terça-feira, 3 de julho de 2012

Romance - Império de Sckharshantallas Cap. III





PARTE 3
O PRÍNCIPE BASTARDO


Já estávamos longe quando olhei para trás. Voávamos por entre as nuvens do entardecer. Cada vez mais a montanha sumia no distante horizonte aonde o rei devia estar bradando horrores aos nossos nomes. Alçávamos vôo cada vez mais alto e mais rápido, até que uma bruta vertigem me atingiu quando olhei para baixo. Antony se divertia muito sobre o pseudo-dragão que nos obedecia fielmente. Achei estranho, mas devo alegar que não seria momento próprio pra falar-lhe.

Logo começou chegar o entardecer, primeiro as nuvens se condensaram fazendo-nos descer do vôo, depois começou a escurecer e tive que interromper a felicidade do elfo.

- Senhor Willians, perceba que já é o momento de acamparmos! Logo anoitecerá e precisamos descansar depois desse dia agitado!

O próprio Henk já estava debruçado nas minhas costas roncando alto.

- OK! Pra baixo, dragão!

Acampamos em uma bela planície de pura relva avermelhada pela aridez do Reino. A noite era belíssima, Tenebra devia ter trabalhado muito por aquilo, o próprio frio do anoitecer era uma benção naquele dia quente. Eu estava perto de uma fogueira adiantando este conto, enquanto Antony estava descansando ao lado do pseudo-dragão que olhava Henk que por sua vez, arrumava a bolsa de viagem do espadachim.

Enfim me aproximei do pseudo-dragão e fiquei observando-o. Ele era belo, muito diferente de qualquer um que já vi, na verdade mais parecia um dragão... Seu olhar parecia até mesmo demonstrar inteligência e sarcasmo.





- Pare de me acariciar! – ele rugiu quando o fiz em suas escamas... dei um pulo com o susto.

- V-você fala?

- Não!

- Mas está falando! – retruquei.

- Não to... – então ele ficou quieto e me encarando.

Fiquei observando-o.

- Você não é um pseudo-dragão, não é?

Fez-se breve silencio.

- Não... Sou um dragão de verdade! – ele respondeu de mau gosto com sua voz rouca e chiada.

- sabia! – sorri em triunfo – Mas por que você se disfarçou?

- Seu amigo é um dragão não é? Bem, eu preciso da ajuda dele!

Uma sombra nos encobriu.

- Serio? – era Antonywillians – O que o pseudo-dragão ta faland... ELE TÁ FALANDO??????????

- Ele não é um pseudo, mas um dragão de verdade! E pelo tamanho deve ser criança ainda! – eu disse.

- Olha quem você chama de criança, pequeno! – o dragão me respondeu nervoso.

Antony desabou no chão, sentado.

- Heh! Quem imaginaria, um dragão no grupo!

- Como assim? UM dragão? – o monstro se surpreendeu – Não seriam DOIS contando com você?

- Eu? Heh! Já disseram que tenho a bravura de um, mas nunca que eu era!

O dragão arregalou os olhos e se ergueu.

- E... o que foi aquilo que você fez???

- Ah, lá no palácio? – ele sorriu pegando uma taça com vinho e uma sckharluziss, misturanto-os na boca e cuspindo para a demonstração das labaredas – Isso? Uma reação que um cuspidor de fogo de um grupo circense me ensinou anos atrás em um reino longínquo!

O dragão rugiu em ira.

- Droga, então só perdi meu tempo com um impostor? Aaargh! Estou perdido então!

Arqueou as asas se preparando para sair voando, mas Antony o interrompeu.

- Espere! Como assim perdido? Precisava de outro dragão para que?

- Hunf! Você não teria poder suficiente para tal, elfo...

- Heh! Sério? Você diz isso mesmo depois de eu escapar de um palácio cheio de guardas com armas mágicas e sobreviver a uma queda de uns vinte metros com pseudo-dragões cuspindo iras flamejantes na minha cola!?

O dragão pareceu ponderar.

- Aaah! Que seja, por mais fraco que você pareça não tenho outra escolha mesmo!

Ele disse se apoiando nas garras traseiras para se sentar como um majestoso cão se sentaria. Não devo deixar de anotar que aquilo mostra que dragões são arrogantes, orgulhosos e majestosos desde pequenos!

- Como devem saber Sckhar se recusa a aceitar outros dragões em seu reino, a não ser que se rebaixem a sua tirania e poder servindo-o humilhantemente! – ao dizer isso eu evitei comentar qualquer coisa zelando pelo raciocínio dele, apenas afirmei com a cabeça – Minha mãe veio das Montanhas Sanguinárias a leste do Reino. Ela vinha por dois motivos, os monstros falavam algo sobre uma estranha nuvem vermelha com criaturas que não pertenciam a Megalokk lá e que surgira massacrando boa parte de monstros bem poderosos, o segundo motivo era que ela desejava encontrar um marido mais forte e esperto que os revolucionários das Sanguinárias… - tive que interrompê-lo.

- Dragões revolucionários? Como assim?

Ele olhou surpreso.

- Ah, o reino dos mamíferos frágeis não sabe ainda, certo? O sumo-sacerdote de Megalokk, Dislik, está criando uma revolução nas Sanguinárias! Ele deseja ir contra os deuses que barraram os monstros nas montanhas e vir ao mundo dos fracos destrui-los e dominar todo o território que vocês tomaram depois que houve o Expurgo dos Monstros! – Antony estava entendendo mais nada – Enfim, minha mãe não sabia que iria encontrar logo um reino do próprio Sckhar, o Rei de nós, dragões vermelhos. Ele a ofereceu viver nestas terras em troca de vassalagem, servidão perpetua e... - dragão fechou os olhos como se as palavras lhe doessem – entrasse para seu harém! Ela teve um filho com o Rei dragão, que sou eu, Príncipe Dranarios! – eu e Antony arregalamos os olhos com as emoções confusas pela revelação – Mas minha mãe me escondeu dele! Sckhar tem muitos principezinhos já, e todos servem a suas intrigas políticas, os que não servem são mortos por inutilidade, e minha mãe não desejava isso. Enfim veio a tal profecia, e Sckhar enviou mamãe para um reino humano, Logus, para ser a barriga que traria sua princesa prometida há 300 anos! Niathallas, de acordo com ele é a princesa prevista!

Minhas engenhocas mentais começaram a movimentar-se e tive que falar:

- Então sua mãe fez amor com o rei Logus, assim criaria uma cria meio-dragoa com sangue da tribo que fez o ritual! – ele corou com minhas palavras – E no caso essa cria seria a Niathallas! Isso explica tudo, Senhor Willians, por que uma dragoa seria aceita no reino e como a princesa poderia ser meio-dragoa!

- Sim... Mas continue, Príncipe! Para que precisa de nosso reforço? – Antony estava interessado mais na nova aventura.

- Não me chame assim! – o dragão rugiu arrogante – Eu odeio ser lembrado que tenho ligação com aquele tirano maldito! Mas o que preciso de ajuda é no seguinte... O rei Logus XI descobriu que sou o príncipe filho de Sckhar com a mulher que o Rei Dragão lhe ofereceu para nascer a princesa prometida! Então subornou-a! Hoje ela serve como mais uma de seu harém e vive presa numa caverna aqui perto guardando o tesouro real! Eu, pensando que tinha o poder de um dragão iria perdir-lhe ajuda para resgatá-la...

- Ué, mesmo que seja um dragão! Uma dama em perigo sempre merecerá minha ajuda! – disse o espadachim elfo erguendo o sabre em direção a lua com confiança.

- Mas ela permanece dominada por magia! Em troca disso tudo eu poderia viver no palácio servindo militarmente o rei junto aos pseudo-dragões e assim estaria escondido de Sckhar!

- Mas por que ela estaria longe da capital? O tesouro não deveria estar, nem que fosse, nas masmorras do palácio? – eu indaguei sentindo algo errado na historia.

- Naturalmente, pequenino, mas o tesouro real possui um pergaminho antigo e proibido que Sckhar confiou ao rei! O pergaminho do Suplicio Draconiano, a única arma capaz de matar o Deus Dragão Rei!

Meus olhos brilharam, apartir dali não cansaria de procurar o pergaminho até lê-lo todo! Antony sorriu com uma idéia que apareceu e ofereceu uma rosa vermelha como trato.

- Certo, aceitarei a aventura! Mas pedirei algo em troca!

Dranarios cuspiu uma saliva chamuscante na rosa que entrou em combustão.

- Esqueci que vocês têm essa mania de pedir coisas em troca de ajuda! O que seria elfo? Eu tenho nada, só sede de vingança!

- Bom, após salvar sua mãe... você deve me prometer ajudar a resgatar a princesa raptada por rebeldes e encontrar esse tal Suplinco Draconinio!

- Se fala Suplicio Draconiano, Senhor Antony! – corrigi-o.

- Então, esse mesmo! O Siplinco Dracaninio!

O dragão assentiu com a cabeça reptlinea.

- Tens minha palavra elfo! Se sobreviver lhe ajudarei!

Eu sorri de alegria. Agora haveria mais um bom capitulo de aventuras para este livro que estou a escrever e junto teria o pergaminho para ler! E o melhor, quando um dragão, mesmo os malignos, quando dão suas palavras têm orgulho de zelar e concretizá-las em nome da honra e orgulho dragônico!




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