História dos RPGs de
Super-heróis
- Parte 1 -
Tempos atrás eu me perguntei
quantos RPGs de super-heróis já haviam sido lançados ao longo dessas décadas e
mais décadas de RPG. Ora, super-heróis fazem parte da cultura pop à muito mais
tempo que os RPGs existem (no formato que possuem nos últimos tempos) e seria
natural que servissem de inspiração. Comecei a pesquisar despretensiosamente
aqui e ali e entre muitos artigos esparsos me deparei com algumas coisas
interessantes em vários idiomas e uma maravilha lista organizada por Lowell
Francis do extinto site Age of Ravens ma surgiu. Ele criou uma quase completa
(pois termina em 2011) listagem de tudo o que havia sido produzido no que tange
à RPGs centrados em super-heróis.
Quase caí da cadeira e
simplesmente percebei que tinha que trazer isso para o público brasileiro.
Sabemos que o acesso ao idioma inglês é restrito e que mesmo com tradutores
online ou de navegadores muitos acabam não aproveitando essas coisas me vi
instigado a trazê-la. Esse material não poderia se perder. Então usei a lista
como base, repesquisei todos os itens, refiz (ou completei) os textos e
acrescentei o que faltava.
O primeiro alerta a ser feito é
quanto ao conceito de super-herói. Isso pode ser amplo e controverso. Da mesma
forma que personagens no melhor estilo noir e pulp são considerados
super-heróis com suas engenhocas ou perícias extraordinárias, também o são
elementos de alta tecnologia e ficção científica no melhor estilo Homem de
Ferro. Correndo por fora temos elementos como terror e cultura japonesa. Entre
esses dois pólos temos tudo aquilo que vemos usualmente como super-heróis de
capa e colant. O certo é que super-herói pode ser encaixado em um conceito centrado
em feitos incríveis. Esses feitos
podem vir de poderes mutantes, poderes divinos, poderes de fonte tecnológica e
tudo mais quanto justificar sua vantagem fora do comum.
O segundo alerta é de que em
muitas situações eu apresentarei edições novas como se fosse um novo elemento
na lista. Em muitos momentos novas edições possuem tantas modificações ou
correções que acabam por ser um ente em si. Não pensem que apenas quero
engordar a lista, mas desejo sim ser específico.
O terceiro alerta é que a estou
dividindo as publicações em grupos de 50. É extenso? Sim. Mas não quero tornar
isso um infindável conjunto de postagens ao longo do ano. Enquanto estou postando essa primeira parte ainda estou escrevendo a parte 3 e é possível que cheguemos à um total de 4 postagens.
Trago a lista organizada de
forma cronológica. Espero que gostem e aproveitem.
1. Superhero
2044 (1977)
Se existe um pai dos RPGs de
super-heróis podemos dizer que é este pequeno livreto de 32 páginas e criação
de Donald Saxman. O cenário do jogo se passa em 2044, após um holocausto
global, na ilha de Inguria (na costa leste americana). Em princípio não há um
sistema de jogo aqui, apesar de você inventar e jogar super-heróis, você não
tem regras para superpoderes. Você define um arquétipo (entre os três
disponíveis) e distribui 140 pontos às características (vigor, resistência,
carisma, vitalidade, mentalismo, ego e destreza). Conforme o valor da
característica e o arquétipo você recebe algum bônus. Embora não pretenda me
deitar sobre cada uma das mecânicas de cada um dos sistemas que apresentarei
aqui, acho importante esse pequeno exemplo para vermos como muito do que temos
hoje é relacionando diretamente com algo de quase 50 anos atrás. Sendo um
proto-sistema de RPG ele tinha algo bem inovador e que não por menos serviu de
base para muito do que temos hoje. Ele recebeu uma segunda edição e 1978, agora
com 50 páginas e capa colorida (um luxo para época) sua segunda edição veio com
algo bem inovador para a época – um sistema de regras para jogar um jogo
solo. Incluiu uma planilha de planejamento de tempo, regras para
patrulhamento, tabela de crimes aleatórios e detalhes para lidar com
litígios.






























