quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cinema

NOVIDADES DO DIA

300: Frank Miller disse ao jornal Los Angeles Times como será a continuação de 300, quadrinho e filme de sucesso. Com o nome de “Xerxes”, a história teria início dez anos os eventos mostrados em 300 mostrando inclusive a famosa batalha de Maratona, confronto entre gregos e persas.

Miller disse que a história deve ser mais focada nos embates da batalha e contemplará a infância de Xerxes: “Será minha visão sobre a Batalha de Maratona. Terminei o enredo e estou começando a trabalhar na arte”.

Com o roteiro terminado Frank Miller está iniciando a produção gráfica. O diretor Zack Snyder já declarou estar interessado em também adaptar para o cinema esta obra. O interesse é justificado depois que a sua produção de 300, que custou 67 milhões de dólares rendeu mais de 456 milhões.

HOBBIT: as especulações continuam. Em recente entrevista o ator Tobey Maguire (“Homem Aranha”) declarou que gostaria de trabalhar com o diretor Guilhermo Del Toro (“O Labirinto do Fauno” e futuro diretor de “O Hobbit”) e acrescentou: “Nós podemos ter algo num futuro bem próximo.” Isso foi mais do que suficiente para a imprensa e fãs iniciarem seus palpites. Sites como Latino Review garantem que a relamente Maguire está tratando já da possibilidade de estrelar a obra.

TOP 5 da Confraria em 2009

OS 5 MELHORES POSTS DA CONFRARIA EM 2009

É muito difícil avaliarmos nosso próprio trabalho. Não por falta de critério, mas pela proximidade e ligação sentimental que qualquer um tem com o que produz. Então fiquei pensando em como eu poderia chegar à esses cinco posts. Então decidi escolher aqueles que mais tive prazer em fazer – todo o processo de criação – e que na relação produção/resultado mais se aproximou do que eu esperava.


5º LUGAR
Projeto Tormenta no RPG Quest – Adaptação das regras


Dá para se dizer que este foi o resultado de uma vontade que eu tinha desde muito. Depois que voltei a jogar RPG Quest, para ensinar e introduzir minha filha no mundo do RPG, comecei a bolar uma forma de adaptar Tormenta para o sistema. O cenário não tinha necessidade de adaptação pois era uma simples questão de interpretação e boa vontade do grupo e do mestre. Mas e aquele monte de habilidades e perícias próprias do cenário? Quando vi um artigo do Shigo Watanabe (Paragons) reproduzindo uma matéria em que era realizada a conversão de habilidades de d20 para RPG Quest eu tomei coragem e resolvi converter e adaptar o resto todo. Ao meu ver ficou muito interessante e fácil de se usar. Pode-se realizar quase qualquer coisa numa mesa de RPG Quest ligando o sistema ao cenário de Tormenta.


4º LUGAR
Material de Apoio – Lâminas – Espadas


Este projeto começou com uma avaliação inicial de não mais de vinte partes. Mas ele superou em muito isso, já está durando um ano, e deve durar mais alguns meses. Mas a carga de aprendizagem que ele me trouxe não tem comparação. Eu imaginava que seria um grande acréscimo de conhecimento para mim e para aqueles que acompanham o blog, mas foi muito além. Sem contar que tive de afiar meu inglês, espanhol e italiano...


3º LUGAR
Confraria entrevista Rogério Saladino


É incrível como as pessoas criam barreiras para elas mesmas. Quando pensei em realizar a entrevista com o Saladino (já havia feito com o Cassaro) me bateu aquela dúvida de se o contato seria fácil ou complicado pela posição que ele exerce hoje em dia como Redator da Marvel/Panini. Mas foi muito mais fácil do que eu imaginava. A entrevista correu solta e leve e deu para falar, rapidamente, um pouco sobre tudo.


2º LUGAR
Iniciativa MM – Prisão Espacial de Astro 3


Eu sempre gostei do tipo de projeto que levei à cabo neste artigo. Criar algo do zero, deste a estrutura física até o conceito de seu funcionamento, é algo muito agradável. Foi o primeiro grande trabalho para a Iniciativa MM e o que teve melhor resultado. Cada planta da estrutura passou por vários estágios (desde papel até chegar à tela do computador) chegando muito próximo daquilo que eu imaginava. Em resumo... fiquei plenamente satisfeito.


1º LUGAR
Projeto Tormenta no RPG Quest – A Libertação de Valkaria – Primeiro Labirinto


Este foi o resultado de alguns meses de preparação convertendo as regras e particularidades do cenário para RPG Quest. Quando eu terminei a conversão eu pensei... “mas seria muito bom jogar isso num aventura bem própria do cenário”. O mais complicado, por incrível que pareça foi a reprodução do mapa reconstruindo-o todo com os pisos do RPG Quest. Foi complicado, mas foi divertido. Este foi apenas o primeiro do vinte labirintos (não se preocupem que os outros estão à caminho). Gostei muito do que eu produzi.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Oficinas de Quadrinhos

Mangás e Cartoons na Casa de Cultura Mário Quintana

O professor Marcos Pinto ministrará aos sábados, das 13h às 15h, oficinas de criação de mangás e cartoons, de graça. As oficinas ocorrerão na Casa de Cultura Mário Quintana (Porto Alegre/RS). A iniciativa servirá para criar um ponto de encontro de desenhistas, além de auxiliar aqueles que estão iniciando no ramo.

A CCMQ fica na rua dos Andradas, 736 - Centro - Porto Alegre - RS. Informações direto com o Marcos Pinto pelo email marcosbnpinto@gmail.com .

Cinema

Novo filme da saga Star Wars?

Se isso for verdade gerará um enorme alvoroço na comunidade dos amantes de ficção. A especulação surgiu no blog de Thomas Dolby, um colcaborador de George Lucas. São poucas palavras, mas que pode trazer uma luz no fim do tunel: “Estou em Tiburon, Califórnia, e por causa do fuso horário estou bastante acordado às 5 da manhã. Meu anfitrião é um meu amigo e antigo colaborador Paul Sebastien, que já trabalhou para Xbox, Playstation e agora está na LucasArt. Ontem a noite ele estava me contando sobre os próximos projetos de ‘Star Wars’, ligado a série de televisão, jogos e filme. É bem legal”. Isso foi o suficiente para todos começarem à prestar uma atenção um pouco maior nas figuras-chave da franquia.

Se isso realmente acontecer muitos especialistas apostam que o novo filme será em algum momento do futuro daqueles que já foram lançados. Uma forte possibilidade, segundo alguns especialistas seria retratando a força alienígena chamada Yuuzhan Vong, que invade a galáxia.

De qualquer forma teremos de esperar um pouco mais (ou muito mais) para termos alguma certeza. Só nos resta torcer.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dragon Slayer 28 (continuação)

Índice completo da DS 28

Depois de um alvoroço nesta madrugada com muitas informações no Fórum Jambô, a editora colocou, esta tarde, a chamada para a DS 28 no seu site. Junto está o índice melhor organizado.

Notícias do Bardo
Retrospectiva do RPG, e previsões dos nossos profetas!

Encontros Aleatórios
Já vai tarde!

Reviews
Kimaera: Dois Mundos, Mouse Guard RPG, Agentes da Liberdade.

Sir Holland
Mas ele é tão bonitinho!

Toolbox
Não faça a guerra (pelo menos não sempre).

Mestre da Masmorra
O desafio de fazer desafios.

Tormenta RPG
O primeiro aperitivo para o grande banquete.

Desafio do Desenho
Os próximos astros do traço!

Gazeta do Reinado
Este bardo não tem sorte mesmo!

Chefe de Fase
Um homem-lagarto incomoda muita gente...

10 Top 10
As dez melhores listas de dez melhores.

Fundo do Baú
Vá pro céu com este RPG.

Batismo de Gelo
Andilla: biografia não-autorizada (confira a imagem abaixo , retirada do site da Jambô)

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

FAIRCHILD – Caitlin Fairchild
Gen13


Nível de Poder: 9

FOR 32 (+11) DES 16 (+3) CON 26 (+8) INT 16 (+3) SAB 14 (+2) CAR 14 (+2)

Resistência +10 [Impenetrável 2]; Fortitude +10; Reflexo +4; Vontade +3.

Ataque +7, Dano +11 [desarmado]; Defesa +6, Esquiva +3, Iniciativa +3.

Capacidade de Carga: 2t (leve), 4t (média), 6t (pesada), 12t (máxima), 30t (empurrar/arrastar).

Tamanho: Grande [atq/def –1, Agarrar +4, Furtividade –4, Intimidar +2].

PERÍCIAS: Blefar +5, Computadores +8, Desarmar dispositivo +6, Diplomacia +7, Investigar +5.

FEITOS: Agarrar instantâneo, Ataque atordoante, Atraente, Contatos, Derrubar aprimorado, Inspirar, Interpor-se, Liderança, Memória eidética, Trabalho em equipe.

PODERES: Repertório [Gen-ativo] 6 [Extra: Amplo; Feito: Inato] {Base: Força ampliada 16 [Dinâmico]; PA: Constituição ampliada 16 [Dinâmico]; PA: Densidade 4 [Dinâmico - For +6, Proteção 2/Impenetrável, Imóvel 1, Super-força 1, Massa +1]; PA: Super-força 2 [Dinâmico]}.

Pontos: 88
20 (habilidades) + 4 (salvamento) + 30 (combate) + 5 (perícias) + 10 (feitos) + 19 (poderes)

Diário de um Escudeiro - 30

Décimo terceiro dia de Salizz de 1392
A falta de costume que tenho em ingerir vinho me fez acordar com a cabeça latejando por demais. Parecia que tinha uma dúzia de sinos dentro dela a badalarem sem parar. Fiquei assim até a metade do dia com certeza.

Muito cedo acordei com o barulho do vai e vem de quase todos os escudeiros e serviçais que dividiam o mesmo espaço. Hoje foi o primeiro dia inteiro do festival e das comemorações, então muito havia de ser feito. Os primeiros raios do deus Azgher avançavam no horizonte e a correria pelos corredores já denotava que os afazeres seriam em grande número naquele dia. Com todas essas preocupações eu nem imaginava o que nos reservava o resto do dia.

Eu corri para os aposentos de Sir Constant e para minha surpresa ele já estava de pé e quase pronto para o dia movimentado. Vestindo sua armadura encoberta por sua melhor túnica, não poupou os ornamentos em ouro e pedras preciosas. A ostentação era uma marca de um segmento grande dos cavaleiros seguidores do deus Khalmyr.

Desde que chegamos à Norm, as palavras trocadas entre nós eram escassas. Mas hoje, pelo menos durante a manhã, foi muito diferente. Ele falava sem parar comigo sobre tudo o que estava reservado para esses dias de confraternização. De como deveria me portar com os outros cavaleiros e da importância de mostrar seu valor.

De pronto fomos para a parte exterior do castelo, ainda dentro dos muros internos da enorme estrutura que era ele. Originalmente as muralhas do castelo eram o limite da cidade de Norm, mas com o passar do tempo toda uma cidade formou-se a partir de seus muros conforme pessoas e mais pessoas vinham para seus portões. O enorme pátio do castelo era calçado com pedras que pareciam perfeitos ladrilhos de porcelana tamanha sua delicadeza e esmero. Cada passo ecoava mais alto naquele piso, mesmo estando à céu aberto, que demonstrava nada menos do que a grandiosidade da maior ordem de Arton. Com aquele espaço repleto de cavaleiros o som era como de um trovão com o eco que as passadas, despreocupadas ou não, produziam.

Para todos os lados que olhávamos haviam os símbolos de Khalmyr. Nas flâmulas, nas bandeiras, nas cores, na aura, tudo lembrava o deus e seus desígnios. Meu peito parecia explodir a cada passo que eu dava. Ontem a sensação não fora tão palpável, mas neste momento tinha a noção de que estava retornando para casa, retornando ao colo paterno. Ainda não sei explicar, mas nunca me sentira assim, fora de minha casa em Namalkah.

Mas rapidamente tive que esquecer desses devaneios, trocando-os pelos afazeres de que estava responsável. Me faltavam braços para carregar tudo o que precisava: estopas, panos, pequenos frascos com líquidos para polir as peças metálicas de Sir Constant, pedras de fio, entre muitas outras coisas. Meu senhor havia me prometido que, se realizasse bem meu trabalho, eu estaria dispensado no meio da tarde, já que ele teria alguns afazeres que dispensavam minha presença. Com mais este incentivo desempenhei minha função com todo o cuidado e suor.

Confesso que vi muito pouco das atividades do torneio enquanto estava desempenhando meus afazeres. O que sei é que tudo começou, já com o semblante iluminado do deus Azgher, com um discurso inflamado de Phillipp Donovan, comandante da Ordem da Luz. À isso se seguiram algumas disputas de justa, ainda com os cavaleiros de menor expressão, pelo que me disseram, já que as principais seriam apenas no último dia das festividades.

Houveram ainda algumas demonstrações de habilidades com espadas e arcos para satisfazer os egos de muitos.
Em meio à tudo isso eram muitos os estandartes que, empunhando as marcas de famílias, iam e vinham com seus sectos, maiores ou menores, conforme a importância e riqueza de seus senhores. Confesso que achei que tudo relacionado ao deus da justiça seria algo com menos pompa e mais respeito, mas quem sou eu para debater tal idéia?

Como fiquei encerrado a maior parte do tempo na tenda designada para Sir Constant, acompanhava os jogos apenas pela euforia da multidão e pelos rostos de cavaleiros que passavam, vitoriosos ou decepcionados, quando não feridos.

Outra coisa que me chamou a atenção foram os “parias”. Eu os chamava assim, depois de ter escutado alguns cavaleiros dizendo o mesmo, e espero que eles não me escutem. Esses cavaleiros andavam sem pompa, sem estandarte, sem secto, sem brilho e, com toda a certeza, mostravam suas aventuras em marcas, arranhões e amassados em suas armaduras. Espelhavam toda sua a experiência - pelo menos me parecia isso – numa aura de dificuldades, mazelas e esforço. Eles não andavam seguidos por escudeiros carregando lenços, bandejas e flâmulas. Ao contrário, eles estavam sempre em pequenos grupos de outros iguais à eles. Quando se encontravam tinham aquele olhar de satisfação por ver que um amigo ainda estava vivo – um olhar sincero e cheio de significado. Estavam sempre rindo também, e fazendo galhofas entre eles. Sentavam em qualquer lugar, de qualquer forma, bebendo do gargalo e dividindo sua garrafa com quem pedisse. Eram imagens tão estranhas quanto um bando de orcs em meio à uma grupo de seguidores da deusa Marah. Outros cavaleiros, aqueles garbosos e afetados, os olhavam e desviavam como quem toma cuidado para não pisar em esterco pelo chão. E os “párias” achavam graça disso.

Fiquei muito interessado neles e gostaria de que meu avô estivesse aqui para conversarmos sobre isso. Tenho certeza que ele teria uma ou duas coisas para falar sobre isso, e depois iria beber com eles.

Quando a tarde ultrapassou sua metade Sir Constant apareceu para trocar de túnica e para me dispensar por hoje. Fiquei satisfeito, até porque não havia comido mais do que alguns pedaços de pão que eu havia guardado de ontem. Meu senhor me dispensou até o meio dia de amanhã.

Saindo dali fui vadiar pelas ruas dentro dos muros do castelo. A profusão de pessoas era inimaginável, maior ainda do que a multidão que encontrara em Yuden, no Dia do Guerreiro, tempos atrás. Mas não pude perder tempo com isso, pois já tinha um destino certo, pelo menos para aquele momento. Queria encontrar um Templo de Khalmyr.

A tarefa não foi difícil pois ele era facilmente localizável à distância. Era um prédio enorme e pontiagudo. Claramente uma produção das mãos hábeis de anões, como o próprio Castelo da Luz. Em sua fronte, esculpido em riqueza de detalhes, a imagem de uma enorme espada sobreposta à uma balança. Fiquei um bom tempo parado absorvendo a beleza daquele prédio quando conheci Sir John “Sangue Negro” Tussan.

“- É realmente uma beleza, não é?” – disse ele às minhas costas me causando espanto.

Ele era um daqueles cavaleiros que chamei de “pária”. Tinha uma voz de trovão que espantava qualquer um que estivesse à sua volta. Muito alto chegava a me deixar escondido em sombra. Não vestia sua armadura, mas a carregava amarrada ao seu cavalo, logo atrás de si. Ela estava muito marcada e arranhada pelos anos de uso, embora assim mesmo mostrasse ser um belo artefato e mantinha seu brilho.

“- É o maior que vi até agora, meu senhor, e o mais bonito também!” – respondi após uma reverência, sem saber ao certo como proceder.

“- Deixe disso meu jovem ou serei obrigado e lhe dar um belo chute nos fundilhos” – disse Sir John entre um largo sorriso – “nosso pai Khalmyr não se interessa por reverências, tributos ou frescuras”.

“- Será que eu posso entrar? Será apenas por um minuto!

Ele fechou a cara numa carranca que surgira não sei de onde – “eles que se arrisquem a fechar as portas de Khalmyr para qualquer um que seja” – proclamou cerrando os punhos – “venha comigo jovem, estou cansado de ver como as coisas tem andado. Daqui a pouco irão obrigar que se pague tributo para atravessar aquelas portas. Vou entrar contigo”.

Ele puxou os arreios de seu cavalo e o amarrou num dos muitos postes preparados para tal função, em frente ao templo. Em passos largos ele subiu a primeira dezenas de degraus em duas ou três passadas – “vamos logo meu caro, vamos ensinar à eles como é que se faz uma entrada de luxo”.

Quando dei por mim já estava no topo da longa escadaria do templo. Ele tinha aquela qualidade típica dos líderes onde suas palavras eram sempre seguidas quase que inconscientemente. Ele era um líder nato.
As portas eram imponentes e pesadas como a responsabilidade de seguir tamanha força de caráter digna de um deus da justiça. Muitos entravam e saiam do templo apressados. Mendigos pediam alguma moeda aos fiéis esparramados por boa parte da extensão da escadaria, atraindo olhares de nojo de cavaleiros e sacerdotes. Eu não entendi muito bem a reação deles. Ou melhor, eu começava a entender.

Quando chegamos às portas do templo as enormes figuras que guardavam a entrada e saída de todos apenas moveram seus olhos fitando-nos. Sir Tussan ameaçou continuar seu caminho mas parou por um instante e voltou um passo – “nem pensem em abrir a boca, camaradas” – e voltou a andar. Eu me sentia como um inseto entre gigantes. Como meu avô dizia, era briga de peixe grande.

“- Eis, meu caro... o templo de Khalmyr” – disse-me Sir Tussan – “aproveite”.

Após alguns passos eu como que saí de meu corpo. Senti meu espírito leve. Meu peito queimava como que em chamas. Tussan percebeu o que acontecia e me perguntou por mais de uma vez se eu me senti bem. Eu estava maravilhoso. Continuei caminhando por toda a nave central do templo. Foi um longo caminho, e sempre acompanhando por Sir.

Por todo o lado cavaleiros e mais cavaleiros estavam ocupados com seus afazeres. Grupos de cavaleiros realizavam orações ou meditações em alguns bancos perto do centro. Um em especial, muito velho, algo raro para cavaleiros, estava como que num transe numa ladainha ao mesmo tempo hipnótica e maravilhosa.

Quando chegamos à frente do altar principal perguntei à Sir Tussan se poderia sentar por alguns instantes para apreciar a sensação, algo que ele assentiu de imediato. Fiquei alguns minutos sentindo aquela sensação como que de uma renovação interior. Enquanto isso o cavaleiro encontrou alguns colegas e passou a ter uma animada, embora sussurrada, conversa.

Quando me levantei para agradecer ao cavaleiro e partir, ele se aproximou acompanhado do que deveria ser uma clériga de Khalmyr.

“- Rapazinho, essa é Lady Rosin Crossbones, a mais leal servidora de Khalmyr, embora use saias” – disse ele rindo e tirando algumas risadas da milady e de outros que estavam junto.

“- E mesmo com saias ainda posso lhe ensinar como beijar a terra depois de uma contenda” – ela respondeu dando um largo sorriso – “e você rapaz como se chama?

“- Tyrias, minha senhora, escudeiro de Sir Constant” – respondi fazendo uma reverência.

“- Deixe disso rapaz... qualquer um que tem um amor tão grande pelo nosso deus amado não deve se curvar à ninguém” – ele ficou me vasculhando com o olhar e seu sorriso foi sumindo aos poucos. Confesso que na hora fiquei um pouco preocupado – “vocês sentiram também?” – ela disse à todos ali reunidos, recebendo balançares de cabeça na forma afirmativa.

“- Algo de errado comigo?

“- Em absoluto” – o sorriso voltou ao seu rosto – “muito pelo contrário”.

Sua mão percorreu meu rosto numa carícia que desceu pelo meu pescoço, onde ela encontrou, com os dedos a corrente onde pendia o medalhão que recebi de meu avô. Ela suavemente o puxou para fora.

“- Este medalhão é sinal de muita honra e merecimento e quem o deu à você deveria ser alguém muito especial e honrado. Mas o que sentimos vem além do poder que emana do medalhão. Vem daquilo que o fez receber o anel que está em seu dedo. Vem daquilo que o fez entrar aqui hoje. Vem daquilo que o tem dado méis perguntas que respostas. Vem de dentro de você, senhor Tyrias. Não se deprecie e nunca pense que sua vida se resume apenas à servir, pois um verdadeiro servo de Khalmyr, como és de coração, serve à todos como um apostolado da justiça, da igualdade e da honra. Seu caminho será próspero, longo e empunhando uma espada”.

Todos em volta estavam num silêncio reverencial, menos Sri Tussan que deu uma gargalhada que estremeceu as abôbadas do templo – “eu nunca me engano garoto... eu sabia que tu tinha algo de especial...”

Da mesma forma que ela chegou e falou comigo ela se despediu e saiu conversando animadamente com seus colegas.

Depois daquilo saí de lá e continuei vagando pela cidade, em parte acompanhado por Sir Tussan que me mostrou lugares interessantes, e outros que me deixaram rubro de vergonha. Prometemos nos encontrar outras vezes para visitar o templo. De resto percorri a cidade perdido em meus pensamentos até voltar aos aposentos dos serviçais.Não consegui participar das festividades noturnas deles hoje. Só queria escrever no diário para ter bem marcadas as lembranças de hoje e quem sabe ainda poder mostrar isso ao meu avô.

Dragon Slayer 28

Fórum Jambô apresenta capa da DS 28


Isso mesmo pessoal... a tão esperada edição 28 da Dragon Slayer comemorativa dos 10 anos de Tormenta vem aí!! Logo depois da zero hora desta terça foi postado no Fórum Jambô algumas informações sobre a edição. Tudo nela será referente à Tormenta, então fãs.... segurem-se em suas cadeiras.

Vamos começar pelo Editorial (retirado do Fórum Jambô):

Edição especial: 10 anos de Tormenta

10!

É hora de comemorar! Fogos de artifício, Talude! Niele e Lady Shivara dançando juntas! Thormy cantando karaokê! Alegria!

2009 marcou o aniversário de dez anos do maior, mais querido e mais bem-sucedido cenário de RPG do Brasil: Tormenta. Geralmente falamos sobre como esse cenário, originalmente um brinde na Dragão Brasil n° 50, cresceu com o tempo. Mas também vale lembrar que, já em 1999, Tormenta desbancou o antigo Mundo das Trevas como a ambientação preferida dos brasileiros e que, desde o início, seus livros esgotaram-se com velocidade impressionante. Cativou os jogadores do país inteiro, com sua mistura de alta fantasia, humor, tragédias, despretensão e muito, muito entusiasmo. Parabéns, Arton. Você já fez muito, mas seu trabalho está longe de acabar.

Aqui, na última DragonSlayer do ano, temos uma edição especial, com um preview do vindouro Tormenta RPG e dez listas com os dez melhores heróis, heroínas, vilões, lutas e outros elementos de Tormenta, para você relembrar, rir, concordar, discordar e discutir com os amigos. A Gazeta do Reinado apresenta mais fatos surpreendentes sobre as Guerras Táuricas e temos uma HQ especial com o passado de Andilla Dente-de-Ferro, personagem de O Inimigo do Mundo. Além disso, você pode conferir os vencedores do 1° Desafio do Desenho, promovido pela Jambô Editora e pelo site Papo de Artista, e divertir-se com as colunas e seções de sempre.

Quer você seja um veterano de Tormenta ou um recém-chegado, acomode-se e seja bem-vindo. A diversão está apenas começando.

Saúde!

Equipe DragonSlayer (subindo de nível)

E o Índice da edição:

-Notícias do Bardo
-Retrospectiva do RPG, e previsões dos nossos profetas!
-Encontros Aleatórios
-Já vai tarde!
-Reviews Kimaera: Dois Mundos, Mouse Guard RPG, Agentes da Liberdade.
-Sir Holland
-Mas ele é tão bonitinho!
-Toolbox Não faça a guerra (pelo menos não sempre).
-Mestre da Masmorra
-O desafio de fazer desafios.
-Tormenta RPG
-O primeiro aperitivo para o grande banquete.
-Desafio do Desenho
-Os próximos astros do traço!
-Gazeta do Reinado
-Este bardo não tem sorte mesmo!
-Chefe de Fase: Um homem-lagarto incomoda muita gente…
-10 Top 10: As dez melhores listas de dez melhores.
-Fundo do Baú
-Vá pro céu com este RPG.
-Batismo de Gelo
-Andilla: biografia não-autorizada.

É para ficarmos de cabelo em pé!!!! Para mais detalhes deem uma olhada no Fórum Jambô sobre o assunto AQUI!.

Cinema

Notícias da Hora

HALO: uma coisa é certa... mais dia menos dia e haverá uma adaptação do famoso jogo para o cinema. Pelo menos esta é a opinião de Peter Jackson. Na promoção do filme “Um olhar do paraíso” ele concedeu uma entrevista onde fora indagado sobre os boatos de que seu nome estava ganhando força para a adaptação deste jogo para o cinema. Segundo ele, após as filmagens de “Distrito 9” ele estaria sem “pique” para realiza-lo. Steven Spielberg também descartou um convite depois de muitos problemas com as cláusulas do contrato da Microsoft.

FÚRIA DE TITÃS: o remake de 1981 ganhou os três primeiros posters, pelo site Movifone. Num deles Perseu (Sam Worthington, “O Exterminador do Futuro: A Salvação”) mostra a cabeça da Medusa. No filme teremos contado o mito de Perseu na busca pela salvação da princesa Andrômeda (Alexa Davalos, “Um Ato de Liberdade”). Um elenco de peso está no filme: Liam Neeson (“Cruzada”), Ralph Fiennes (“O Paciente Inglês”), Danny Huston (“30 Dias de Noite”), Gemma Artenton (“Quantum of Solace”) e Mads Mikkelsen (“Cassino Royale”). Com direção de Loius Leterrier (“O Incrível Hulk”) a estréia será em 2 de abril de 2010.


DEADPOOL: já com o ator principal escolhido – Ryan Reynolds (“X-Men Origens: Wolverine”) para viver o herói ainda não há um diretor escolhido. Por enquanto os caminhos apontam para Quentin Tarantino. Pelo menos este é o desejo de Ryan Reynolds. Segundo ele: “Você pensa em diretores para um filme como esse e você imediatamente imagina Quentin Tarantino, ou alguém como ele. Obviamente, Tarantino é um cara que gosta de dirigir o seu próprio material, então tem uma boa chance de ele não ser o cara. Nós todos temos nossas listas de diretores dos sonhos”.
A HORA DO PESADELO: outro remake que está prestes a estrear. Já em sua fase final de produção, algumas cenas tiveram de ser refilmadas. Mas nada que deva preocupar os fãs. Quanto ao filme teremos como Freddy Krueger o ator Earle Haley (“Watchmen”) com um aspecto muito mais realista num banho que qualidade da maquiagem. No elenco temos Kyle Gallner (“Evocando espíritos”), Katie Cassidy (“Busca Implacável”), Thomas Dekker (“Uma Prova de Amor”) e Kellan Lutz (“Crepúsculo”).

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

MÍSTICA - Raven Darkholme

Nível de Poder: 10

FOR 14 (+2) DES 16 (+3) CON 16 (+3) INT 18 (+4) SAB 16 (+3) CAR 16 (+3)

Resistência +3, Fortitude +7, Reflexo +7, Vontade +7.

Ataque +10, +12 [distância]; Dano +2 [desarmado]; Defesa +10; Esquiva +5; Desprevenido +5; Iniciativa +6.

PERÍCIAS: acrobacia +11, Blefar +15, Conhecimento [Tática] +12, Desarmar dispositivo +8, Idioma +10, Intuir intensão +11, Notar +7, Obter informação +11, Pilotar +11, Prestidigitação +11, Procurar +10.

FEITOS: Avaliação, Ataque defensivo, Ataque furtivo, Bem informado, Contatos, Esquiva fabulosa, Foco em ataque [distância] 2, Iniciativa aprimorada, Rolamento defensivo 2, Tiro preciso.

PODERES: Morfar 8 [qualquer ser humano - Feito: Preciso]; Metamorfose 2.

Pontos: 155
36 (habilidades) + 12 (salvamentos) + 40 (combate) + 21 (perícias) + 13 (feitos) + 33 (poderes)

Jogos de Tabuleiros

Comércio das arábias


Pegue seu camelo e suas mercadorias e vamos para o meio do deserto vender alguns artigos? Este é o enfoque desse interessante jogo que descobri na Game Analyticz. Yspahan possibilita que você faça as vias de um comerciante árabe que vende suas mercadorias na cidade de Yspahan.

Com uma dinâmica muito interessante você tem a possibilidade de várias ações em cada turno: pegar mercadorias, colocar mercadorias em caravanas de camelos, construir prédios, comprar camelos ou conseguir ouro.


O design do jogo, como dá para verificar nas imagens (retiradas da BGG e da Game Analyticz) são muito bonitas e dão um boa ambientação às partidas. A pontuação do jogo é feita de forma simples com tempo médio, para cada partida de quase uma hora e meia. Você pode conferir as regras AQUI!

O jogo é de 2006, mas permanece atual e inovador em seus detalhes. Segundo a BGG o ideal seriam 3 à 4 participantes, mas pode ser jogado até mesmo com dois.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Livro

ALMA DE SANGUE: O Despertar do Vampiro

Já disse isto anteriormente, em outras postagens sobre o assunto, mas vampiros são de longe um dos temas mais adorados e utilizados na literatura e no cinema, além de muitas outras mídias. Mas no Brasil, até bem pouco tempo, este tema estava relegado ao segundo (ou quem sabe terceiro) plano. Mesmo obras interessantes e de qualidade, como as de André Vianco, não estouravam na mídia com facilidade. Mas estamos em novos tempos. Com a incrível catapultada que a franquia “Crepúsculo” deu no tema, começam a pipocar em todos os cantos crias desta nova febre. E as obras da maranhanse Nazarethe Fonseca são um desses casos.

O primeiro lido da série Alma de Sangue foi lançada ainda em 2005, mas só ganhou uma revitalização consistente neste ano de 2009. Com o título de “O despertar do Vampiro” a autora introduz o tema aqui em terras brasileiras. Nesta história temos o vampiro Jan Kman que após despertar de seu sono em um casarão na cidade de São Luiz pelo trabalho de operários se apaixona pela responsável pela restauração do casarão, Kara Ramos. Ele a considera como a reencarnação de um antigo amor. Mas o sentimento não é recíproco.

É inegável que ela bebeu de autores consagrados. De Anne Rice ela tenta recriar a figura de Lestat – ora sensual ora mortal. Do próprio André Vianco, que assina seu prefácio, ela assimilou e empregou a efeito de deixar muitas pontas soltas ao final do livro para continuações. Quanto ao livro em si ele tem uma qualidade que não faz ninguém se arrepender de compra-lo. Com uma leitura fácil ela peca apenas ao final, onde se torna um pouco cansativo. No mais a história é contada em forma de flashbacks, exigindo um pouco de cuidado para o leitor não se perder, mas nada exagerado. São 432 páginas agradáveis para uma rápida leitura, pela editora Aleph.

Trecho do Livro:

O aparelho de som parou. Ergui-me preguiçosa do assento e dei uma longa olhada no desenho. Ficara perfeito. Satisfeita com o resultado, resolvi encerrar o trabalho. Olhei pela janela, fitei o relógio de pulso e me assustei. Passava das sete horas, o vigia estava muito atrasado. Recolhi minhas coisas e deixei tudo organizado à minha volta. Tirei o boné e penteei o cabelo rapidamente, para logo em seguida refazer o rabo – de - cavalo. Mochila nas costas, mesa organizada, tomadas desligadas, tudo arrumado… A janela! Fui até ela e a fechei; cruzei o quarto em direção à porta e nesse momento as luzes se apagaram. Não somente as da sala, mas todas as luzes do casarão. O susto foi tão grande que gritei. Simplesmente, não via um palmo à frente do nariz. Não sobrounada, nem uma fresta de luz para guiar-me. Fiz meia-volta e ali fiquei, tentando achar qualquer coisa para guiar minha saída do casarão.

— Estúpida! — gritei comigo mesma. Afinal, tinha um isqueiro no chaveiro.

Toquei a calça em busca das chaves e do isqueiro para me lembrar que o havia retirado dali a pedido de Alva… — Ai, droga! Merda… — xinguei, após esbarrar na mesa e machucar o quadril. Era isso! Estava sobre a mesa em algum lugar, mas onde? Toquei a superfície da mesa e passei a mão sobre papéis, canetas, tesoura… Onde está? — perguntava- me, desesperada.Medo. Esta era a definição mais precisa para o que sentia. Sempre tive medo do escuro, fugia ao meu controle, perdia a noção de espaço, de onde estava e, simplesmente, me sentia sufocar. Levei a mão à testa suada e notei que tremia de tão apavorada.

Decidida a me acalmar, comecei a repetir:

— Não há nada no escuro, não há nada no escuro. — Enquanto dizia as palavras, respirava fundo tentando recobrar o fôlego e o controle. Com as mãos sobre a mesa, recomecei uma busca mais calma; quando toquei o isqueiro, gritei de alegria. — Graças a Deus! — Afinal, não foi fácil encontrá-lo e quanto mais acendê-lo. Tentei três vezes sem nada conseguir. Só consegui respirar melhor depois de ver a chama frágil tremular à minha frente, dando-me confiança.

— Não tenha tanto medo do escuro.

O aviso soou de maneira suave, sensual, cortando a escuridão como uma flecha. Ergui os olhos e dei de cara com um completo desconhecido. Sentado comodamente na cadeira, na cabeceira da mesa, ele me observava de maneira calma. Fiquei tão aborrecida com a possibilidade de ele ter me visto naquele estado de pavor que não o olhei direito.

— Que houve com as luzes? — perguntei, achando que se tratava do vigia.

— Eu as apaguei — falou insolente, sem sequer levantar-se.

— E por que o fez? Não há necessidade de o casarão ficar às escuras — faleitaxativa.

— Gosto do escuro — falou, sem dar um pingo de importância ao que eu dizia.Seu rosto não parecia ter movimento; os olhos azuis brilhavam no escuro, fazendo aquele efeito só conseguido por cães e gatos.

Ele pareceu notar que eu o observava e deu-me um leve sorriso, mas um sorriso malévolo e malicioso. Recuei para trás um tanto assustada.

— Quem é você e o que faz aqui? — perguntei, notando que a voz estava trêmula.

— Acho que a invasora aqui é você — falou, apontando o dedo em riste emminha direção. Somente naquele momento percebi suas roupas estranhas, ou melhor, antigas. A manga de sua camisa era larga e trazia no punho cordões e uma renda que provavelmente algum dia fora branca, bem como o resto da camisa.

— Vamos, diga! Que faz em minha casa? Que está havendo, onde estão os móveis e todo o resto? — perguntou, alteando a voz, fazendo-me piscar de susto.

Fiquei tão atônita surpresa que ri dele. Foi isso mesmo, eu ri. Nervosismo, medo, sei lá! Mas não foi uma das atitudes mais acertadas a tomar,porque ele ficou furioso. Saltou da cadeira e ficou em pé para mostrar quanto era alto e forte. Seus ombros largos eram valorizados pela camisa de tecido solto. Foi com grande surpresa que notei o lenço de seda em volta de seu pescoço largo. Era um Plastron, uma espécie de gravata usada no século XIX, se não me engano.

— Do que ri? Acha que sou algum bufão, um truão para rir de mim? — perguntoumais alto e muito mais agressivo enquanto andava para a frente.

— Não se aproxime! — gritei, reagindo no mesmo tom, recuando para trás.

— E quem pensa que é para gritar comigo, sua pequena insignificante! — Seus movimentos assemelhavam-se ao de um tigre. A calça preta moldada perfeitamente às suas pernas másculas, fortes. Não sei bem ao certo como, mas, totalmente assustada, ainda conseguia sentir-me atraída. Sua beleza chegava a ser um insulto, a assustar, essa era a verdade. — É só isso que consegue sentir? Medo? — o homem perguntou, quase ofendido. Passou a mão pelos cabelos loiros presos numa fita escura e continuou a falar: — Kara, Kara, Kara, pensei que fosse mais corajosa, forte, decidida — falou com um leve sotaque que, no momento, não identifiquei.

— Como… como sabe meu nome? — tentava lembrar-me de onde conhecia seu rosto. Foi em vão; nunca o tinha visto em toda minha vida, mas seu olhar… eu conhecia.

— Sua amiga, a negra forra, falou, enquanto usava aquela estranha máquina.Diga-me, sua mão melhorou? — O modo descuidado como falou me chocou.

— De onde afinal você saiu?

— Do sótão, é claro.

— Ai, meu Deus!

— Você chama muito a “Deus”; ele a ajuda tanto como parece?

— Olhe, não sei de onde diabos saiu, mas ordeno que saia desta casa imediatamente!— falei, tentando parecer o mais segura possível. O silêncio foi quebrado comsua gargalhada, no mínimo gostosa.

— Kara, você deve ter sido uma menina muito mimada e levada, mas lhe digo,uma boca tão perfeita e carnuda não deveria ser manchada com tantos palavrões; contei quatro, apenas enquanto a vigiava — comentou cínico. — Agora, vamos — falou, estendendo a mão num convite perturbador.

— Acho melhor não tentar.