sábado, 6 de junho de 2026

Pathinder 2e - Conhecendo os ícones: Usharak, icônico do Necromancer

 Pathinder 2e - Conhecendo os ícones
Usharak, icônico do Necromancer

 

Você nunca entende verdadeiramente a importância de algo até que o perca. Essa é a triste verdade que Usharak carrega.

Usharak nasceu em uma pequena vila às margens de um rio no Pântano de Graidmere, no nordeste de Ustalav. O pântano era um lugar estranho, banhado pelo silêncio de segredos. Mas a vila em seu interior sempre transmitiu segurança a Usharak, vigiada e protegida pela geração anterior. Gerações de iruxis cravaram em seus ossos um fragmento de suas almas para ajudar a proteger seu lar das ameaças constantes do pântano. Seus ossos, porém, só são capazes de manter esse poder por um tempo; o suficiente para proteger a próxima geração. O guardião dos ossos da vila garante que o ciclo de proteção continue.

Quando jovem, Usharak, um iruxi, frequentemente acompanhava seus amigos, Telek e Arakuru, em caçadas. Usharak mal conseguia acompanhá-los e muitas vezes se perguntava por que se davam ao trabalho de levá-lo junto. Os dois caçadores geralmente conseguiam trazer recompensas de volta para a vila, enquanto impediam Usharak de se meter em encrenca no pântano. No entanto, após a caçada, era Usharak quem os levava para a colina à noite, nos arredores do pântano. Eles contemplavam o céu enquanto adormeciam, revezando-se para tentar usar as estrelas para prever o futuro ou contar histórias de heróis do passado. Usharak sempre contava as melhores histórias. Elas lhe vinham como um sussurro ao ouvido.

Esses sussurros foram ficando mais altos à medida que ele crescia. Ele aprendeu que os sussurros não eram fruto de sua imaginação, mas sim seus ancestrais transmitindo seus triunfos e arrependimentos. Esse era o sinal de que ele fora chamado para ser o próximo guardião dos ossos. Uma vez que isso foi descoberto, ele não pôde mais participar das caçadas nem deixar o pântano para passar as noites no topo da colina. Ele foi enviado para ser o aprendiz do guardião dos ossos, Nishkim.

A vida como aprendiz de Nishkim era difícil para Usharak. A velha guardiã dos ossos passava os dias com os mortos e as noites em luto com a aldeia. A vida não era mais sobre alegrias simples e caçadas gratificantes, mas sim sobre o trabalho monótono de encapsular ossos em vidro para preservar suas magias ocultas. Dominar a necromancia necessária para proteger a aldeia significava exposição constante a tudo que apodrece e fede. As maravilhas da feitiçaria e os milagres da magia divina são suficientes para sustentar muitos enquanto aprendem magia, mas a arte da necromancia é aprendida através do estudo de cadáveres e da destruição de corpos. Para muitos que a estudam, a morte é o fascínio que os atrai, mas para Usharak, que odiava a ideia da morte, essa era a parte mais difícil.


Usharak resistia ao treinamento a cada passo, mas os sussurros se tornavam mais altos e tristes sempre que ele se rebelava, e ele sempre retornava ao trabalho com o rabo entre as pernas. Nishkim era durona, mas compreensiva. Ela sempre dava a Usharak tempo para se recompor e voltar por conta própria. A velha guardiã dos ossos sabia mais do que a maioria sobre o fardo e a importância dessa vocação, sabia que ela não podia ser ignorada ou negligenciada. Nishkim também sabia que um dia Usharak usaria seu crânio na cabeça e seria a primeira linha de defesa contra as estranhas forças do pântano. Mas o que ela não sabia era o quão perto esse dia chegaria.

Semanas depois de Usharak atingir a idade adulta, os seguidores normalmente solitários dos Cultos Antigos se organizaram o suficiente para lançar um ataque formidável à aldeia. Nishkim os repeliu, mas não antes de ser atingida por uma maldição cruel que lentamente consumia sua carne. Usharak logo se tornaria o guardião dos ossos de sua aldeia, mas ele não estava pronto. Ele ainda não havia encontrado em seu coração o amor por essa posição. Como ele poderia fazer isso pelo resto da vida?

No dia em que Nishkim morreu, Usharak fugiu. Fugiu da sua responsabilidade, das vozes, de si mesmo. Precisava de tempo para pensar. Correu para a colina onde costumava escapar quando criança. Deitou-se na relva enquanto o sol se punha e observava as estrelas passarem. Seu coração estava repleto de lembranças dos amigos, e as histórias das suas caçadas de infância enchiam sua mente.

Nem mesmo correr os traria de volta. Usharak resolveu retornar pela manhã. Talvez não recuperasse sua infância, mas ao menos poderia manter a aldeia segura para a próxima geração. Chorou até adormecer, lamentando a perda de seu antigo professor e os dias despreocupados que deixara para trás.

Usharak acordou tarde da noite, finalmente pronto para começar sua nova vida protegendo o que mais amava. Mas, ao se virar para encarar a aldeia, percebeu imediatamente que algo estava errado. Uma fumaça negra preenchia o pântano e só aumentava à medida que ele corria em direção a casa. Quando finalmente chegou, era tarde demais. Os cultistas haviam retornado à aldeia desprotegida para continuar o massacre. Ninguém foi poupado.

Algo em Usharak se quebrou naquele dia. A culpa era dele. Ele havia fugido de suas responsabilidades, e a aldeia pagou o preço final. Ele passou o que pareceu uma eternidade vasculhando as ruínas, coletando um osso de cada corpo e memorizando o nome de cada aldeão antes de sepultar cada um deles em um caixão de vidro. Por fim, ele chegou ao limite do que podia ser feito com as ruínas de seu antigo lar destruído.

Usharak agora vagueia, mas não sem rumo. Ele carrega um osso de cada membro de sua aldeia como um lembrete constante de sua responsabilidade e de suas falhas. Ele encontrará um jeito de trazê-los todos de volta, ou morrerá com sua aldeia ao seu redor.

Designer Joshua Birdsong

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