melhores e mais divertidas a suas
jogatinas.
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