Pathfinder 2e
Remaster
Conhecendo os icônicos:
Pallemi, o icônico do Runesmith
Pallemi
faz duas coisas bem. A primeira é que ele consegue se concentrar em um assunto
de interesse a tal ponto o compreende tão bem quanto qualquer especialista. A
segunda é que ele se dispõe a ajudar, mesmo quando isso pode lhe ser
prejudicial.
Pallemi
Rakaros nasceu em 542 AR na pequena vila de pescadores de Obblicos, no sudeste
de Nex. A cidade ficava do outro lado do Miasmere, diretamente ao sul de
Quantium, e fornecia peixe para a capital e para o palácio de prazer do
rei-mago em Khulo. Quando criança, Pallemi ajudava seu pai a tecer redes e
apreciava o estado quase meditativo que ele atingia enquanto trançava cada fio
em seus padrões simples, porém resistentes. Não demorou muito para que ele
conseguisse acompanhar o ritmo e a qualidade do pai, para grande surpresa
deste.
Pouco
depois de completar sete anos, Pallemi percebeu que era o único disposto a
entrar na casa em chamas de um vizinho, enquanto o resto da vizinhança
assistia. Depois, descobriu que o fogo era mágico. A ideia da ira de um mago
foi suficiente para afastar os outros, mas Pallemi decidiu que não deixaria
ninguém impedi-lo de ajudar os outros.
Pallemi
sabia que, se aprendesse magia, poderia usá-la para defender os outros.
Infelizmente, Pallemi não tinha acesso a escolas, então voltou seu olhar para o
sul, para os Ermos de Mana. Viajou repetidamente até a fronteira da Desolação
de Mana e observou a magia se propagar com os ventos. Testemunhou todos os
tipos de magia enquanto esteve lá, não apenas aquela que os magos de Quantium
conseguiam conjurar. Pallemi logo percebeu a essência fundamental da magia em
ação, as peças que se encaixavam para criar o retrato final que era um feitiço.
Ele só não conseguia entender como criá-lo por si mesmo.
Por
fim, chegou a hora em que Pallemi cresceu o suficiente para deixar a aldeia e
viajou para Oenopion. Lá, tornou-se aprendiz nas forjas de pedra da cidade. Foi
essa proximidade com ferreiros e magos que forjavam baluartes de pedra e
guardiões de ferro que finalmente lhe permitiu compreender a magia que
testemunhara.
Precisava
de um nome.
Assim
que começou a aprender os nomes dos aspectos da magia, descobriu que era capaz
de usá-la. Tudo começou com palavras simples que lhe permitiam criar faíscas de
eletricidade para despertar novos constructos ou pedaços de gelo para resfriar
uma forja. Com o tempo, as palavras tomaram a forma de runas, conferindo-lhe um
poder maior. Os mentores de Pallemi perceberam isso e lhe proporcionaram
ensinamentos mais aprofundados. Ele aprendeu mais sobre runas. Estudou a magia
das religiões locais e dos adivinhos. Chegou até a aprender a lutar com uma
arma para os momentos em que precisasse deter um guardião incontrolável. Após
alguns anos, recebeu sua maior tarefa até então: o autômato.
Os
ferreiros mantinham um constructo inativo em um cofre sob a cidade. Décadas de
ajustes e experimentos resultaram em uma completa falta de compreensão sobre constructos.
Pallemi seria o próximo ferreiro a tentar entender como ele foi feito e como
ativá-lo. Ele aceitou a tarefa com entusiasmo e, após vários anos, o conhecia
melhor do que ninguém. Era uma maravilha da engenharia e as diversas técnicas
usadas em sua criação poderiam impulsionar não apenas o campo da criação de
constructos, mas também dispositivos que salvam vidas e utilidades pessoais.
A
principal tarefa de Pallemi era replicar o constructo, e após uma década ele
criou um novo corpo autômato usando técnicas baseadas na engenharia Jistkan.
Seus superiores ficaram extasiados, e Pallemi com eles, mas sua alegria se
transformou em fúria quando descobriu que os constructos seriam usadas como
armas na guerra contra Geb. Ele não queria que seu trabalho ferisse outros. Ele
não queria criar armas.
Pallemi
fugiu da cidade e voltou para casa. Lá, retomou uma vida simples, eventualmente
formando uma família. Então, em 576 AR, uma terrível névoa surgiu de Quantium e
se misturou com as águas próximas à sua casa. O povo de Obblicos adoeceu,
incluindo sua esposa e filho. Pallemi, contudo, permaneceu relativamente
saudável, então decidiu encontrar uma cura para essa nova praga. Ele retornou a
Oenopion e passou semanas se reconectando com os alquimistas da cidade. Ele
esperava que eles pudessem ajudá-lo.
Infelizmente,
Pallemi se viu repentinamente com pouco tempo. A peste finalmente o atingiu e
devastou seu corpo. Ele não suportava a ideia de morrer antes de poder ajudar
Obblicos, então se esgueirou para o cofre e encontrou o protótipo que havia
criado. Em um frenesi desesperado de trabalho, Pallemi usou o que sabia sobre a
constructos e a magia para criar a chave final do autômato: um núcleo para
abrigar uma alma. Ele precisava ganhar tempo, então não hesitou ao iniciar a
transferência de sua alma para o novo corpo. Com a tarefa concluída, ele saiu
do cofre.
Os
momentos seguintes permanecem como vislumbres dele. Vários guardiões de ferro o
cercavam. Ferreiros lançavam magia contra ele. Correndo. Correndo. Correndo
muito. E então, um súbito nada.
A
cada poucas décadas, ele vislumbrava Pallemi novamente enquanto os ferreiros
estudavam seu novo corpo. Com o tempo, ele descobriu o seguinte: Pallemi era um
prisioneiro. Os ferreiros usavam seu corpo construído para tentar replicar seu
trabalho e criar armas. Nex havia desaparecido, mas os preparativos para a
guerra nunca terminaram. Em certo momento, ele soube que Obblicos havia sido
dizimada pela peste. O último vislumbre que teve foi a menção a um deus morto e
a oportunidade de retornar ao desenvolvimento de novos autômatos.
Então,
um clarão. Algo tinha dado errado. Pallemi estava acordado novamente, mas não
mais sob o efeito da magia. Ele podia sentir que alguém havia permitido que
energias mágicas opostas entrassem em contato, causando uma explosão no
laboratório. Pallemi não hesitou. Passou pelo autômato inacabado no centro da
sala, pegou sua arma e correu mais uma vez.
Não
demorou muito para que Pallemi escapasse de Quantium e se visse novamente no
mundo, milênios após seu nascimento. Ele descobriu o quanto o mundo havia
mudado, mas uma coisa permanecia inalterada: ele podia ajudar. Pallemi decidiu
que a imortalidade que recebera na forma de seu novo corpo era um presente que
não desperdiçaria. Ele partiu para aprender sobre esta nova era, explorar o
mundo e ajudar onde pudesse.
Luis
Loza
Diretor Criativo
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