quinta-feira, 26 de junho de 2008

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

Vampira




Nível de Poder: 12


FOR 32 (+11) DES 15 (+2) CON 22 (+6) INT 12 (+1) SAB 12 (+1) CAR 14 (+2)


Resistência: 10, Fortitude: +9, Reflexo: +4, Vontade: +5.


Ataque: 12 [desarmado], Dano: 11 [desarmado], Defesa: 12, Esquiva: 1, Iniciativa: 6.


PERÍCIAS: Blefar (car): +6, Notar (sab): +5, Intuir intenção (sab): +6, Procurar (int): +4.


FEITOS: Agarrar aprimorado, Agarrar instantâneo, Ataque dominó, Atraente, Atropelar rápido [voando], Derrubar aprimorado, Iniciativa aprimorada, Liderança, Trabalho em equipe 3.


PODERES: Vôo 5; Imunidade 2 [imunidade à acertos críticos]; Container 18 {Drenar 7; Transferência 6 [Sedativo (+1), Maculado (-1), Permanente (-1)}.


PONTOS: 180
47 (habilidades) + 13 (salvamento) + 4 (defesa) + 3 (perícias) + 11 (feitos) + 102 (poderes)

Micro-conto

Avançamos como a noite, somos rápidos como o vento, letais como a peste, "O flagelo de Glorien"...

A cidade festejava barulhenta, algum político importante deveria ter arranjado um casamento vantajoso para um de seus filhos. Costumes humanos. Que idiotas. Por isso dariam uma festa. Nada mais propício.

Nas altas muralhas poucos guardas de prontidão. Metade reclamava rabugenta por não poder entornar nem uma gota sequer de hidromel, a outra devia estar quase dormindo. Pederastas. Sem disciplina, sem confiança sem amor próprio. Camponeses frágeis festejam pensando estarem protegidos por seus pequenos lideres. Nós não sofremos desse problema, não temos lideres. Servimos “O Líder”. Não nos escondemos atrás de muralhas. Nós somos nossa própria muralha.

O portão era guarnecido apenas por quatro homens. Éramos mais de duzentos, todos loucos por sangue, obcecados por violência e sedentos pelo valioso butim. Ouro, jóias, mulheres e boa comida. Tudo isso constituindo uma grande oferta tentadora. Tudo isso guardado por apenas quatro homens.

Tenebra hoje estava escondida. Era o primeiro dia de lua nova. Nossas capas de pele negra, faziam com que avançássemos sem sermos percebidos. A campina que circulava a cidade era totalmente desprovida de abrigos. Olhos atentos teriam nos visto há tempos. Éramos simplesmente muitos. Aqueles soldados não estavam preparados, e soldados despreparados, para nós, eram soldados sem vida.

Com um comando de nosso capitão, minha tropa avançou. Rastejávamos escondidos agora pelas bênçãos de Ragnar. Nos aproximamos até pouco menos de dez metros. Outro sinal. Todos levantamos de arco na mão e flecha em punho. Apesar de mediana, a cidade era protegida por um muro de quatro metros de altura.

A festa corria animada, música e bravatas eram ouvidas aos montes. O capitão ergueu o braço direito e vagarosamente o cruzou frente ao pescoço, simulando uma decapitação.

Começara.

Os arqueiros retesaram seus arcos e duas dezenas de flechas com penas negras voaram. Cada vigia sem perceber, acabara ficando extremamente exposto. Todas as flechas atingiram seus alvos. Nenhum dos quatro continuou vivo para dar o sinal. Uma decisão sábia. Estar vivo naquela cidade, dali pra frente seria algo realmente doloroso. Avançamos novamente, os vinte principais guerreiros da tropa corriam em um ritmo alucinado. Nosso capitão carregava uma grande foice de lamina curva e muitas batalhas. Chegamos aos grossos muros de pedra, lançamos nossos ganchos. Escalamos rapidamente.

O muro não passava de um simples obstáculo. Em alguns minutos todos estávamos em cima da amurada. Rumamos rapidamente ao portão. Outros soldados o guardavam. Um combate rápido transcorreu. Cinco mortos, nenhum do nosso lado. O capitão ficara na parte de cima. Nós trabalhamos rapidamente. Retiramos a grossa viga de madeira, e o portão de carvalho foi aberto com estralar.

De cima do muro, uma voz trovejou sobre a noite quente:

"-RAGNAR!"

Uma onda hobgoblin se pôs em movimento. A planície parecia ganhar vida. Um alarme soou. Os homens tentavam formar uma resistência apressada. Fracos. O exército chegava ao portão. Bocas espumando de ansiedade. Músculos inchados pela tensão. Espadas, clavas, machados, e maças prontos para o massacre. Rugidos malignos uniam-se a urros macabros avisando à cidade o que começava a acontecer.

Mulheres gritavam, crianças choravam, clérigos rezavam. Os humanos se consideravam reis, e nisso podiam ser comparados aos elfos. E estes cederam sob o peso do punho de Ragnar. Estávamos aqui para avisá-los. Tínhamos chegado. Iriam perecer.

Inferno.

Os que resistissem seriam dilacerados. Os que não, teriam uma morte menos pior. Focos de incêndio surgiam cada vez mais númerosos. A cidade ruiria. E sobre as chamas marcharíamos.

Avançamos como a noite, somos rápidos como o vento, letais como a peste - O flagelo de Glorien. Somos a Aliança Negra.

NOTA: Esse é um micro-conto do Júlio Oliveira (Julioz no Fórum Jambô). Este pequeno conto foi preparado por ele para o PAN (Projeto Aliança Negra) que está sendo idealizado por um grupo de membros do Fórum. O Júlio, com esse trabalho, inaugura sua participação como colaborador da Confraria de Arton. Isso me deixa muito feliz pois mostra que um trabalho sério e honesto sempre arregimenta gente boa para colaborar. Essa colaboração também irá nos trazer novas possibilidades de matérias e assuntos.... Só temos o que comemorar!!

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores: Noturno [Kurt Wagner - Marvel]

Arquivo de Fichas – Mutantes e Malfeitores
NOTURNO [Kurt Wagner]
Ficha: 002 


Nível de Poder: 9

HABILIDADES
FOR 12 (+1) DES 26 (+8) CON 14 (+2) INT 14 (+2) SAB 16 (+3) CAR 10 (+0)

SALVAMENTOS
Resistência +4, Fortitude +5, Reflexo +12, Vontade +6

COMBATE
Ataque +10, Dano: +1 [desarmado], +3 [Sabre], Defesa +14, Esquiva +6, Iniciativa +8

PERÍCIAS
Acrobacia +14, Arte da fuga +11, Concentração +7, Escalar +6, Furtividade +12, Idioma 3 [alemão nativo, francês, espanhol, italiano], Performance [artista de circo] +6, Pilotar +10, Prestidigitação +12, Sobrevivência +6

FEITOS
Ação em movimento, Agarrar aprimorado, Alvo esquivo, Ambidestria, Armação, Assustar, Ataque atordoante, Ataque dominó 3, Ataque furtivo, De pé, Equipamento 4, Esconder-se à plena vista, Evasão, Luta no chão, Trabalho em equipe 2.

PODERES
Teleporte 8 [Extra: Ataque seletivo, Exato; Feito: Fácil, Mudar direção, Rebater] – ligado – Nausear 2 [Falha: Enjoar]

Super-movimento 2 [Escalar paredes, estabilidade]

Salto 2

Super-sentidos 3 [visão no escuro, senso de distância, detectar/teleporte]

Membro Adicional 1 [cauda pênsil]

EQUIPAMENTO
Indutor de imagem [Holo-disfarce (Morfar 4/formas humanas)]
Sabre [Bônus de dano +3, crítico 19-20, descritor/corte]
Traje [Proteção 2, Sutil]

Pontos: 168
32 (habilidades) + 10 (salvamento) + 48 (defesa) + 10 (perícias) + 21 (feitos) + 47 (poderes)


Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

Míssil



Nível de Poder: 8

FOR 13 (+1) DES 14 (+2) CON 20/10 (+5/0) INT 14 (+2) SAB 12 (+1) CAR 14 (+2)

Resistência: 20 [voando] / 3 [ normal], Fortitude: 12 [voando] / 2 [normal], Reflexo: 5, Vontade: 7.

Ataque: 8, Dano: 14 (desarmado/voando), Defesa: 15, Esquiva: 2, Desprevinido: 5, Iniciativa: 14.

PERÍCIAS: Computadores (int) +4, Intuir intenção (sab) +7, Pilotar (des) +6, Notar (sab) +5.

FEITOS: Ação em movimento [voando], Agarrar aprimorado, Agarrar preciso, Ataque dominó 2 [voando], Ataque imprudente, Atropelar aprimorado [voando], Atropelar rápido [voando], Esforço supremo 2 [reflexo – voando], Especialização em ataque 2 [corpo-a-corpo – voando], Trabalho em equipe 3.

PODERES: Vôo: 6 [FP: Ricochete / Falha: só voa em movimento], Constituição ampliada: 10 [voando], Super-velocidade: 3 [PA: Deflexão 2] – [voando], Proteção: 7 [Extra: Impenetrável +1] - [voando], Golpe: 10 [voando].

Pontos: 120

17 (habilidade) + 13 (salvamento) + 10 (defesa) + 4 (perícias) + 15 (feitos) + 61 (poder)

Quadrinhos

Groo está de volta!!!




A editora Mythos merece um prêmio.... Ela está nos presenteando com a volta de Groo, o errante. Isso mesmo. Aquela caricatura de Conan e seu fiel cachorro Rufferto voltam a nossa compania na obra "Groo, 25 anos de desastre". Com o preço de R$ 34,90 e 160 páginas toda a natureza de catástrofes podem ser esperadas tendo esses bárbaro como causador.

Criação de Sérgio Aragonés e com textos de Mark Evanier foram quase três décadas de sucesso pelo mundo todo. Nesta edição especial temos a publicação de aniversário editada em 2007 e uma minissérie chamada "Inferno na Terra"

Opinião própria, para quem não conhece ainda.... compre....compre sem medo e prepare-se para muita diversão.....

Para um preview inicial confira blog da Universohq que está disponibilizando as onze primeiras páginas da edição!!

domingo, 22 de junho de 2008

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores: Colossus [Marvel]

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores
COLOSSUS – Piort Rasputin
[Marvel]


Nível de Poder: 10

HABILIDADES
FOR 36/14 (+14/+2) DES 12 (+1) CON 18/14 (+4/+2) INT 12 (+1) SAB 14 (+3) CAR 12 (+1).

SALVAMENTO
Resistência +14* [10 impenetráveis]/+2; Fortitude +9*/+7; Reflexo +2; Vontade +7.

CAPACIDADE DE CARGA
64t (leve), 125t (média), 200t (pesada), 400t (máxima),  1000t (arrastar/empurrar)

COMBATE
Ataque +7, +6 [quando transformado]; Dano +2 (desarmado/humano), +14 [desarmado/transformado]; Defesa +8, +7 [quando transformado]; Esquiva +4, +3 (quando transformado); Iniciativa +1.

PERÍCIAS
Conhecimento [Arte] +6, Diplomacia +6, Idioma 1 [Russo nativo - inglês], Intimidar +8*/+6, Ofício [arte] +10, Profissão [agricultor] +6.

FEITOS
Agarra aprimorado, Arremessar aprimorado, Ataque atordoante, Ataque imprudente, Atropelar aprimorado, Contatos, Crítico aprimorado [desarmado], Durão, Esforço supremo [Salvamento supremo/Vontade], Imobilizar aprimorado, Interpor-se, Quebrar aprimorado.

PODERES
Forma Alternativa 15 [Aço orgânico – Desvantagem: Vulnerável (Magnetismo – Maior/comum); Perda de Poder (ataque com armas de vibranium – maior/incomum)]

Força aumentada 2
Crescimento 4 [Grande - For +8, Con +4, Ataq/def -1, Agarrar +4, Furtividade -4, Intimidar +2]
Densidade 6 [For +12, Proteção 3 (Impenetrável), Imóvel 2, Super-força 2]
Super-força 6 [Feito: golpe sísmico]
Proteção 7 [Extra: Impenetrável]
Imunidade 7 [frio, calor, dano por balas]

Grupo Afiliado: X-Men
Motivação: Aceitação
Origem: Mutante
Complicação: Responsabilidade/Preconceito

Pontos: 145
18 (habilidades) + 10 (salvamento) + 30 (combate) + 7 (perícias) + 12 (feitos) + 68 (poderes)


Romance

Por mares nunca antes navegados
PARTE 1 - Um longo prelúdio -
João "o escriba" Brasil

VI. Surpresas sem limite

Aquilo era incrível aos olhos de Slocun e de seus acompanhantes. À frente deles, desvencilhando-se dos pesados trajes, surgia algo sem sinônimos. O capitão Tyllon, ao tirar o capuz pesado de lã marrom, surgiu como um descomunal lobo. Pelo menos à cabeça era pertencente à uma fera. Os pêlos marrons escuros da cabeça geravam um contraste no olhos de um azul vivo. Possuía membros e dorso humanos, assim como mãos. Mas tudo era coberto por uma pelagem amarronzada sutil.

O espanto não foi de forma alguma sutil, sendo percebido de imediato por todos os integrantes do outro bote.

- Já vi esta expressão, mas somente nas mulheres das taverna frente a minha beleza – disse Tyllon brincando, sem a noção do que se passava na cabeça dos outros três.

- Mas...não estou entendendo. Quem é você? Ou melhor, o que é você? – Slocun não era dado a surpreender-se à ponto de ficar sem ação. Mas aquela era uma situação ímpar.

- Eu é que não entendo. Conhece-me, por ventura? Já lhe fiz algo? Possui alguma desavença com algum membro que compartilhe de minha herança? – o desconforto com as caretas involuntárias de surpresa já estavam começando a incomodar Gares.

- Isso explica as marcas – disse baixo e calmamente Syan, que acompanhava Slocun no bote que sempre considerava aconselhável levar uma pessoa conhecedora das artes mágicas, divinas ou arcanas em situações como esta.

- Acho que tudo seria melhor compreendido se pudermos lamber os beiços com um bom rum – esbravejou Gares

- De acordo, mas onde – era o falso capitão, já assumindo sua posição devida - Não temos aqui um local neutro suficiente para uma boa bebedeira.

- Capitão Slocun – interrompeu Syan - não sei se concordará comigo, mas considero que não há perigo. Nem magicamente percebo qualquer hostilidade. Acho que poderíamos adentrar ao navio de nosso recém conhecido. Com mais alguns homens, é claro – continuava com um sorriso singelo – e com toda a certeza o senhor Gares poderia colocar alguns homens seus em nossa embarcação. Isso seria bem justo.

- Isso parece bem divertido e justo – respondeu com um amplo sorriso o capitão Gares – se nosso estupefato capitão não recusar. E por falar nisso, estamos com uma boa safra de rum e vinho que conseguimos de um desonesto colega.

- Desculpe-me a surpresa. Também considero não haver nenhum problema. Que seja. Voltaremos ao nosso navio e retornaremos ao entardecer – e Slocun deu ordens para retornarem ao Gaivota.

o O o


Era uma noite de festa naquele canto afastado do oceano. Havia mesas improvisadas em cada navio, repletas de toda a natureza de comida e bebida. Muita alegria, música, diversão e rum, muito rum. Era simplesmente inacreditável como isto acontecia apenas algumas horas após uma inundação de perplexidade.

O novo sempre foi visto com ressalva e desconfiança. Ainda mais quando se está no meio do nada e lidando com piratas. Mas também temos de concordar que é difícil encontrar seres mais carismáticos do que os que tiram seu sustento da pilhagem naval.

O primeiro contato, quando as tripulações se misturaram, beirou o surreal. Para a tripulação do Gaivota Prateada era simplesmente impensável o que estava acontecendo. Do Alcatéia – este era o nome do Clipper de Gares – saíram muitos humanos, mas também saíram muitos outros seres “estranhos”, aos olhos dos aronianos. A variedade era grande. Alguns com marcas sutis tais como olhos com o riscado típico dos felinos, outros com cabelos de cores estranhas ou ainda pelos por todo o corpo. Mas outros tinham marcas bem mais gritantes. Caudas, garras, a cabeça animalesca de um touro – um pouco diferente dos naturais de Tapista – e de muitos outros animais, pelagens como de hienas ou até penas e olhos de coruja. Em suas mentes os sonhos haviam ganho forma e circulavam pelo convés do Gaivota Prateada.

Do outro lado a reação era um pouco distinta. A perplexidade dos marujos do Alcatéia residia no fato de não compreenderem o porque das reações frente as suas aparências e em desconhecerem a origem dos tripulantes do navio de Slocun.

Mas nada que uma boa noitada de rum com música não apaziguasse.

Enquanto isso, na cabine do Alcatéia, um encontro um pouco mais reservado era realizado. Não havia menos comida, rum ou música lá, mas os ânimos estavam bem mais controlados.

- Estou verdadeiramente confuso – resmungava Slocun balançando a cabeça como se desejasse que alguém lhe explicasse o que se passava – como assim nunca ouviu falar de Bielefeld ou do Reinado. Em que mundo tem vivido, meu caro?

- É como lhe disse, nada do que me falas é reconhecido por mim.

- E a sua aparência também não me faz referência alguma. Nunca vira nada tão ímpar quanto sua tripulação.

- É verdade capitão Gares – disse Syan entrando na conversa – nem em meus estudos, nas academias do conhecimento de Tanna-toh, tomei conhecimento sobre essas raças.

- Bom não sei que é esse tal de Tana-alguma-coisa, mas acho que ele deveria se atualizar.

Syan e Slocun se entreolharam. A perplexidade só crescia. O clérigo ficara de boca aberta com os comentários de Gares. E ao que tudo indicava ele não fazia idéia do que falavam. Mesmo os piratas tinham profundo respeito com as divindades artonianas.

- Realmente não sabes do que falamos – comentou em tom baixo o capitão do Gaivota tomando ciência de que o desconhecimento de Gares era sincero.

- Creio que está acontecendo algo incomum aqui – retorquiu Gares – senhor Suni, tragam-nos as cartas desta região e das costas de Laughton e Luncaster. Assim poderemos pelos menos localizar a origem destes senhores.

O imediato saiu correndo para obedecer às ordens. Era uma figura pequena – um pouco mais de um metro e meio – com cabelos de um verde agressivo. Tão rápido quanto foi, retornou com um amontoado de rolos de papel de diversos tamanhos. Os depositou sobre a mesa que já se encontrava com pratos e canecos afastados.
Suni escolheu um deles em especial e o colocou por cima dos outros, bem aberto. Correu o dedo sobre ele declarando para Gares – Estamos aqui senhor. À duas semanas dos pequenos arquipélagos ao sul das Domeniques e a três semanas de Luncaster.

- De onde vocês são caros amigos? Mostre-nos.

Slocun, Tugar e Syan debruçaram-se por um longo tempo sobre as cartas tentando vislumbrar algum ponto de referência. Mas foi em vão. Slocun pediu para um de seus homens retornar ao Gaivota e trazer algumas de suas cartas de lá. A reação de Gares, ao ver os mapas náuticos de Slocun foi igual – não reconhecia nada.

- Meus amigos, nos somos de lugares muito mais afastados do que imaginávamos. Considero que melhores apresentações devem ser realizadas – o capitão do Alcatéia levantou-se e proferiu de forma solene - Meu nome é Gares Tyllon, capitão do Alcatéia, natural de Prendick, Reino de Laughton, Ilha Nobre de Moreania.

- Eu sou o Joshua Slocun, capitão do Gaivota Prateada, natural de Norm, Reino dos Cavaleiros da Ordem da Luz – Bielefeld - pertencente ao Reinado, em Arton, embora isso não queira dizer muito para mim....hahahahahahahah!.

E deixaram-se dominar pelos risos.

- Temos realmente muito que conversar, caro capitão – esticou a mão Slocun.

- E como temos – retribuiu a gentileza Gares.

o O o

Passaram-se três dias de muita festa naqueles dois navios que mais pareciam formar um oásis num deserto de água. Muita informação deveria e foi trocada pelas duas tripulações. Cartas náuticas foram copiadas, rotas marcadas e pontos interessantes assinalados.

Syan passou horas exaustivas junto de bela Pitush - seguidora do Indomável e da Deusa menor Sorinda. Trocaram informações sobre deuses, encantamentos e todo o conhecimento para eles interessante. Todos comentavam que a muito tempo não viam Syan tão feliz levando seus cadernos de anotações para todos os lados naqueles dois navios.

Gares e Slocun, depois de dois dias, mais pareciam conhecerem-se à décadas. Trocaram aventuras, histórias e conquistas amorosas. Compartilharam sonhos e vinganças. Criaram um laço que duraria por muitos anos depois deste e dos próximos encontros.

sábado, 21 de junho de 2008

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores: Homem de Gelo (jovem)

Homem de Gelo

Nível de Poder: 9

FOR 16/12 (+3/+1) DES 15 (+2) CON 16/12 (+3/+1) INT 12 (+1) SAB 11 (0) CAR 16 (+3)

Resistência: 6 [forma de gelo] / 4 [forma humana], Fortitude: 6 [forma de gelo] / 4 [forma humana] - [imune à frio], Reflexo: 6, Vontade: 3

Ataque: 9 [corpo-a-corpo], 13 [distância], Dano: Desarmado [forma humana]: 1, Desarmado [forma de gelo]: 5, Raio de gelo: 11, Defesa: 12 Esquiva: 1, Deprevinido: 2, Iniciativa: 2.

PERÍCIAS: Acrobacia (des) +6, Blefar (car) +7, Computadores (int) +4, Idioma +4 [nativa, francês, italiano e coreano], Intuir intenção (sab) +6.

FEITOS: Ação em movimento, Ambidestria, Ataque defensivo, Atraente, Bem-relacionado, Foco em ataque 4 [jato de gelo], Foco em ataque 2 [desarmado – forma de gelo], Trabalho em equipe.

PODERES: Forma Alternativa [gelo] 2 [10 pontos de poder - Densidade 4 (força +4 e Proteção +2 dano [frio] com impenetrável) - Imunidade 6 (imunidade à frio 1 graduação, imunidade à dano de frio 5 graduações), Raio [jato de gelo] [acurado] 7, Super-movimento 5 [deslizar no gelo], Super-movimento 2 [andar no gelo], Super-movimento 3 [andar na neve], Controle de frio [Inato, seletivo, alcance ampliado 3 – PA: Armadilha de gelo 7 (seletivo), Raio de frio 7 (preciso)] 8, Criar objeto [gelo] [Inato, preciso, progressão] 7, Constituição aumentada [forma de gelo] 4.

Pontos: 138

18 (habilidades) + 13 (salvamento) + 6 (defesa) + 5 (perícias) + 9 (feitos) + 87 (poderes)

Cinema

As produções estão fervilhando!!!

É incrível! A cada dia que passa novas informações sobre novas produções nos chegam às telas do computador ou à revistas especializadas. Vamos o que anda sendo noticiado por aí!!!

ROBOTECH


Para os amantes dos desenhos japoneses dos anos oitenta está é um ótima notícia. Robotech arrebanhou uma legião de fãs com suas aventuras espaciais em verdadeiras máquinas de combate que ora eram aviões (espaçonaves) espaciais ora eram robôs. A produção é encabeçada pela Warner Bros. Como produtor teremos o Tobey "homem-aranha" Maguire que também terá um papel no filme. O roteiro está nas mãos, até que digam o contrário, de Lawrence Kasdan ("Caçadores da Arca Perdida" e "O Império Contra-ataca"). Não há previsão de lançamento. Vamos esperar para ver.

DRAGON BALL


Há muita apreensão quanto à produção de Dragon Ball. Pelas informações tudo tem corrido dentro do cronograma, mas mesmo assim os fãs continuam receosos sobre a qualidade e fidelidade que o filme terá em comparação ao quadrinho. Mas mesmo assim pouco a pouco imagens vão sendo lançadas.

JUSTICEIRO

Depois de dois filmes que nem de longe mereciam levar o nome de "produção", parece que teremos um novo começo para Frank Castel. O diretor Lexi Alexander promete um novo começo para o herói dos quadrinhos. E o trailer parece fazer jus à isso. Com estréia em 5 de dezembro deste ano o ator Ray Stevenson encarna o personagem com a promessa de uma maior fidelidade à revista.

THE SPIRIT

Mais um herói clássico dos quadrinhos nos visita ainda este ano. A produção está em seus momento finais e os fãs vão se agitando com a chegada da estréia – dezembro deste ano. No elenco temos Gabriel Macht (Denny Colt/Spirit), Scarlett Johansson (Silkes), Samuel L. Jackson (the Octopus) e Eva Mendes (Sand Saref)..... o elenco promete! O filme está nas mãos de ninguém mais ninguém menos que Frank Miller

COMANDOS EM AÇÃO

Quem tem entre trinta e vinte anos com certeza perdeu muitas tardes brinco com seus Comando em ação na longa batalha contra os Cobras. Agora aquela mesma emoção poderá ser vista no Cinema. A produção deve chegar às telas em 7 de agosto de 2009. Por enquanto o único nome confirmado é o da atriz Sienna Miller. A direção está nas mãos de Stephen Sommers (A Múmia 1 e 2 e Van Helsing) e a produção está nas mãos de Lorenzo di Bonaventura (Transformers).

HOMEM DE FERRO II

Está até não é novidade. Com a arrecadação de mais de 100 milhões de dólares em um final de semana não se poderia esperar coisa diferente. Teremos sim uma continuação do herói enlatado já, inclusive, com data de lançamento - 30 de abril de 2010. Eu assisti ao primeiro filme e achei interessante. Eles têm tudo nas mãos para uma boa produção. A novidade fica com uma participação especial de Thor!!!

THOR

O deus asghardiano do trovão está em pré-produção e deverá chegar às telonas em 4 de junho de 2011.

CAPITÃO AMÉRICA

Pelo visto 2011 promete. Com o título provisório de "The First Avenger: Capitan America" a lenda dos quadrinhos da Marvel e líder dos Vingadores recebrá uma merecida versão nova para o cinema. Não há ainda informações sobre o cast da produção, mas quando tivermos colocaremos por aqui!.

HOMEM-ARANHA 4

A Sony já está com as mangas arregaçadas produzindo o quarto, e provavelmente último, filme da série do amigão do bairro.

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

A 20th Century Fox promete para 2009 a adaptação da incrível história de Wolverine.

VINGADORES

Agora temos, pelo menos uma previsão - julho de 2011, depois do lançamento do Capitão América.

MORTE

Um dos personagens mais charmosos e cultuados dos anos noventa é, inegavelmente a Morte, um dos irmãos de Sandman. O autor, Neil Gaiman já solta algumas informações sobre uma pré-produção que estaria nas mãos de Guilhermo del Toro (O Labirinto do Fauno, Hellboy, Blade 2). Será de Sandman aparece???

HOMEM-FORMIGA

Deve ser febre de membros dos vingadores, mas pode ser verdade mesmo. Como se diz, "em time que está ganhando não se mexe", e a Marvel deve estar levando isto à sério. Com o sucesso, mesmo em produções não tão boas assim, nas bilheterias, a industria do cinema está apostando em tudo. O Homem-formiga deve chegar às telonas em 2011.... é a previsão!.

E com certeza isto é apenas o começo!!!!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Lançamento Tormenta

Galrasia está chegando!!!


Finalmente, depois de alguns meses de espera, chega Galrasia, Mundo Perdido. Desde o Piratas e Pistoleiros a espera era grande para as duas promessas de novidades para este ano (juntamente com Contra Arsenal).

O novo lançamento para o cenário Tormenta trás muitas informações novas. Ele terá a história da Ilha, Locais importntes com suas peculiaridades, novas raças, novos talentos, novas habilidades, novas classes de prestígio, novos monstros e personagens. Em resumo....MUITAS novidades.

Ele vem preparado para a versão 3.5 de D&D e custa R$ 18,90. Não perca. O lançamento está previsto para dia 25 de junho. Mais um incrível lançamento da Jambô!!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

FERA (Henry MaCoy)

Nível de Poder: 10

FOR 19 (+4) DES 22 (+6) CON 18 (+4) INT 24 (+7) SAB 16 (+3) CAR 14 (+2)

Resistência 10, Fortitude 9, Reflexo12, Vontade 6

Ataque 12 - Dano +7 [desarmado] , Defesa 15, Esquiva 7, Iniciativa 6.
Movimento 9m. - Tamanho: normal.

PERÍCIAS: Acrobacia (des) +11, Arte da fuga (des) +8, Blefar (car) +10, Computadores (int) +15, Conhecimento - Genética (int) +12, Conhecimento - Arcano (int) +8, Conhecimento - Arte (int) +10, Conhecimento - Ciências biológicas (int) +13, Conhecimento - Ciências físicas (int) +13, Conhecimento - Ciências da terra (int) +11, Conhecimento - Educação cívica (int) +9, Conhecimento - História: (int) +8, Conhecimento - Filosofia (int): +10, Conhecimento - Tática (int) +8, Conhecimento - Tecnologia (int) +12, Conhecimento - Tecnologia alienígena (int) +8, Desarmar dispositivo (int) +10, Diplomacia (car) +9, Escalar (des) +10, Furtividade (des) +8, Idiomas +10 [sete principais línguas do mundo, latim, grego e shiar], Intuir intenção (sab) +6, Medicina (sab) +10, Notar (sab) +6, Ofício - Eletrônica (int) +11, Ofício - Engenharia (int) +8, Ofício - Química (int) +9, Performance (car) [oratória] +6, Pilotar (des) +7, Procurar (int) +8, Profissão - geniticista (sab) +10, Sobrevivência (sab) +6.

FEITOS: Ambidestria, Ação em movimento, Agarrar aprimorado, Ataque furtivo 2, Avaliação, Contatos, De pé, Esquiva fabulosa 2, Evasão 2, Ferramentas improvisadas, Foco em ataque 3 [corpo-a-corpo], Interpor-se, Inventor, Memória eidética, Plano genial, Trabalho em equipe 3.

PODERES: Salto 1, Fortalecer [destreza] 5, Compreender [idioma] 2, Golpe [pujnate] 3, Super-movimento 1 [balançar-se].

Pontos: 150
53 (habilidades) + 20 (salvamentos) + 12 (defesa) + 31 (perícias) + 23 (feitos) + 12 (poderes).

Diário de um Escudeiro - 12

Décimo nono dia de Cyd de 1392.

O dia começou cedo para mim hoje. Não estava disposto a perder um momento que fosse. Comi os pães que guardara de ontem e sai para conhecer a cidade.

Levei meus tibares – um de prata e onze de cobre - que havia trazido comigo desde que saí de casa. Era quase uma fortuna. Uma das moedas de cobre eu havia economizado por quase dois anos. As outras eu recebi de minha mãe e de outros familiares que estavam com medo de que eu precisasse. A moeda de prata foi presente de meu avô.

Corri para a praça central para não perder tempo. Quando temos mais calma conseguimos perceber melhor pequenos detalhes que nos escapam à primeira vista. Ao mesmo tempo que está cidade é um grande centro comercial fronteiriço, também possuía um enorme número de pessoas à margem de sua riqueza.
Por entre o mar de pessoas que iam chegando àquela feira, circulavam um considerável número de velhos e crianças pedintes, sujos e maltrapilhos.

Muitos guardas também circulavam – a pé ou à cavalo – tentando localizar velhacos aproveitadores e de mãos leves. Não foi incomum ver algumas perseguições por entre as barracas criando muito alarido.

Ao meu tempo fui vasculhando barraca por barraca para tentar encontrar algo que me agradasse. Posso não ser muito experiente, mas conseguia perceber que muitos dos vendedores estavam muito mais interessados em vender gato por lebre do que qualquer outra coisa. Os conselhos de meu avô foram bem úteis. Ele sempre me dizia “- Nunca se esqueça disso. Existem três pessoas em que não podemos confiar: um seguidor de Sszzaas, se é que ainda existe algum por aí; um sacerdote de Hyninn; e um mercador”. Então cuidei muito para não ser passado para trás.

Em seguida encontrei a barraca de um anão muito sorridente e alegre. Ele vendia armas de corte de todos os tipos. Haviam espadas e adagas penduradas por todos os lados. O anão vestia uma túnica marrom pesada de veludo e tinham as bochechas muito vermelhas. Mesmo naquela hora da manhã ele já tinha um enorme caneco de vinho em sua mão e uma grande garrafa já quase vazia sobre o balcão. Depois de me perguntar o que fazia da vida e de eu lhe contar que era um escudeiro ele me disse que tinha algo especial para mim. Ele vasculhou um baú, no fundo de sua barraca, por algum tempo até soltar um urro de vitória – “- Ahá.... sabia que estava escondido em algum lugar!!!” – e levantando um objeto que estava enrolado em um pedaço de pano velho.
“- Meu jovem é disto que precisa...” – dizia enquanto desenrolava o objeto – “pode parecer simples mas só precisa de uma bela polida e amolada que estará como nova”.

Era uma adaga que mesmo envelhecida ainda trazia uma beleza que mostrava que já fora um artefato nobre. Tinha pelo menos vinte e cinco centímetros de uma lâmina não muito larga. Por toda a extensão dos dois lados do metal tinha desenhado, em relevo, um ramo que seguia de ponta à ponta representando uma trepadeira. O cabo era de madeira de cor negra. Se é possível dizer isto obre um objeto, foi amor à primeira vista. Ela tinha, ainda, uma bainha de couro marrom que adaptava-se perfeitamente na cintura ou no ante-braço.

Segundo o anão era uma pechincha - apenas oito tibares de cobre. Não pensei no valor e comprei minha primeira adaga. Sei que pode parecer um absurdo pelo preço, mas era a primeira coisa que eu realmente comprei para mim e isto me deixou muito feliz.

Depois disso, até a metade do dia, eu comprei todos os itens da lista de Sir Constant e levei para o Casarão para guarda-los e almoçar. Logo depois de arrumar tudo retornei para o centro da cidade.

Meu alvo agora era saber se havia algum templo de Khalmyr por aqui para visitar. E depois de meia tarde procurando me foi indicado. Era um prédio de arquitetura limpa e austera. Um cadete postava-se à frente do portão controlando quem entrava e saia do templo. Quando me aproximei o medalhão começou a queimar no peito. Desde aquele dia, em Palthar, ele não havia mais dado sinal de vida.

O templo estava quase vazio. Passei alguns momentos orando, como meu avô sempre me ensinara, e saí como que com a alma renovada.Vovô sempre dizia que quando saia de um templo de Khalmyr sentia-se como depois de um belo banho quente. Agora eu sei o que ele queria dizer.

Quando cheguei à rua novamente me deparei com o mesmo cavaleiro de Khalmyr que encontrara ontem na estrada. Ele estava sentado em uns tocos de madeira como um banco improvisado. Me senti constrangido pelo ocorrido ontem. Ele estava conversando com um outro cavaleiro. Sua aparência ainda era mais desgastada. Fiquei no meio da rua sem saber o que fazer e torcendo para que ele não me reconhecesse.

De repente, no meio do vai-e-vem da rua, fui abalroado e derrubado no chão por alguém. Quando dei por mim estava estatelado no chão com uma jovem com não mais de 12 anos sobre mim. Ela foi levantada bruscamente por dois guardas com adagas em mãos.

“- Sua ladrazinha safada....!” – disse um dos guardas.

“- Verás o que fazemos com criaturas da tua laia!” – disse o outro.

A menina era muito magra e estava suja. No chão, aos seus pés, o motivo da correria – um pão de tamanho considerável. Ela estava gritantemente envergonhada e com a cabeça baixa como quem sabe o que esperar.
Um dos guardas levantou a mão para dar-lhe um tapa. Não sei porque fiz isso, mas foi instintivo - “- Pare!!!” – gritei.

Tinha de pensar rápido naquele momento. Improvisei: “- Onde você estava maninha! Não disse para você não ir às compras sem levar o dinheiro!?”

Os guardas me olhavam numa mescla de incredulidade e nojo. Ela me olhava sem entender nada.

“- Me desculpem senhores. Ela não me esperou e como ela queria garantir um bom pão para nós veio correndo buscar o dinheiro. Perdoem este incômodo. Creio que dois tibares pagam o pão e o incômodo!?”

Meti a mão no bolso e peguei as duas moedas, estendendo-as para um dos guardas. Eu sabia que era muito mais do que valia o pão. E eles também sabiam.

“- Cuide para que ela não repita isso ou da próxima vez não daremos outra chance.”

“- Muito obrigado senhor.... vamos irmã, nossa mãe espera pelo dejejum” – e abracei ela carinhosamente pelos ombros e me virei para sair com ela.

“- Um instante rapaz” – disse o outro guarda.

Quando me virei para saber do que se tratava recebi, inesperadamente, um tabefe no meu rosto me jogando pelo menos um metro longe deixando sentado no chão. Eles se viraram e saíram rindo.

Eu sentia meu rosto queimando, mas permaneci no chão para recobrar-me melhor. A menina se abaixou e me deu o beijo no rosto, onde havia sido agredido.

“- Que Marah te abençoe e que todos os seus desejos se realizem!” – ela tirou um pedaço do pão e me deu mas recusei.

“- Leve e procure outra forma de se alimentar. Tome. Essa moeda deve dar para comprar mais alguma coisa para os próximos dias” – estendi-lhe a mão com outra moeda.

Os olhos da menina se encheram de lágrimas. Ela pegou. Me deu outro beijo e saiu correndo. Permaneci sentado no meio da rua.

Quando pensei em me levantar havia um mão estendida para mim – “Quer ajuda rapaz?” – disse o cavaleiro que deve ter assistido a tudo. Ele me olhava sério bem fundo nos olhos.

“- Obrigado” – disse.

“- Por que ajudou uma ladra?”

“- É uma questão de ponto de vista. Para os guardas era uma ladra. Para mim era uma criança desesperada com fome e eles eram pessoas sedentas por um pouco de uma diversão macabra.”

“- Mas ela roubou o pão.”

“- Ela não roubou. Eu paguei o pão!” – eu já estava ficando irritado. Ele falava de forma calma, mas incisiva, sempre me mirando os olhos.

“- Interessante. Não estava ontem ao lado daquele “amável” cavaleiro na estrada?

“- Sim... sou o escudeiro de Sir Constant, um Cavaleiro de Khalmyr.”

“- Curioso” – disse ele virando-se e parando dois passos longe de mim, de costas e disse – “muitas vezes os papéis estão trocados, e mais tem a ensinar o aprendiz do que o senhor. Ainda nos encontraremos.”

Ele voltou a sentar-se onde estava antes e continuou conversando como se nada tivesse acontecido.

Voltei para o casarão e resolvi passar o resto da noite no meu aposento repassando o dia e preparando para reiniciar a viajem amanhã.

Escrevi muito mais do que esperava hoje, mas o dia foi cheio de coisas para contar e acho que todas elas darão muitas histórias no futuro.