Coriolis: A Grande
Escuridão
- Resenha -
O
financiamento de Coriolis começou hoje já com grande sucesso, algo comum na
vida da Editora Tria nesses últimos tempos. Ficção científica de primeira
qualidade, ele é uma alternativa de grande qualidade não quem deseja
experimentar outros sistemas e outros cenários. Tenho jogado algumas coisas
mesas dentro de ambientes sci-fi embora com sistemas genéricos que permitem
visitas à elementos variados (como Genesys e Mutantes & Malfeitores 3ed), mas
será ótimo uma mesa onde tudo foi pensado para haver sinergia entre sistema de
regras e cenário... e é isso que temos em Coriolis.
Uma galáxia muito,
muito distante
Quando
pedimos dicas para RPGs de ficção espacial, fãs de D&D apontarão
para Spelljammer, enquanto jogadores de Pathfinder sem dúvida
recomendarão Starfinder. Ambas são ótimas opções, cada uma à sua maneira,
mas porque não ir bem mais acima? Coriolis pode ser a resposta. Ele pode
muito bem ser um dos melhores sistemas que já vi para quem busca transformar a
nave espacial dos jogadores em seu centro de comando, lar e até mesmo em um
personagem em sua jornada, influenciando diretamente o trajeto entre o ponto A
e o ponto B.
Coriolis se
passa em um lugar chamado Terceiro Horizonte (no da primeira edição do RPG). Há
algumas centenas de anos, a Terra enviou enormes naves colonizadoras para se
estabelecerem muito além das estrelas. A Zenith era uma dessas naves, destinada
a passar centenas de anos à deriva por vastas distâncias, aproximando-se
lentamente de seu destino. Quando chegou, porém, cheia de missão e propósito,
descobriu que o sistema já era habitado. Os humanos haviam descoberto uma
antiga tecnologia de portais algum tempo depois da partida da Zenith e a usaram
para saltar muito à frente das naves que haviam lançado. Nos séculos em que a
Zenith vagou na escuridão, a humanidade colonizou o Primeiro e o Segundo
Horizonte, sistemas estelares interligados que se tornaram cada vez mais
controladores e restritivos. Quando o Primeiro Horizonte tentou invadir o Terceiro,
um lugar para onde muitos que ansiavam por liberdade haviam fugido, uma guerra
massiva irrompeu. O Terceiro Horizonte destruiu seus antigos portais, isolando
seus 36 sistemas estelares do resto da humanidade. Lentamente, o isolamento se
alastrou pelos mundos devastados pela guerra do Terceiro Horizonte, uma nova
era das trevas para as facções fragmentadas que ali viviam.
Foi
então que a Zenith apareceu. Canibalizando sua própria nave para obter peças,
os Zenithianos construíram uma enorme estação espacial no centro do Terceiro
Horizonte. Ela ficou conhecida como Coriolis. A estação foi exatamente o
atrativo que os mundos dispersos e remotos precisavam para se unirem. Logo se
tornou um farol de viagens, comércio e governo, abrigando um Conselho de
Facções onde representantes da maioria dos habitantes do Terceiro Horizonte
podiam se reunir para defender seus interesses.
Nem
tudo são flores no Terceiro Horizonte agora que Coriolis trouxe os 36 sistemas
de volta à normalidade após a recente guerra. É aqui que os jogadores entram em
cena. Ainda existem muitas facções neste canto do universo (10 no total,
incluindo um cisma de duas facções do Zenith), que vão desde corporações a
organizações religiosas, passando por comerciantes independentes e nômades. Até
mesmo o crime organizado. E embora nem todas as facções tenham assentos no
conselho, todas ainda disputam seu próprio poder e ideais. Seu grupo terá que
navegar por essa paisagem política, aceitando trabalhos conforme acharem
conveniente. Serão caçadores de tesouros? Peregrinos? Aceitarão contratos para
caçar piratas ou talvez se tornem piratas eles mesmos? Talvez transportar
cargas ou buscar salvados seja mais o estilo deles. Quem sabe até queiram ser
um circo itinerante! Se você consegue imaginar, há um lugar para isso
em Coriolis.
Vale
destacar que o livro básico introduz dois elementos muito interessantes no
centro desse emaranhado político. O primeiro são os Emissários. Pouco depois da
estação Coriolis ter reunido o Terceiro Horizonte, uma misteriosa raça
alienígena emergiu do gigante gasoso Xene, nas proximidades. Um representante
dirigiu-se diretamente a Coriolis e exigiu um assento no conselho. Além disso,
alegava ser a encarnação de um dos Ícones, as divindades veneradas pelos
habitantes do Terceiro Horizonte. Como se a confusão política presente nesse
cenário não pudesse piorar, a situação dos Emissários transformou-se num barril
de pólvora. Uma das facções religiosas fechou suas fronteiras sob a exigência
de que o Emissário blasfemo renunciasse ao conselho e à sua reivindicação. O
caos resultante, que bloqueou o transporte e o comércio interestelar, pode
terminar em derramamento de sangue se a força militar for usada para reabrir
suas fronteiras.
Os
Emissários anunciam uma grande mudança na trama do Horizonte. Existe uma força
dentro do jogo chamada A Escuridão Entre as Estrelas. Parte demônio, parte
horror cósmico sem rosto, a Escuridão age sob as ordens do Mestre, que pode
gastar uma moeda especial acumulada durante o jogo para fazer coisas ruins
acontecerem em momentos cinematograficamente ruins (falaremos mais sobre isso
em breve). Alguns acreditam que os Emissários podem ser agentes da Escuridão. É
inegável que, após seu surgimento, muitas pessoas começaram a manifestar
poderes estranhos e maravilhosos. Poderes pelos quais são temidas e caçadas.
Poderes que um jogador poderia usar para construir um personagem, se assim
desejasse. Talvez os Emissários sinalizem algo terrível se aproximando, ou talvez
sejam simplesmente um sintoma, um povo antes isolado que foi levado a buscar
ajuda por algo ainda mais profundo. Só o tempo dirá, enquanto as coisas no
Terceiro Horizonte caminham cada vez mais para a entropia.
Agora,
na Grande Escuridão, os portais morreram, a civilização entrou em declínio, o
foco das tripulações está mais direcionada para as ruínas e seus horrores...
você está preparado para isso?
Sua jornada começa
aqui
Desde
o início, percebo que a Free League continua em Coriolis com o mesmo
estilo de regras fáceis de ensinar, aplicadas a um cenário rico em história.
Entrar nesse mundo é fácil, já que os personagens têm apenas quatro atributos
(dois físicos e dois mentais), alguns pontos de perícia e alguns talentos
(bônus ou habilidades especiais que podem usar). A criação de personagens é
simples, embora valha a pena notar que a lista de talentos é bastante extensa
para jogadores que realmente queiram explorar as habilidades. As classes
disponíveis também são interessantes: embora haja algumas com aparência
familiar, como Soldado ou Aranha de Dados, há muitas com uma sensação única do
cenário, como Negociador, Artista ou Fugitivo. Se você preferir escolher uma
classe pré-definida e partir para a ação, há sugestões de perícias e talentos
para cada classe.
Mas
a criação não se limita aos personagens. Seu grupo vai querer discutir em
conjunto, com o mestre, o tipo de tripulação que gostariam de formar. Por quê?
Bem, eles precisarão construir e comprar uma nave, chamada de Esquife! Pode ser
um modelo pré-gerado do livro ou uma nave personalizada. Se você consegue
imaginar, você pode ter aqui. Quer uma nave com um exuberante jardim suspenso
no centro? É sua. Você pode construir uma enorme plataforma que se aproxima de
destroços no espaço, prendendo-se a eles com enormes braços de guindaste para
realizar a recuperação, se essa for a sua praia. Talvez você prefira ter muito
espaço habitável para transportar passageiros (escondendo compartimentos
secretos de contrabando sob tudo). Ou talvez você queira apenas uma veloz nave
furadora de bloqueios. Ou uma nave de combate! Meu amigo estava considerando um
jogo no estilo Cowboy Bebop, onde os jogadores têm suas próprias
naves atracadas dentro de uma nave maior; Em Coriolis, todos os
jogadores podem investir na habilidade de pilotagem e ter seus próprios caças
para atracar. Isso não só é viável neste sistema, como também é uma solução
caso sua nave principal não seja capaz de atracar em outras naves ou reentrar
na atmosfera. Seja qual for sua escolha, concordo com muitos outros que você
sempre deve equipar sua nave com o módulo de personalidade de IA. Faça dela
mais do que apenas uma nave. Faça dela um personagem!
Em
resumo, isso significa que um grupo em potencial para Coriolis já
está conectado desde o início. Isso é uma grande vantagem para mestres que têm
dificuldade em definir como os jogadores se conhecerão antes da aventura. Eles
trabalharam juntos por um tempo e acabaram de comprar sua primeira nave. Agora
estarão endividados, tentando quitar o empréstimo. Isso também adiciona um
incentivo extra fácil para trabalhos. A menos que planejem adicionar seus
credores à lista de antagonistas, precisarão fazer pagamentos regulares da
nave! O livro inclui alguns módulos que você pode usar para dar o pontapé
inicial, caso precise de um empurrãozinho. Falaremos sobre como os jogadores
tripulam a nave mais tarde, quando abordarmos as mecânicas do sistema, mas já
adianto que este é um jogo em que todos participam. Não há jogadores presos,
sem fazer nada, esperando que o piloto os tire de apuros durante as ações
espaciais. Todos terão um papel a desempenhar, então, durante a criação de
personagens, os jogadores vão querer discutir qual função gostariam de
desempenhar na nave quando a construírem juntos.
Ao
combinar todas as opções de criação de personagens e naves com 36 sistemas
estelares interligados repletos de aventuras, você obtém uma infinidade de
possibilidades (há detalhes sobre o que cada sistema contém, e o sistema de
Coriolis recebe uma descrição especialmente completa). Você pode ter um jogo
que gira em torno da estação Coriolis, com intrigas políticas e traições a cada
esquina. Ou pode ambientar seu jogo nas margens, cheio de mistério, ruínas
perdidas, poderes ancestrais e monstros sombrios (sim, eles também existem
neste cenário). Há um elemento sobrenatural no jogo, que discutiremos mais
adiante, e você pode incorporá-lo ao cenário na medida que desejar. Desde o
início, este livro básico oferece a um grupo praticamente tudo o que ele poderia
querer, o que o torna um excelente investimento.
Olá, escuridão,
minha velha amiga
Vamos
falar de mecânicas! Para cada fã de lore no mundo dos RPGs de mesa, existe
outro jogador que precisa da satisfação de sistemas bem definidos. O que temos
aqui é um sistema baseado em perícias. Ou seja, a verificação de sucesso em
testes de perícia, assim como os acertos em combate, são feitos através da
proficiência do personagem nas perícias do jogo. Seja testando sua Manipulação
para conseguir um bom negócio com um mercador ranzinza ou apertando o gatilho
do seu rifle com Combate à Distância, você soma seus pontos nessa perícia com o
atributo correspondente (novamente, existem 4 atributos de personagem no
total). Você rola essa quantidade de dados de seis lados (d6) e sua rolagem é
considerada um sucesso se houver pelo menos um 6 na jogada após a rolagem.
Então, por exemplo, se eu tivesse 1 ponto em Combate à Distância e 4 em
Agilidade, eu rolaria 5d6 (cinco dados de seis lados) e, se eu tivesse pelo
menos um 6, eu acertaria meu alvo. Seis adicionais concedem bônus ou até mesmo
sucesso crítico. Algumas perícias podem ser roladas "sem
treinamento", sem qualquer progressão nelas, enquanto outras, como
Pilotagem, exigem que você tenha pelo menos um ponto nessa perícia para fazer a
rolagem. Simples e rápido! Essas rolagens fáceis mantêm a ação constante e eu as
adoro por isso.
Ainda
temos a possibilidade de Forçar a rolagem, mas isso pode trazer graves consequências...
É
claro que também existem regras para ajudar seus aliados, permitindo que amigos
"entrem na jogada" e deem ao jogador principal +1 dado extra por
amigo, até um máximo de três ajudantes. Há também modificadores por toda parte,
geralmente variando de 1 a 3. Esses modificadores adicionam ou subtraem essa
quantidade de dados da reserva antes da rolagem; talvez arrombar aquela
fechadura seja muito difícil quando tiros continuam passando por cima dos seus
ombros, então o mestre coloca um -1 na sua rolagem. Esse tipo de coisa. Outros
itens, como equipamentos de boa qualidade, também adicionam bônus às rolagens,
e isso é indicado nas próprias descrições dos equipamentos. No geral, esses
modificadores permitem que um sistema que, de outra forma, seria excessivamente
simples, se adapte a uma ampla gama de situações e apimente os eventos,
mantendo tudo tenso e interessante. Fácil de aprender, emocionante na hora!
Noite de Luta
Você
começa a se deparar com as novidades, as coisas interessantes, quando começa a
olhar para o seu grupo como uma unidade. A mecânica de "Explorações"
é um novo conjunto de regras criado para explorar ruínas; uma peculiaridade
interessante é que essas Explorações são projetadas mais verticalmente do que
horizontalmente, com a intenção de simular a experiência de explorar ruínas. Em
uma Exploração, existem cinco funções distintas para cada personagem, que
definem como eles ajudam a progredir na Exploração e também lhes conferem
manobras especiais que podem ser usadas quando as coisas dão errado. Um aspecto
fundamental que aprecio na mecânica de Exploração é que o jogo inclui
ferramentas bastante robustas para a criação de Explorações, o que facilita
bastante para alguém pegar a estrutura básica (e o exemplo fornecido pela
aventura inicial) e expandi-la. Dito isso, pelo menos para um livro de regras
básico, acho que as ferramentas de Exploração e construção de artefatos
funcionam muito bem. As Explorações expandem as outras mecânicas de exploração
fornecidas no livro (para viagens terrestres) ao detalhar os procedimentos, bem
como a ameaça da Praga, mas, no geral, a estrutura e a intenção são semelhantes
às mecânicas de exploração terrestre em outros jogos do mesmo sistema,
incluindo o rastreamento constante de suprimentos e ameaças à sua
sobrevivência.
A
Praga é uma das duas mecânicas ambientadas no jogo que merecem ser discutidas e
que são destacadas (mas não se restringem) às Masmorras. A Praga é um fenômeno
misterioso, quase cósmico, que amplifica o perigo das ruínas e das viagens
espaciais e que, possivelmente, causou a extinção dos Construtores. Os
personagens não apenas enfrentam criaturas infestadas pela Praga (ou até mesmo
criadas por ela), mas também a presença da própria Praga, que pode causar danos
diretos ao seu âmago. Isso também se aplica à mecânica... os personagens têm
três trilhas de "pontos de vida": Vida, Esperança e Âmago. Como
mencionei antes, o combate é muito semelhante ao de outros jogos do mesmo
sistema, o que significa combinar uma trilha de pontos com efeitos críticos...
para Vida e Esperança, estes são praticamente como você imagina, variando
modestamente, quando variam, em relação aos vistos em Forbidden Lands ou
Twilight: 2000. É no Âmago, porém, que a coisa fica estranha, e conforme
seu personagem é exposto a mais e mais Praga, os efeitos críticos vão da
bioluminescência literal e o crescimento de vinhas a partir do seu corpo até o
seu espírito ficar preso nos "Salões Pálidos" (possivelmente outra
dimensão à la Black Lodge de Twin Peaks, possivelmente uma alucinação) ou até
mesmo desaparecer completamente, de forma que sua equipe não se lembra de você.
A Praga é uma adição fascinante ao cenário, que combina com a extinção dos
Construtores e adiciona uma atmosfera de horror cósmico... Eu sempre me
pergunto se ela permanecerá um elemento estático do cenário ou se tornará algo
mais caso a linha de jogos seja expandida.
A
última mecânica exclusiva, impulsionada pelo cenário, é peculiar. Cada
tripulação recebe um "pássaro", uma espécie de autômato
eletromecânico da era dos Construtores. Os pássaros têm certa integração com o
cenário, mas, no geral, servem principalmente para fornecer aos personagens
jogadores habilidades sobrenaturais que os ajudam a sobreviver às Incursões e a
lutar contra a Ruína. Os pássaros, também chamados de Garuda, são um elemento
estranho nas mecânicas do jogo, embora, se autômatos semelhantes a pássaros já
fizessem parte de Coriolis há algum tempo, isso faria um pouco mais de sentido.
Ainda assim, parece ser uma parte do jogo em que as mecânicas foram escritas
primeiro e depois adaptadas ao cenário, mesmo que a grande maioria do cenário
tenha sido escrita para ser coesa e, a partir daí, direcionar as mecânicas.
Considerações finais
Coriolis:
A Grande Escuridão faz um bom trabalho ao apresentar uma abordagem original ao
gênero de ópera espacial. Embora a série seja conhecida há anos por sua
ambientação original com influências do Oriente Médio (e isso é um tema
recorrente no novo jogo), ter um cenário mais restrito e com uma atmosfera mais
perigosa, equilibrando ameaças internas e externas, resulta em um jogo que
consegue ter uma motivação forte e predominante (explorar a Esfera Mapeada,
descobrir sobre os Construtores), ao mesmo tempo que oferece muita coisa acontecendo
fora disso (intrigas de guildas, contrabando, piratas).
A
Free League fez escolhas bastante ousadas na forma como diferenciou A Grande Escuridão
das edições anteriores de Coriolis, e embora isso não seja um ponto negativo em
si, precisa ser mencionado. Essa é uma maneira consistente de fazer uma mudança
de edição, dentro da estratégia geral da Free League de manter seus jogos
próprios bastante únicos e focados; Blade Runner não se parece com um típico
jogo cyberpunk, Twilight: 2000 não é um jogo pós-apocalíptico comum nem um
simulador militar comum, e Vaesen é definitivamente o mais sueco dos jogos de
caça a monstros. Coriolis sempre teve a intenção de proporcionar uma
experiência única em comparação com um jogo como Traveller, e A Grande
Escuridão, por sua vez, pretende ser uma experiência única em comparação com
outras edições de Coriolis.
No
geral, eu diria que A Grande Escuridão é um jogo que encontram um equilíbrio
entre o específico e o geral, de forma que a experiência de um jogo se estende
ao próximo. Ele também oferece experiências cada vez mais diversas no cenário
de Coriolis, o que justifica a aquisição do jogo para os fãs já existentes. A
Grande Escuridão pode não apresentar a ópera espacial como ela é tipicamente
imaginada ou fantasiada, mas seu cenário menor e mais intimista ajuda você a
entrar na mente de um explorador desesperado para sair da estação espacial e se
aventurar no espaço desconhecido.
[Nota: resenha adaptando os reviews dos sites cannibalhalflinggaming e spritesanddice]
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