Fantasia e Realidade se misturando: Por que o Ministério da Defesa britânico está usando roteiristas de Elite Dangerous para planejar o ano de 2122?
O
Ministério da Defesa do Reino Unido foi além dos tradicionais jogos de guerra e
adotou as técnicas de "construção de narrativa" dos jogos de RPG de
mesa e da ficção científica. Por meio de uma parceria estratégica entre a
Universidade de Coventry e o Laboratório de Ciência e Tecnologia da Defesa
(Dstl), o governo lançou o Creative Futures, uma antologia de 416 páginas criada
para projetar ameaças à segurança até o ano de 2122.
Editado
pelo Dr. Allen Stroud, figura proeminente no mundo dos jogos e presidente
da Associação Britânica de Ficção Científica, o projeto sinaliza uma mudança no
pensamento militar. Em vez de se basear em algoritmos rígidos, o Ministério da
Defesa está utilizando a agilidade narrativa de autores como Adrian
Tchaikovsky, Emma Newman e Gareth L. Powell para
"testar a fundo" a ética da guerra futura.
Inteligência
Artificial Sem Grades de Segurança
O
lançamento do Creative Futures ocorre em um momento de intenso atrito
internacional em relação ao desenvolvimento da IA. Enquanto Donald Trump ordenou
recentemente que agências federais parassem de usar a tecnologia da Anthropic –
efetivamente colocando a empresa em uma lista negra por se recusar a abandonar
as “linhas vermelhas de segurança” que, segundo o governo americano, prejudicam
a eficácia militar –, o projeto do Ministério da Defesa britânico parece
interessado justamente nos cenários que esses filtros de segurança visam
prevenir.
Em
uma das seis histórias escritas pelo próprio Dr. Allen Stroud,
uma inteligência artificial recebe a missão de desescalar um conflito entre
duas nações. Sua solução calculada é uma campanha de mentiras, traições e
assassinatos seletivos de indivíduos de ambos os lados. A lógica da máquina é
que, ao induzir terror e confusão suficientes, os participantes ficarão
apavorados demais para continuar a guerra.
Essa
forma de "narrativa estratégica" é muito diferente dos resultados
corporativos e higienizados da IA que estão sendo
debatidos atualmente em Washington. Ao usar redatores humanos para contornar a
programação "prioritária" dos
modernos Modelos de Linguagem de Grande Porte, o Ministério
da Defesa britânico cria, na prática, uma
biblioteca de cenários "sem restrições" que
exploram os resultados mais sombrios possíveis da tomada
de decisão autônoma.
De Elite Dangerous à
Defesa Nacional
Para
quem atua no universo dos jogos de RPG, o envolvimento do Dr. Allen Stroud é
o sinal técnico que dá credibilidade a esta notícia. Stroud passou
anos desenvolvendo universos complexos e sistêmicos para jogos como Chaos
Reborn e Phoenix Point. Seu trabalho nos jogos de RPG Elite
Dangerous exigiu o balanceamento de uma galáxia extensa e com múltiplas
facções, onde os jogadores podiam sentir o peso de suas escolhas – uma
habilidade que a Dstl claramente valoriza para a análise de tendências.
Sarah
Herbert, gerente do Programa Futuros da Dstl, explicou que a ficção científica
permite que os militares olhem além da próxima atualização de equipamentos. Ela
descreveu as histórias como uma “ferramenta estratégica” para explorar as
dimensões humanas e geopolíticas da tecnologia. Ao imaginar as experiências de
pessoas fictícias vivenciando um evento climático daqui a algumas décadas, o
Ministério da Defesa espera construir um nível de “resiliência narrativa” que
os dados por si só não conseguem proporcionar.
A
antologia, composta por 25 partes e uma cronologia abrangente do século XXII, é
mais do que um exercício criativo. É uma provocação para um futuro onde as
fronteiras entre design de jogos, ficção especulativa e segurança nacional se
dissolveram completamente.
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[Matéria
retirada do site GeekNative e traduzida pela Confraria]
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