quarta-feira, 18 de março de 2015

Mais spoilers de Iniciativa Vingadores, para Battle Scenes

Mais spoilers de Iniciativa Vingadores

Mais três spoilers da nova coleção de Battle Scenes, Iniciativa Vingadores.

 

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores: Sentinela [Sentry - Marvel]

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores
SENTINELA – [Robert Reynolds/Sentry]
[Marvel]


NÍVEL DE PODER 15

HABILIDADES
FOR 50/10 (+20/+0) DES 12 (+1) CON 30/10 (+10/+0) INT 18 (+4) SAB 14 (+2) CAR 12 (+1) 

SALVAMENTO
Resistência +26*/+0; Fortitude +12/+2; Reflexo +2; Vontade +6.
[*transformado]

CAPACIDADE DE CARGA
250t (leve), 500t (média), 800t (pesada), 1600t (máxima), 4000t (empurrar/arrastar)

COMBATE
Ataque +6; Dano 0 [desarmado], +20 [desarmado/transformado], +12 [raio/explosão]; Defesa +6; Esquiva +3; Iniciativa +1.

PERÍCIAS
Computadores +10, Concentração +12, Conhecimento [Ciências Físicas] +12, Conhecimento [Tecnologia] +10, Notar +8.

FEITOS
Avaliação, Inspirar, Interpor-se, Presença aterradora, Sem medo.

PODERES
Habilidade ampliada/Força 40
Habilidade ampliada/Constituição 20
Super-força 6
Proteção 10
Rapidez 10 [Feito: Ação em movimento]
Vôo 12
Viagem espacial 3
Super-sentidos 10 [Visão rápida, radial e distante; Audição distante e radial; Infravisão; Ultravisão, Visão microscópica/nível atômico]
Imunidade 19 [Suporte Vital, Impacto]
Controle de Luz 12 [PAD: Pasmar 10 (Aura cegante - sentidos visuais – Extra: Área/Explosão, Alcance: Percepção)]
Raio 12 (Extra: Explosão)
Regeneração 18 [Machucado 3, Ferido 4, Desabilitado 5, Ressurreição 6 – Extra: Ressurreição/Afeta apenas outros +0 – Falha: Incontrolável]
Imortalidade 4

DESVANTAGEM
Identidade Normal [Incomum/Maior]
Perda de Poder [Efeitos mentais – Comum/Maior]
Fraqueza [Radiação da Zona Negativa – Incomum/Moderada]

Pontos: 297
16 (habilidades) + 7 (salvamento) + 24 (combate) + 9 (perícia) + 5 (feitos) + 248 (poderes) – 12 (desvantagens)

Sentinela simplesmente partindo Ares ao meio!

Dungeons (e mapas) para suas aventuras - 27


Saldando atrasos
- Duas cidades, uma caverna e uma taverna -

Estava devendo mapas para vocês, já que acabei falhando na postagem de sexta-feira e atrasei a de ontem. Por isso farei uma postagem dobrada hoje com quatro mapas, do menor para o maior, trago dois mapas de cidades, um de uma dungeon menor e o de uma taverna. Por que posto esses mapas de cidades? Normalmente eles são os mais complicados e trabalhosos de serem feitos. Além disso, um mapa de cidade pode servir para várias aventuras diferentes ou mesmo para vários pontos de uma mesma campanha. Quanto mais mapas de cidades tiverem mais oportunidades e variações para seus jogos vocês terão.

Os dois mapas de cidades que trago hoje são semelhantes em seu tamanho e disposição, possibilitando serem coringas nas mãos dos mestres. Elas têm um tamanho básico que possibilita colocar algumas quests secundárias além de poderem abrigar todo o tipo de comércio e possibilidades – armeiros, boticários, escolas, templos etc. Tomei o cuidado para postar hoje mapas numerados para que o trabalho fique ainda mais fácil para o mestre.



Nosso terceiro mapa é uma caverna básica de adoradores de uma estátua de dragão. Mapa muito promissor com um ambiente enorme central e algumas salas laterais. Ótima para ser o ponto final de uma quest de nível médio/baixo com um boss não muito poderoso.


Nosso quarto mapa é de uma taverna. Esses mapas de ambientes menores – tavernas, casas, mansões, galpões, lojas – são bons pois, da mesma forma que os mapas de cidades, servem como coringas já que podem ser achados em todo o tipo de cidade. Duas coisas me fizeram escolher este mapa. A primeira coisa foi seu visual irregular e muito bonito. A segunda foi a estratégica saída secundária que as janelas do último andar possibilitam.


[Abram as imagens em uma nova aba para vê-las com tamanho maior]

Cinema na Confraria: Primeiro trailer de Pixels


Cinema na Confraria
Primeiro trailer de Pixels [legendado]

O que dizer do trailer de Pixels? Sensacional! Este é o típico filme para se assistir por pura diversão e satisfação nerd. Aparentemente ele será uma mescla de ação e saudosismos surreal. Adorei. No elenco teremos Adan Sandler (“Clic”), Sean Bean (“Game of Thrones”), Peter Dinklage (“Game of Thrones”) entre muitos outros.  A estréia será em 24 de julho.

terça-feira, 17 de março de 2015

A capa da discórdia - Coringa 75 anos

A capa da discórdia
- Coringa 75 anos -

Fui surpreendido ontem com a notícia de que o desenhista brasileiro Rafael Albuquerque tinha solicitado que sua capa variante sobre o Coringa, uma homenagem aos 75 anos do personagem que seria publicada na edição Batgirl #41, de junho, não fosse publicada.

Seu pedido veio de forma oficial depois que muitos leitores haviam se sentido ofendidos com sua arte e uma suposta apologia à violência à mulher. A capa em questão é, segundo o próprio artista, um a homenagem à antológica graphic novel “A Piada Morta”, de Alan Moore, que completa 25 anos de seu lançamento. Nesta história o Coringa atinge Bárbara Gordon com um tiro deixando-a paralítica, além de muitas outras atrocidades. Foi uma das melhores coisas que li e apreciei na minha longa história dos quadrinhos.


Seu desenho coloca o Coringa e Batgirl, lado a lado, com ele desenhando um sorriso mórbido em seu rosto ao mesmo tempo que ela apresenta um semblante assustado e constrangido. Rapidamente analogias à violência sexual e opressão feminina foram realizados, gerando um grande movimento de críticas ao artista e à editora.

O desenhista publicou um pedido para sua arte não fosse incluída na publicação e a DC Comics aceitou seu pedido. Leia as duas mensagens abaixo.

Carta de Rafael Albuquerque:

"Minha arte da capa variante da Batgirl foi concebido para homenagear uma história em quadrinhos que eu realmente admiro, e eu sei que é uma das mais favoritas de muitos leitores. "A Piada Mortal" é parte do cânone de Batgirl e artisticamente, eu não poderia evitar de retratar a situação traumática entre Barbara Gordon e Coringa.

Para mim, era apenas um "disfarce assustador" que trouxe algo do passado da personagem que eu interpretei artisticamente. Mas tornou-se claro que, para outros, ela tocou em um nervo exposto. Eu respeito essas opiniões sejam elas certas ou erradas, pois geraram uma discussão que não deve ser desacreditada.

Minha intenção nunca foi ferir ou incomodar ninguém pela minha arte. Por essa razão, recomendei a DC que a capa variante fosse retirada. Estou muito satisfeito que a DC Comics entendeu as minhas preocupações e não vai publicar a arte da capa em junho, como anunciado anteriormente.

Com todo o respeito,

Rafa"

Comunicado da DC:

"Nós publicamos revistas dos maiores heróis do mundo, e os vilões mais malvados que se possa imaginar. As capas variantes do mês de Junho são um reconhecimento ao 75º aniversário do Coringa.

Independentemente se fãs acharem que fosse incompatível falar sobre temas como ameaças de violência e assédio na fase atual da Batgirl, entendemos que fora uma homenagem de Rafael Albuquerque ao Alan Moore, pela graphic novel A Piada Mortal, uma obra de 25 anos atrás.. 

Vamos honrar o talento criativo, e por solicitação do Rafael, a DC Comics não vai publicar a capa variante da Batgirl."

DC Entertainment

O que eu entendo sobre isso.

Temos tido muita movimentação nos últimos tempos principalmente nos debates sobre machismo e sexismo dentro das comunidades nerds. Debate e tema necessários e totalmente apoiado. Ao mesmo tempo temos que sempre levar tais debates com cuidado e racionalidade. Por si só tanto machismo quanto sexismo são irracionais e reprováveis. Mas também temos que ter em conta que análises devem ser feitas de forma cuidadosa.

Uma coisa é a apologia, o incentivo e o apoio à um conceito e ideia. Fotos e comentários como os apresentados em grupos de RPG pelo Facebook são o claro exemplo disso. Eles fazem alusão à uma postura frente ao gênero feminino que deprecia a igualdade e os coloca como submisso ou abaixo. Outra coisa é a criação sem a intenção por detrás. Pode parecer paradoxal ou estranho, mas a intenção faz todo o sentido e dá toda a conotação.

No caso da capa do Rafael Albuquerquer ele apresentou sim uma imagem pesada e assustadora, mas não na forma de apologia. Com sua imagem ele não incentivou, apoiou ou qualquer coisa do gênero. Ele apresentou um vilão cometendo um crime. Já pelo fato de ser um reconhecido, e quase centenário, vilão por si só já é uma demonstração de postura. Caso ele tivesse feito a mesma capa com um herói a interpretação seria muito diferente e com certeza desaprovada por todos. Mas usar um vilão é demonstrar seu repúdio e que devemos continuar à odiá-lo.

A liberdade de expressão, que muito falam e colocam-se de um lado ou de outro, convenientemente conforme o caso, está intimamente ligado à intenção que desejamos passar. George Martin não fez apologia ao machismo colocando em sua mais celebre obra as mulheres com uma medieval postura submissa. Ele apenas representou uma época em que isso acontecia. Criar filmes ou literatura sobre nazismo, seriais killers, machistas ou racismos não significa que estamos fazendo apologia ou apoiando tais práticas, desde que nossa intenção e produção seja para um fim de representação ou crítica. O Rafael fez uma simples alusão ao procedimento de um sanguinário vilão em forma de uma homenagem à um reconhecido artista e sua aclamada obra. Sei que temos muita gente louca para ver nesta explicação um simples motivo para criticar o uso de dois pesos e duas medidas, mas é muito diferente. É simplesmente o uso da razão e o respeito ao outro em primeiro lugar.

Os motivos que levaram às reclamações, agora por um viés mercadológico, são fáceis de entender. Há algum tempo que a personagem Batgirl vem atraindo um público feminino e teen. Em uma primeira impressão a capa tornou-se muito ofensiva para elas. A posição da DC de rapidamente concordar com o pedido do desenhista e retirar sua arte também é entendido pelo mesmo motivo. O mercado editorial de quadrinhos de heróis (Marvel e DC principalmente) à décadas que tenta atrair o público feminino e eles não iriam perder sua maior ligação com esse público.

Quanto ao fato do Rafael ter pedido para sua arte não ser publicada não significa que ele reconhece as acusações que recebeu, mas simplesmente que ele teve uma posição respeitosa (aos ofendidos) e profissional, vendo sua carreira como alguém equilibrado e não como um motivo para cabo de guerra. Em resumo, concordei plenamente com sua atitude e pedido. Infelizmente ele tentou fazer uma homenagem, mas não percebeu que isso seria tão ofensivo para alguns, tornando a homenagem imprópria.

Acho que o caso se desenrolou de forma simples e respeitosa para todos os lados.

Abaixo as todas as capas que serão publicadas:














Seriados na Confraria: Novo teaser de Penny Dreadful


Seriados na Confraria
Novo teaser de Penny Dreadful

Um novo teaser de Penny Dreadful foi apresentado hoje com a temática ‘demônios’. A estréia da segunda temporada será em 3 de maio próximo, pelo canal Showtime nos Estados Unidos (HBO no Brasil).

segunda-feira, 16 de março de 2015

Quadrinhos na Confraria: iZombie lançado no Brasil


Quadrinhos na Confraria
HQ iZombie no Brasil

Querendo uma boa dica de quadrinho para adquirir e ler? A Panini está lançando este mês, aproveitando a estréia do seriado, “iZombie”, do selo Vertigo/DC Comics. Criação de Chris Roberson e Michael Allred ela conta a história de Gwen Dylan, uma zumbi que trabalha como médica legista na cidade deEugene, no estado do Oregon. Com esse trabalho ela tem para ter acesso á cérebros frescos sem ter de matar ninguém. Enquanto ela comer ao menos um cérebro fresco por mês ela não se torna um verdadeiro monstro. Foram lançadas 28 edições entre 2010 e 2012 com uma ótima aceitação pelo público e pela crítica, sendo indicada ao Eisner Awards de Melhor série. As histórias são cheias de outros monstros também, como fantasmas, vampiros e lobisomens, além de muita investigação criminal!

O primeiro volume dos encadernados de iZombie será lançado com 148 páginas, com capa cartão e papel LWC com um valor de R$ 21,90. Ainda não sabemos exatamente quantos encadernados serão, mas este primeiro número terá 5 edições dentro.


Mais spoilers de Pathfinder Battles

Mais spoilers de Pathfinder Battles

Mais algumas peças do Pathfinder Battles foram apresentadas, preparando uma bela amostragem que acontecerá no Gama Trade Show da próxima semana. São quatro miniaturas muito bonitas, mas a mais chamativa é a do Gargantuan Red Dragon. Temos ainda o Deinonichus (Pathfinder RPG Bestiary, p. 84), um morcego pequeno (com base transparente para parecer que está voando) e um Gnoll Leader (uma figura rara/média na coleção).





domingo, 15 de março de 2015

Cinema na Confraria: teaser de Pixels


Cinema na Confraria
Teaser de Pixels

Um pequeno teaser foi apresentado agora à pouco no twitter oficial do filme Pixels... Em breve teremos um trailer! No elenco da comédia teremos Adan Sandler ("Gente Grande"), Peter Dinklage ("Game of Thrones"), Sean Bean ("Senhor dos Anéis") e Kevin James ("Segurança de Shopping"). A estréia será em 30 de julho deste ano.


Battle Scenes, mais spoilers de Iniciativa Vingadores

Iniciativa Vingadores, mais spoilers

Mais spoilers da nova coleção de Battle Scenes, Iniciativa Vingadores, que chega às lojas no final do mês.

 


Por mares nunca antes navegados - Parte 1 - Capítulos VI e VII


Parte 1 - Um Longo Prelúdio -

João Eugênio C. Brasil


VI. Surpresas sem limite


Aquilo era incrível aos olhos de Slocun e de seus acompanhantes. À frente deles, desvencilhando-se dos pesados trajes, surgia algo sem sinônimos. O capitão Tyllon, ao tirar o capuz pesado de lã marrom, surgiu como um descomunal lobo. Pelo menos à cabeça era pertencente à uma fera. Os pêlos marrons escuros de sua cabeça geravam um contraste com seus olhos de um azul vivo. Possuía membros e dorso humanos, assim como mãos. Mas tudo era coberto por uma pelagem amarronzada sutil.
O espanto não foi de forma alguma sutil, sendo percebido de imediato por todos os integrantes do outro bote.
- Já vi esta expressão, mas somente nas mulheres das tavernas, frente a minha beleza – disse Tyllon brincando, sem a noção do que se passava na cabeça dos outros três.
- Mas...não estou entendendo. Quem é você? Ou melhor, o que é você? – Slocun não era dado a surpreender-se à ponto de ficar sem ação. Mas aquela era uma situação ímpar.
- Eu é que não entendo. Conhece-me, por ventura? Já lhe fiz algo? Possui alguma desavença com algum membro que compartilhe de minha herança? – o desconforto com as caretas involuntárias de surpresa já estavam começando a incomodar Gares.
- Isso explica as marcas – disse baixo e calmamente Syan, que acompanhava Slocun, no bote, que sempre considerava aconselhável levar uma pessoa conhecedora das artes mágicas, divinas ou arcanas em situações como esta.
- Acho que tudo seria melhor compreendido se pudermos lamber os beiços com um bom rum – esbravejou Gares
- De acordo, mas onde – era o falso capitão, já assumindo sua posição devida -Não temos aqui um local neutro suficiente para uma boa bebedeira.
- Capitão Slocun – interrompeu Syan - não sei se concordará comigo, mas considero que não há perigo. Nem magicamente percebo qualquer hostilidade. Acho que poderíamos adentrar ao navio de nosso recém conhecido. Com mais alguns homens, é claro – continuava com um sorriso singelo – e com toda a certeza o senhor Gares poderia colocar alguns homens seus em nossa embarcação. Isso seria bem justo.
- Isso parece bem divertido e justo – respondeu com um amplo sorriso o capitão Gares – se nosso estupefato capitão não recusar. E por falar nisso, estamos com uma boa safra de rum e vinho que conseguimos de um desonesto colega.
- Desculpe-me a surpresa. Também considero não haver nenhum problema. Que seja. Voltaremos ao nosso navio e retornaremos ao entardecer – e Slocun deu ordens para retornarem ao Gaivota.

o  O  o

Era uma noite de festa naquele canto afastado do oceano. Haviam mesas improvisadas em cada navio, repletas de toda a natureza de comida e bebida. Muita alegria, música, diversão e rum, muito rum. Era simplesmente inacreditável como isto acontecia apenas algumas horas após uma inundação de perplexidade.
O novo sempre foi visto com ressalva e desconfiança. Ainda mais quando se está no meio do nada e lidando com piratas. Mas também temos de concordar que é difícil encontrar seres mais carismáticos do que os que tiram seu sustento da pilhagem naval.
O primeiro contato, quando as tripulações se misturaram, beirou o surreal. Para a tripulação do Gaivota Prateada era simplesmente impensável o que estava acontecendo. Do Alcatéia – este era o nome do Clipper de Gares – saíram muitos humanos, mas também saíram muitos outros seres “estranhos”, aos olhos dos artonianos. A variedade era grande. Alguns com marcas sutis tais como olhos com o riscado típico dos felinos, outros com cabelos de cores estranhas ou ainda pelos por todo o corpo. Mas outros tinham marcas bem mais gritantes. Caudas, garras, a cabeça animalesca de um touro – um pouco diferente dos naturais de Tapista – e de muitos outros animais, pelagens como de hienas ou até penas e olhos de coruja. Em suas mentes os sonhos haviam ganho forma e circulavam pelo convés do Gaivota Prateada.
Do outro lado a reação era um pouco distinta. A perplexidade dos marujos do Alcatéia residia no fato de não compreenderem o porque das reações frente as suas aparências e em desconhecerem a origem dos tripulantes do navio de Slocun.
Mas nada que uma boa noitada de rum com música não apaziguasse.
Enquanto isso, na cabine do Alcatéia, um encontro um pouco mais reservado era realizado. Não havia menos comida, rum ou música por lá, mas os ânimos estavam bem mais controlados.
- Estou verdadeiramente confuso – resmungava Slocun balançando a cabeça como se desejasse que alguém lhe explicasse o que se passava – como assim nunca ouviu falar de Bielefeld ou do Reinado. Em que mundo tem vivido, meu caro?
- É como lhe disse, nada do que me falas é reconhecido por mim.
- E a sua aparência também não me faz referência alguma. Nunca vi nada tão ímpar quanto sua tripulação.
- É verdade capitão Gares – disse Syan entrando na conversa – nem em meus estudos, nas academias do conhecimento de Tanna-toh, tomei conhecimento sobre essas raças.
- Bom não sei o que é esse tal de Tana-alguma-coisa, mas acho que ele deveria se atualizar.
Syan e Slocun se entreolharam. A perplexidade só crescia. O clérigo ficara de boca aberta com os comentários de Gares. E ao que tudo indicava ele não fazia idéia do que falavam. Mesmo os piratas de Arton tinham profundo respeito com as divindades de lá.
- Realmente não sabes do que falamos – comentou em tom baixo o capitão do Gaivota tomando ciência de que o desconhecimento de Gares era sincero.
- Creio que está acontecendo algo incomum aqui – retorquiu Gares – senhor Suni, tragam-nos as cartas desta região e das costas de Laughton e Luncaster. Assim poderemos pelos menos localizar a origem destes senhores.
O imediato saiu correndo para obedecer às ordens. Era uma figura pequena – um pouco mais de um metro e meio – com cabelos de um verde agressivo. Tão rápido quanto foi, retornou com um amontoado de rolos de papel de diversos tamanhos. Os depositou sobre a mesa que já se encontrava com pratos e canecas afastados.
Suni escolheu um deles em especial e o colocou por cima dos outros, bem aberto. Correu o dedo sobre ele declarando para Gares – Estamos aqui senhor. À duas semanas dos pequenos arquipélagos ao sul das Domeniques e a três semanas de Luncaster.
- De onde vocês são caros amigos? Mostre-nos.
Slocun, Tugar e Syan debruçaram-se por um longo tempo sobre as cartas tentando vislumbrar algum ponto de referência. Mas foi em vão. Slocun pediu para um de seus homens retornar ao Gaivota e trazer algumas de suas cartas de lá. A reação de Gares, ao ver os mapas náuticos de Slocun foi igual – não reconhecia nada.
- Meus amigos, nos somos de lugares muito mais afastados do que imaginávamos. Considero que melhores apresentações devem ser realizadas – o capitão do Alcatéia levantou-se e proferiu de forma solene - Meu nome é Gares Tyllon, capitão do Alcatéia, natural de Prendick, Reino de Laughton, Ilha Nobre de Moreania.
- Eu sou o Joshua Slocun, capitão do Gaivota Prateada, natural de Norm, Reino dos Cavaleiros da Ordem da Luz – Bielefeld - pertencente ao Reinado, em Arton, embora isso não queira dizer muito para mim....hahahahahahahah!.
E deixaram-se dominar pelos risos.
- Temos realmente muito que conversar, caro capitão – esticou a mão Slocun.
- E como temos – retribuiu a gentileza Gares.

o  O  o

Passaram-se três dias de muita festa naqueles dois navios que mais pareciam formar um oásis num deserto de água. Muita informação deveria e foi trocada pelas duas tripulações. Cartas náuticas foram copiadas, rotas marcadas e pontos interessantes assinalados.
Syan passou horas exaustivas junto da bela Pitush - seguidora do Indomável e da Deusa menor Sorinda. Trocaram informações sobre deuses, encantamentos e todo o conhecimento para eles interessante. Todos comentavam que a muito tempo não viam Syan tão feliz levando seus cadernos de anotações para todos os lados naqueles dois navios.
Gares e Slocun, depois desses dois dias, mais pareciam conhecerem-se à décadas. Trocaram aventuras, histórias e conquistas amorosas. Compartilharam sonhos e vinganças. Criaram um laço que duraria por muitos anos depois deste e dos próximos encontros.



VII. O último dia...


O terceiro dia nasceu abraçado ao lamento da despedida. Seria o fim daquele encontro inesperado que tornou-se uma imensa festa. Cada um, a sua maneira, realizava os preparativos definitivos para seguirem seu rumo.
Syan permanecia em um torpor acordado de dar pena aos seus colegas. Não admitia a si mesmo deixar uma informação que fosse para trás à respeito do novo mundo de Moreania. Queria guardar cada detalhe que fosse para eternizá-lo em seus pergaminhos e livros posteriormente. Ele já estava acostumado a ser procurado por todos os seus colegas marujos para responder a toda a natureza de dúvidas. Por isso, e pela sua natureza inata de querer saber sempre mais e mais, estava atrás de toda a informação possível.
Tugar também estava fora de seu estado normal. Era comentado por todos no Gaivota que nunca o viram tão calmo e despreocupado. Seu rosto sereno era uma visão surpreendente. Tugar tivera reuniões longas com o mestre do Alcatéia, Brunian, sobre as peculiaridades da navegação em águas desconhecidas por eles.
- O que pretende fazer, caro capitão, agora que descobriu o que existe ao norte de sua terra? – perguntou Gares soltando círculos de fumaça de seu alongado cachimbo.
- Estou verdadeiramente encantado. Acho que meu rumo será o norte, ainda. Há um mundo totalmente novo para ser descoberto. Ao menos para mim.
- Isso me alegre. A beleza do desconhecido. Não há sabor mais viciante. Esta terra é maravilhosa e verás isso com teus próprios olhos.
- Nunca encontrei realmente meu lugar. Quem sabe não estou à caminhos disto nesta nova terra. E tu, Garas? O que pretendes fazer agora que sabes da existência das terras do sul?
- Já estou cansado de pilhar sempre os mesmos imprestáveis. Necessito de imprestáveis novos. No sul poderemos nos divertir um pouco. Quem sabe não esbarro em algum amigo seu – disse o capitão lobo soltando uma risada por entre a fumaça.
- Então que assim seja. Vamos trocar de lares por uns tempos e nos aventurar no desconhecido – proclamou Slocun agarrando e levantando um caneco de rum em um brinde improvisado.
- Vamos escrever nossos nomes na história de dois continentes – acompanhou Garas levantando seu caneco.
E um aperto de mãos selou a alegria mutua e o início de grandes aventuras. Grandes laços foram criados pelos inúmeros membros de ambas as embarcações. Laços estes que, se as embarcações pertencessem ao mesmo lugar, nunca teriam se firmado.
As provisões do Alcatéia foram divididas com os membros do Gaivota. Brunian preparou o percurso inicial para os primeiros dias de viajem de Slocun. Tugar também fez o mesmo para Gares. Syan presenteou Pitush com alguns tomos e pergaminhos sobre assuntos variados relativos à Arton dizendo serem muito úteis para não se cometer certas gafes perigosas, em mar ou terra, nem desembarcar em terras do horror vermelho. Pelo menos no início teriam uma certa segurança. Algumas correspondências foram trocadas pelas tripulações para o caso de aportarem em certos portos de ambos continentes.
Duas horas depois um navio já não conseguia vislumbrar o outro no horizonte. A proa apontava para o desconhecido mútuo de duas almas visionárias. Nas gáveas olhos ávidos por novidades não se cansaram de aplicar-se em sua função. Em ambas embarcações transpirava a jovialidade, a determinação e a alegre beligerância dos homens que vivem da pilhagem no mar.
Nas amuradas de ambas as proas, como figuras espelhadas, capitães tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos se deixaram agredir pelo vento e pelo suave respingar frio das ondas singradas. Era como se estivessem empreendendo sua primeira aventura no mar. Como se não soubessem mais nada sobre o meio onde estavam navegando. Como se a cada momento, tudo o que respiravam e viam, fosse pela primeira vez sentido por eles. Um privilégio. Era esta a palavra que lhes veio à mente. Eram privilegiados por adentrarem, de peito aberto, no desconhecido.
Realizaram uma prece baixa à seus deuses. Não eram afeitos a isto, mas o momento os tomou de assalto. Era uma ladainha sussurrada pedindo proteção. Agradecendo. Mas, sobretudo, desejando nunca deixarem de sentir aquela doce sensação.
Tinham realmente certeza de serem privilegiados.

E isto era só o começo de grandes aventuras...


Fim do Prelúdio



sábado, 14 de março de 2015

Fantasia e Realidade: Feiticeiros

Feiticeiros: fantasia & realidade


Retomando a série de artigos da Sessão Fantasia & Realidade vamos abordar hoje os feiticeiros (sorcerer). Quando mencionamos esse termo a primeira noção que todos têm é confusa. Normalmente confundimos termos como feiticeiro, bruxo, mago ou mesmo xamã como se fossem sinônimos. Na verdade esta confusão é muito mais própria da língua portuguesa que os usa como sinônimos, mas vamos primeiramente diferenciá-los.

Em termos rápidos, já que abordaremos todos eles nas próximas postagens, há uma relação direta entre mago, bruxo e feiticeiro. Os magos são estudiosos que apartir de experimentos próprios, conhecimentos adquiridos, compreensão das forças da natureza e observação usam o poder da mente para criarem efeitos. Ser mago é visto quase como uma profissão. Já os bruxos têm seu poder obtido de grimórios escritos por sacerdotes de deuses ou magos antigos, normalmente não realizando experiências novas. Esses bruxos adoram seus deuses como forma de alcançar seus objetivos mágicos. Também é comentado em algumas obras de ocultismo que outra diferença básica entre esses dois tipos seria que enquanto os magos estudam a magia dos céus (os arcanos), os bruxos estudariam a magia da terra (os quatro elementos, os seres vivos e a natureza).

Mas então, o que seria um feiticeiro? Ao contrário dos magos, que devem seu poder ao estudo contínuo, os feiticeiros devem seu poder à uma condição inata. Eles já nascem com a capacidade de empregar sua própria energia na criação de efeitos. Muito embora o feiticeiro seja um trabalhador empírico, ele não possui uma base teórica, sendo muito mais intuitivo do que intelectual. Com esses efeitos ele é capaz de interferir no estado mental, físico, ‘astral’ ou na percepção que as pessoas têm de uma realidade. Indo mais à fundo, a feitiçaria é uma condição ou um gênero, podendo ele ser ou não um bruxo. Mas invariavelmente o feiticeiro é considerado como alguém honesto e que tenta usar seu poder para ajudar os outros.


O termo feitceiro, ou aquele que pratica feitiços, tem sua origem no latim facticius (“artificial”, “não-natural”) tendo seus primeiros usos remontando o século XV. Inicialmente seu uso era mais ligado à coisas postiças ou artificiais, como no caso do termo ‘chave feitiça’ (uma espécie de chave falsa) ou ‘briga feitiça’ (uma briga falsa). Logo depois ele adquiriu a conotação de ‘malefício’, não se sabe exatamente quando. Falando diretamente sobre a língua portuguesa, quando o idioma teve contato com as culturas do norte da África o termo transformou-se em ‘fetixu’. Por incrível que pareça os franceses tiveram contato com o termo através desses mesmos povos africanos, nos séculos XVIII-XIX e o absorveram como ‘fétiche’ que significava ‘objeto ao qual se atribui valor sobrenatural’. Na língua inglesa o significado é referenciado ao termo sorcery, que teria derivado do francês arcaico sorcerie, originado do latin medieval sortiarius (sortis = ‘aquele que influencia o destino e a fortuna’). Não é à toa que existem tantos significados que se confundem com palavras totalmente diferentes.

A feitiçaria seria a prática ou celebração de rituais, orações ou cultos com ou sem o uso de amuletos/talismãs com a intenção de resultados, favores que normalmente não são da vontade de terceiros. Pode estar relacionado com o culto das forças da natureza ou de antepassados e ligado (ou não) à invocações de espíritos, deuses, gênios ou demônios., além de ser utilizado para adivinhação.