terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Dragon Slayer 28 (continuação)
Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

Diário de um Escudeiro - 30
Muito cedo acordei com o barulho do vai e vem de quase todos os escudeiros e serviçais que dividiam o mesmo espaço. Hoje foi o primeiro dia inteiro do festival e das comemorações, então muito havia de ser feito. Os primeiros raios do deus Azgher avançavam no horizonte e a correria pelos corredores já denotava que os afazeres seriam em grande número naquele dia. Com todas essas preocupações eu nem imaginava o que nos reservava o resto do dia.
Eu corri para os aposentos de Sir Constant e para minha surpresa ele já estava de pé e quase pronto para o dia movimentado. Vestindo sua armadura encoberta por sua melhor túnica, não poupou os ornamentos em ouro e pedras preciosas. A ostentação era uma marca de um segmento grande dos cavaleiros seguidores do deus Khalmyr.
Desde que chegamos à Norm, as palavras trocadas entre nós eram escassas. Mas hoje, pelo menos durante a manhã, foi muito diferente. Ele falava sem parar comigo sobre tudo o que estava reservado para esses dias de confraternização. De como deveria me portar com os outros cavaleiros e da importância de mostrar seu valor.
De pronto fomos para a parte exterior do castelo, ainda dentro dos muros internos da enorme estrutura que era ele. Originalmente as muralhas do castelo eram o limite da cidade de Norm, mas com o passar do tempo toda uma cidade formou-se a partir de seus muros conforme pessoas e mais pessoas vinham para seus portões. O enorme pátio do castelo era calçado com pedras que pareciam perfeitos ladrilhos de porcelana tamanha sua delicadeza e esmero. Cada passo ecoava mais alto naquele piso, mesmo estando à céu aberto, que demonstrava nada menos do que a grandiosidade da maior ordem de Arton. Com aquele espaço repleto de cavaleiros o som era como de um trovão com o eco que as passadas, despreocupadas ou não, produziam.
Para todos os lados que olhávamos haviam os símbolos de Khalmyr. Nas flâmulas, nas bandeiras, nas cores, na aura, tudo lembrava o deus e seus desígnios. Meu peito parecia explodir a cada passo que eu dava. Ontem a sensação não fora tão palpável, mas neste momento tinha a noção de que estava retornando para casa, retornando ao colo paterno. Ainda não sei explicar, mas nunca me sentira assim, fora de minha casa em Namalkah.
Mas rapidamente tive que esquecer desses devaneios, trocando-os pelos afazeres de que estava responsável. Me faltavam braços para carregar tudo o que precisava: estopas, panos, pequenos frascos com líquidos para polir as peças metálicas de Sir Constant, pedras de fio, entre muitas outras coisas. Meu senhor havia me prometido que, se realizasse bem meu trabalho, eu estaria dispensado no meio da tarde, já que ele teria alguns afazeres que dispensavam minha presença. Com mais este incentivo desempenhei minha função com todo o cuidado e suor.
Confesso que vi muito pouco das atividades do torneio enquanto estava desempenhando meus afazeres. O que sei é que tudo começou, já com o semblante iluminado do deus Azgher, com um discurso inflamado de Phillipp Donovan, comandante da Ordem da Luz. À isso se seguiram algumas disputas de justa, ainda com os cavaleiros de menor expressão, pelo que me disseram, já que as principais seriam apenas no último dia das festividades.
Houveram ainda algumas demonstrações de habilidades com espadas e arcos para satisfazer os egos de muitos.
Em meio à tudo isso eram muitos os estandartes que, empunhando as marcas de famílias, iam e vinham com seus sectos, maiores ou menores, conforme a importância e riqueza de seus senhores. Confesso que achei que tudo relacionado ao deus da justiça seria algo com menos pompa e mais respeito, mas quem sou eu para debater tal idéia?
Como fiquei encerrado a maior parte do tempo na tenda designada para Sir Constant, acompanhava os jogos apenas pela euforia da multidão e pelos rostos de cavaleiros que passavam, vitoriosos ou decepcionados, quando não feridos.
Outra coisa que me chamou a atenção foram os “parias”. Eu os chamava assim, depois de ter escutado alguns cavaleiros dizendo o mesmo, e espero que eles não me escutem. Esses cavaleiros andavam sem pompa, sem estandarte, sem secto, sem brilho e, com toda a certeza, mostravam suas aventuras em marcas, arranhões e amassados em suas armaduras. Espelhavam toda sua a experiência - pelo menos me parecia isso – numa aura de dificuldades, mazelas e esforço. Eles não andavam seguidos por escudeiros carregando lenços, bandejas e flâmulas. Ao contrário, eles estavam sempre em pequenos grupos de outros iguais à eles. Quando se encontravam tinham aquele olhar de satisfação por ver que um amigo ainda estava vivo – um olhar sincero e cheio de significado. Estavam sempre rindo também, e fazendo galhofas entre eles. Sentavam em qualquer lugar, de qualquer forma, bebendo do gargalo e dividindo sua garrafa com quem pedisse. Eram imagens tão estranhas quanto um bando de orcs em meio à uma grupo de seguidores da deusa Marah. Outros cavaleiros, aqueles garbosos e afetados, os olhavam e desviavam como quem toma cuidado para não pisar em esterco pelo chão. E os “párias” achavam graça disso.
Fiquei muito interessado neles e gostaria de que meu avô estivesse aqui para conversarmos sobre isso. Tenho certeza que ele teria uma ou duas coisas para falar sobre isso, e depois iria beber com eles.
Quando a tarde ultrapassou sua metade Sir Constant apareceu para trocar de túnica e para me dispensar por hoje. Fiquei satisfeito, até porque não havia comido mais do que alguns pedaços de pão que eu havia guardado de ontem. Meu senhor me dispensou até o meio dia de amanhã.
Saindo dali fui vadiar pelas ruas dentro dos muros do castelo. A profusão de pessoas era inimaginável, maior ainda do que a multidão que encontrara em Yuden, no Dia do Guerreiro, tempos atrás. Mas não pude perder tempo com isso, pois já tinha um destino certo, pelo menos para aquele momento. Queria encontrar um Templo de Khalmyr.
A tarefa não foi difícil pois ele era facilmente localizável à distância. Era um prédio enorme e pontiagudo. Claramente uma produção das mãos hábeis de anões, como o próprio Castelo da Luz. Em sua fronte, esculpido em riqueza de detalhes, a imagem de uma enorme espada sobreposta à uma balança. Fiquei um bom tempo parado absorvendo a beleza daquele prédio quando conheci Sir John “Sangue Negro” Tussan.
“- É realmente uma beleza, não é?” – disse ele às minhas costas me causando espanto.
Ele era um daqueles cavaleiros que chamei de “pária”. Tinha uma voz de trovão que espantava qualquer um que estivesse à sua volta. Muito alto chegava a me deixar escondido em sombra. Não vestia sua armadura, mas a carregava amarrada ao seu cavalo, logo atrás de si. Ela estava muito marcada e arranhada pelos anos de uso, embora assim mesmo mostrasse ser um belo artefato e mantinha seu brilho.
“- É o maior que vi até agora, meu senhor, e o mais bonito também!” – respondi após uma reverência, sem saber ao certo como proceder.
“- Deixe disso meu jovem ou serei obrigado e lhe dar um belo chute nos fundilhos” – disse Sir John entre um largo sorriso – “nosso pai Khalmyr não se interessa por reverências, tributos ou frescuras”.
“- Será que eu posso entrar? Será apenas por um minuto!”
Ele fechou a cara numa carranca que surgira não sei de onde – “eles que se arrisquem a fechar as portas de Khalmyr para qualquer um que seja” – proclamou cerrando os punhos – “venha comigo jovem, estou cansado de ver como as coisas tem andado. Daqui a pouco irão obrigar que se pague tributo para atravessar aquelas portas. Vou entrar contigo”.
Ele puxou os arreios de seu cavalo e o amarrou num dos muitos postes preparados para tal função, em frente ao templo. Em passos largos ele subiu a primeira dezenas de degraus em duas ou três passadas – “vamos logo meu caro, vamos ensinar à eles como é que se faz uma entrada de luxo”.
Quando dei por mim já estava no topo da longa escadaria do templo. Ele tinha aquela qualidade típica dos líderes onde suas palavras eram sempre seguidas quase que inconscientemente. Ele era um líder nato.
As portas eram imponentes e pesadas como a responsabilidade de seguir tamanha força de caráter digna de um deus da justiça. Muitos entravam e saiam do templo apressados. Mendigos pediam alguma moeda aos fiéis esparramados por boa parte da extensão da escadaria, atraindo olhares de nojo de cavaleiros e sacerdotes. Eu não entendi muito bem a reação deles. Ou melhor, eu começava a entender.
Quando chegamos às portas do templo as enormes figuras que guardavam a entrada e saída de todos apenas moveram seus olhos fitando-nos. Sir Tussan ameaçou continuar seu caminho mas parou por um instante e voltou um passo – “nem pensem em abrir a boca, camaradas” – e voltou a andar. Eu me sentia como um inseto entre gigantes. Como meu avô dizia, era briga de peixe grande.
“- Eis, meu caro... o templo de Khalmyr” – disse-me Sir Tussan – “aproveite”.
Após alguns passos eu como que saí de meu corpo. Senti meu espírito leve. Meu peito queimava como que em chamas. Tussan percebeu o que acontecia e me perguntou por mais de uma vez se eu me senti bem. Eu estava maravilhoso. Continuei caminhando por toda a nave central do templo. Foi um longo caminho, e sempre acompanhando por Sir.
Por todo o lado cavaleiros e mais cavaleiros estavam ocupados com seus afazeres. Grupos de cavaleiros realizavam orações ou meditações em alguns bancos perto do centro. Um em especial, muito velho, algo raro para cavaleiros, estava como que num transe numa ladainha ao mesmo tempo hipnótica e maravilhosa.
Quando chegamos à frente do altar principal perguntei à Sir Tussan se poderia sentar por alguns instantes para apreciar a sensação, algo que ele assentiu de imediato. Fiquei alguns minutos sentindo aquela sensação como que de uma renovação interior. Enquanto isso o cavaleiro encontrou alguns colegas e passou a ter uma animada, embora sussurrada, conversa.
Quando me levantei para agradecer ao cavaleiro e partir, ele se aproximou acompanhado do que deveria ser uma clériga de Khalmyr.
“- Rapazinho, essa é Lady Rosin Crossbones, a mais leal servidora de Khalmyr, embora use saias” – disse ele rindo e tirando algumas risadas da milady e de outros que estavam junto.
“- E mesmo com saias ainda posso lhe ensinar como beijar a terra depois de uma contenda” – ela respondeu dando um largo sorriso – “e você rapaz como se chama?”
“- Tyrias, minha senhora, escudeiro de Sir Constant” – respondi fazendo uma reverência.
“- Deixe disso rapaz... qualquer um que tem um amor tão grande pelo nosso deus amado não deve se curvar à ninguém” – ele ficou me vasculhando com o olhar e seu sorriso foi sumindo aos poucos. Confesso que na hora fiquei um pouco preocupado – “vocês sentiram também?” – ela disse à todos ali reunidos, recebendo balançares de cabeça na forma afirmativa.
“- Algo de errado comigo?”
“- Em absoluto” – o sorriso voltou ao seu rosto – “muito pelo contrário”.
Sua mão percorreu meu rosto numa carícia que desceu pelo meu pescoço, onde ela encontrou, com os dedos a corrente onde pendia o medalhão que recebi de meu avô. Ela suavemente o puxou para fora.
“- Este medalhão é sinal de muita honra e merecimento e quem o deu à você deveria ser alguém muito especial e honrado. Mas o que sentimos vem além do poder que emana do medalhão. Vem daquilo que o fez receber o anel que está em seu dedo. Vem daquilo que o fez entrar aqui hoje. Vem daquilo que o tem dado méis perguntas que respostas. Vem de dentro de você, senhor Tyrias. Não se deprecie e nunca pense que sua vida se resume apenas à servir, pois um verdadeiro servo de Khalmyr, como és de coração, serve à todos como um apostolado da justiça, da igualdade e da honra. Seu caminho será próspero, longo e empunhando uma espada”.
Todos em volta estavam num silêncio reverencial, menos Sri Tussan que deu uma gargalhada que estremeceu as abôbadas do templo – “eu nunca me engano garoto... eu sabia que tu tinha algo de especial...”
Da mesma forma que ela chegou e falou comigo ela se despediu e saiu conversando animadamente com seus colegas.
Depois daquilo saí de lá e continuei vagando pela cidade, em parte acompanhado por Sir Tussan que me mostrou lugares interessantes, e outros que me deixaram rubro de vergonha. Prometemos nos encontrar outras vezes para visitar o templo. De resto percorri a cidade perdido em meus pensamentos até voltar aos aposentos dos serviçais.Não consegui participar das festividades noturnas deles hoje. Só queria escrever no diário para ter bem marcadas as lembranças de hoje e quem sabe ainda poder mostrar isso ao meu avô.
Dragon Slayer 28

Cinema
HALO: uma coisa é certa... mais dia menos dia e haverá uma adaptação do famoso jogo para o cinema. Pelo menos esta é a opinião de Peter Jackson. Na promoção do filme “Um olhar do paraíso” ele concedeu uma entrevista onde fora indagado sobre os boatos de que seu nome estava ganhando força para a adaptação deste jogo para o cinema. Segundo ele, após as filmagens de “Distrito 9” ele estaria sem “pique” para realiza-lo. Steven Spielberg também descartou um convite depois de muitos problemas com as cláusulas do contrato da Microsoft.FÚRIA DE TITÃS: o remake de 1981 ganhou os três primeiros posters, pelo site Movifone. Num deles Perseu (Sam Worthington, “O Exterminador do Futuro: A Salvação”) mostra a cabeça da Medusa. No filme teremos contado o mito de Perseu na busca pela salvação da princesa Andrômeda (Alexa Davalos, “Um Ato de Liberdade”). Um elenco de peso está no filme: Liam Neeson (“Cruzada”), Ralph Fiennes (“O Paciente Inglês”), Danny Huston (“30 Dias de Noite”), Gemma Artenton (“Quantum of Solace”) e Mads Mikkelsen (“Cassino Royale”). Com direção de Loius Leterrier (“O Incrível Hulk”) a estréia será em 2 de abril de 2010.

DEADPOOL: já com o ator principal escolhido – Ryan Reynolds (“X-Men Origens: Wolverine”) para viver o herói ainda não há um diretor escolhido. Por enquanto os caminhos apontam para Quentin Tarantino. Pelo menos este é o desejo de Ryan Reynolds. Segundo ele: “Você pensa em diretores para um filme como esse e você imediatamente imagina Quentin Tarantino, ou alguém como ele. Obviamente, Tarantino é um cara que gosta de dirigir o seu próprio material, então tem uma boa chance de ele não ser o cara. Nós todos temos nossas listas de diretores dos sonhos”.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

Jogos de Tabuleiros





domingo, 13 de dezembro de 2009
Livro

Já disse isto anteriormente, em outras postagens sobre o assunto, mas vampiros são de longe um dos temas mais adorados e utilizados na literatura e no cinema, além de muitas outras mídias. Mas no Brasil, até bem pouco tempo, este tema estava relegado ao segundo (ou quem sabe terceiro) plano. Mesmo obras interessantes e de qualidade, como as de André Vianco, não estouravam na mídia com facilidade. Mas estamos em novos tempos. Com a incrível catapultada que a franquia “Crepúsculo” deu no tema, começam a pipocar em todos os cantos crias desta nova febre. E as obras da maranhanse Nazarethe Fonseca são um desses casos.
O primeiro lido da série Alma de Sangue foi lançada ainda em 2005, mas só ganhou uma revitalização consistente neste ano de 2009. Com o título de “O despertar do Vampiro” a autora introduz o tema aqui em terras brasileiras. Nesta história temos o vampiro Jan Kman que após despertar de seu sono em um casarão na cidade de São Luiz pelo trabalho de operários se apaixona pela responsável pela restauração do casarão, Kara Ramos. Ele a considera como a reencarnação de um antigo amor. Mas o sentimento não é recíproco.
É inegável que ela bebeu de autores consagrados. De Anne Rice ela tenta recriar a figura de Lestat – ora sensual ora mortal. Do próprio André Vianco, que assina seu prefácio, ela assimilou e empregou a efeito de deixar muitas pontas soltas ao final do livro para continuações. Quanto ao livro em si ele tem uma qualidade que não faz ninguém se arrepender de compra-lo. Com uma leitura fácil ela peca apenas ao final, onde se torna um pouco cansativo. No mais a história é contada em forma de flashbacks, exigindo um pouco de cuidado para o leitor não se perder, mas nada exagerado. São 432 páginas agradáveis para uma rápida leitura, pela editora Aleph.
Trecho do Livro:
O aparelho de som parou. Ergui-me preguiçosa do assento e dei uma longa olhada no desenho. Ficara perfeito. Satisfeita com o resultado, resolvi encerrar o trabalho. Olhei pela janela, fitei o relógio de pulso e me assustei. Passava das sete horas, o vigia estava muito atrasado. Recolhi minhas coisas e deixei tudo organizado à minha volta. Tirei o boné e penteei o cabelo rapidamente, para logo em seguida refazer o rabo – de - cavalo. Mochila nas costas, mesa organizada, tomadas desligadas, tudo arrumado… A janela! Fui até ela e a fechei; cruzei o quarto em direção à porta e nesse momento as luzes se apagaram. Não somente as da sala, mas todas as luzes do casarão. O susto foi tão grande que gritei. Simplesmente, não via um palmo à frente do nariz. Não sobrounada, nem uma fresta de luz para guiar-me. Fiz meia-volta e ali fiquei, tentando achar qualquer coisa para guiar minha saída do casarão.
— Estúpida! — gritei comigo mesma. Afinal, tinha um isqueiro no chaveiro.
Toquei a calça em busca das chaves e do isqueiro para me lembrar que o havia retirado dali a pedido de Alva… — Ai, droga! Merda… — xinguei, após esbarrar na mesa e machucar o quadril. Era isso! Estava sobre a mesa em algum lugar, mas onde? Toquei a superfície da mesa e passei a mão sobre papéis, canetas, tesoura… Onde está? — perguntava- me, desesperada.Medo. Esta era a definição mais precisa para o que sentia. Sempre tive medo do escuro, fugia ao meu controle, perdia a noção de espaço, de onde estava e, simplesmente, me sentia sufocar. Levei a mão à testa suada e notei que tremia de tão apavorada.
Decidida a me acalmar, comecei a repetir:
— Não há nada no escuro, não há nada no escuro. — Enquanto dizia as palavras, respirava fundo tentando recobrar o fôlego e o controle. Com as mãos sobre a mesa, recomecei uma busca mais calma; quando toquei o isqueiro, gritei de alegria. — Graças a Deus! — Afinal, não foi fácil encontrá-lo e quanto mais acendê-lo. Tentei três vezes sem nada conseguir. Só consegui respirar melhor depois de ver a chama frágil tremular à minha frente, dando-me confiança.
— Não tenha tanto medo do escuro.
O aviso soou de maneira suave, sensual, cortando a escuridão como uma flecha. Ergui os olhos e dei de cara com um completo desconhecido. Sentado comodamente na cadeira, na cabeceira da mesa, ele me observava de maneira calma. Fiquei tão aborrecida com a possibilidade de ele ter me visto naquele estado de pavor que não o olhei direito.
— Que houve com as luzes? — perguntei, achando que se tratava do vigia.
— Eu as apaguei — falou insolente, sem sequer levantar-se.
— E por que o fez? Não há necessidade de o casarão ficar às escuras — faleitaxativa.
— Gosto do escuro — falou, sem dar um pingo de importância ao que eu dizia.Seu rosto não parecia ter movimento; os olhos azuis brilhavam no escuro, fazendo aquele efeito só conseguido por cães e gatos.
Ele pareceu notar que eu o observava e deu-me um leve sorriso, mas um sorriso malévolo e malicioso. Recuei para trás um tanto assustada.
— Quem é você e o que faz aqui? — perguntei, notando que a voz estava trêmula.
— Acho que a invasora aqui é você — falou, apontando o dedo em riste emminha direção. Somente naquele momento percebi suas roupas estranhas, ou melhor, antigas. A manga de sua camisa era larga e trazia no punho cordões e uma renda que provavelmente algum dia fora branca, bem como o resto da camisa.
— Vamos, diga! Que faz em minha casa? Que está havendo, onde estão os móveis e todo o resto? — perguntou, alteando a voz, fazendo-me piscar de susto.
Fiquei tão atônita surpresa que ri dele. Foi isso mesmo, eu ri. Nervosismo, medo, sei lá! Mas não foi uma das atitudes mais acertadas a tomar,porque ele ficou furioso. Saltou da cadeira e ficou em pé para mostrar quanto era alto e forte. Seus ombros largos eram valorizados pela camisa de tecido solto. Foi com grande surpresa que notei o lenço de seda em volta de seu pescoço largo. Era um Plastron, uma espécie de gravata usada no século XIX, se não me engano.
— Do que ri? Acha que sou algum bufão, um truão para rir de mim? — perguntoumais alto e muito mais agressivo enquanto andava para a frente.
— Não se aproxime! — gritei, reagindo no mesmo tom, recuando para trás.
— E quem pensa que é para gritar comigo, sua pequena insignificante! — Seus movimentos assemelhavam-se ao de um tigre. A calça preta moldada perfeitamente às suas pernas másculas, fortes. Não sei bem ao certo como, mas, totalmente assustada, ainda conseguia sentir-me atraída. Sua beleza chegava a ser um insulto, a assustar, essa era a verdade. — É só isso que consegue sentir? Medo? — o homem perguntou, quase ofendido. Passou a mão pelos cabelos loiros presos numa fita escura e continuou a falar: — Kara, Kara, Kara, pensei que fosse mais corajosa, forte, decidida — falou com um leve sotaque que, no momento, não identifiquei.
— Como… como sabe meu nome? — tentava lembrar-me de onde conhecia seu rosto. Foi em vão; nunca o tinha visto em toda minha vida, mas seu olhar… eu conhecia.
— Sua amiga, a negra forra, falou, enquanto usava aquela estranha máquina.Diga-me, sua mão melhorou? — O modo descuidado como falou me chocou.
— De onde afinal você saiu?
— Do sótão, é claro.
— Ai, meu Deus!
— Você chama muito a “Deus”; ele a ajuda tanto como parece?
— Olhe, não sei de onde diabos saiu, mas ordeno que saia desta casa imediatamente!— falei, tentando parecer o mais segura possível. O silêncio foi quebrado comsua gargalhada, no mínimo gostosa.
— Kara, você deve ter sido uma menina muito mimada e levada, mas lhe digo,uma boca tão perfeita e carnuda não deveria ser manchada com tantos palavrões; contei quatro, apenas enquanto a vigiava — comentou cínico. — Agora, vamos — falou, estendendo a mão num convite perturbador.
— Acho melhor não tentar.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Conto
Ainda nos primórdios da criação de Arton, Allihanna vislumbrava encantada toda a magnitude de criaturas criadas por ela. De ponta à ponta do continente centenas de milhares de espécies de animais e plantas cresciam e floresciam. Cada novo nascimento lhe conferia um êxtase de satisfação indescritível. E cada um fora moldado por suas próprias mãos.
Mas havia um canto isolado naquele universo de terra e água. Um lugar desolado, árido, inóspito e vazio. Um lugar de calor e areia. Para ela era um lugar maculado. Um lugar que não merecia sua atenção. Negava-se à criar qualquer coisa diferente de dureza e aridez do ambiente.
Um dia Allihanna procurou Azgher em seus domínios. Sob a forma de uma humana feita em parte de carne, em parte de ramos e galhos, foi ao encontro do enorme beduíno sentado sobre uma pedra. Com o vento arrastando a areia que desviava naturalmente da figura, o calor era incrível. Por onde Allihanna caminhava, na direção de Azgher, pequenas pegadas de relva verde brotavam para logo depois secarem e sumirem frente aquela inóspita condição.
“- Este lugar é morto, como o coração de quem o governa” – declarou calmamente a deusa.
“- Muito pelo contrário fêmea. Este lugar, o meu, é vivo como a chama que nunca se apaga. É ardente como a vida de quem luta pela sobrevivência. É o lugar de fortes” – exclamou Azgher sem virar a cabeça na direção da deusa.
“- Nada belo vinga. As criaturas têm de se esconder sob o manto da deusa negra nas profundezas. Se és dono disto, és dono de um nada. E não por menos que d-i-v-i-d-e-s esta ‘tua terra’ com Tenebra” – exclamou a deusa com desdém.
“- A insolência não lhe cai bem aos lábios senhora das bestas. Se nada belo foi criado por ti para esta terra é por que simplesmente não tens a capacidade de ver a beleza do detalhe da flor do cactos no amanhecer nem a sincronia nas ínfimas pegadas do escorpião na fina areia.”
“- E tudo isto criado por mim” – declarou ela abrindo os braços e girando lentamente vendo em sua mente cada ser criado por ela – “mas tu conseguiste criar um mundo de areia e pedra, de dor e morte”.
Azgher bufou mesclando indolência e desinteresse – “Tu és uma deusa. Tu és uma igual entre as iguais. Tens poderes para criar qualquer coisa. Faça se quiseres”.
“- Claro que posso fazer. Mas por que faria? Esta terra tem de ser como seu deus” – abaixou e pegou um punhado de areia numa das mãos e ficou deixando-a escapar lentamente por entre os dedos e a vendo voar ao vento – “tudo igual como cada duna”.
Pela primeira vez Azgher moveu a cabeça e uma tempestade de areia formou-se ao longe. Ele se levantou lentamente e a terra tremeu.
“- Queres beleza!” – gritou com voz de trovão transformando o vento do deserto em tormenta de pedras – “terás!!”
Azgher cresceu em cem vezes. Mais imponente do que nunca parecia que seu diurno sorriso havia descido ao chão. Ele lançou uma de suas descomunais mãos à areia trazendo-a repleta. Tal como uma prensa juntou as duas mãos pressionando a areia com toda a força de um deus.
Moveu-se alguns passos em direção à um oásis. Com um movimento ele arrancou o pequeno ponto de água em meio à areia e junta com a terra que já estava numa das mãos, pressionando-os novamente.
Brilhando cada vez mais sua voz começa a ecoar por todas as partes do deserto.
“- Meu filho... Te darei vida para seres ímpar em meu reino. Te darei vida para embelezar meu mundo. Te darei vida para seres invejado. Terás tudo e darás tudo ao meu povo. Como irmãos dominarão minhas areias, beberão em meus oásis e rogarão à mim, apenas à mim. Sede perfeito. Sede inteligente como a irmã Tanna-toh, sede justo como o Khalmyr, sede sagaz como a grande serpente, sede implacável como Keenn, sede vivaz como Lenna, sede saudável com a benção de Marah, sede rebelde como Ragnar e sede indócil e livre como Nimb. Sede digno de meu nome”.
Azgher pressionou mais ainda as palmas das enormes mãos. O deserto ao seu redor fervilhava num horror de tempestades, trovões e terremotos. Apenas onde estava Allihanna estava calmo e sereno como uma manhã de primavera.
De repente tudo parou como se nada tivesse acontecido. Aos poucos ele foi afrouxando as mãos até que elas se separaram.
Na palma de uma delas ficou um animal. O mais lindo de todos. Um cavalo, mas diferente de todos os outros. Um representante único, perfeito. Mesmo Allihanna ficou perplexa com tamanha formosura.
Indócil sobre a palma da mão de Azgher, o cavalo empinava e relinchava. Mas, sob o olhar severo do deus ele silenciou e como reverenciando abaixou a cabeça.
“- Vá....” – Azgher assopra suavemente o cavalo sobre sua mão criando uma fina tempestade de areia que viajou no ar formando como se uma manada de garbosos exemplares dele. A manada dividiu-se e direcionou-se para muitas direções espalhando-os por todos os cantos do deserto.
Azgher volta ao seu tamanho anterior e novamente senta sobre a rocha. Allihanna ainda na mesma posição vira-se par partir, mas para, de costas e faz uma última pergunta – “de quase todos os deuses ele ganhou algo, e de mim o que tem?” – indagou a deusa permanecendo de costas.
“- Nada” – respondeu Azgher sem se mover – “ele não precisa, eu o fiz de areia e água, eu o fiz de mim, não responderá à mais ninguém.”
Nota: Este foi um pequeno conto que escrevi para o projeto Deserto da Perdição. Muita coisa interessante ainda sairá de lá. Para acompanhar nosso trabalho por lá é só dar uma olhada AQUI!
Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

Nível de Poder: 10
FOR 12 (+1) DES 14 (+2) CON 12 (+1) INT 14 (+2) SAB 16 (+3) CAR 12 (+1)
Resistência +1; Fortitude +4; Reflexo +4; Vontade +5.
Ataque +8, +12 [Soulsword]; Dano +1 [desarmado], +8 [Raio místico], +9 [Soulsword]; Defesa +8; Esquiva +4; Iniciativa +6.
PERÍCIAS: Acrobacia +6, Blefar +6, Concentração +10, Conhecimento [Arcano] +9, Idioma 2 [Russo/nativo, Inglês], Intimidar +9, Intuir intenção +7, Notar +5.
FEITOS: Ambiente favorito [Limbo], Artíficie, Assustar, Duro de matar, Iniciativa aprimorada, Presença aterradora, Ritualista, Sem medo, Transe.
PODERES:
Magia 10 {Teleporte 10 [Extra: Portal; Falha: Check Required* (Concentração) - PA: Supermovimento 4 (Falha: Check Required* (Concentração) - Movimento dimensional, Movimento temporal 3]; Supersentidos 1 [Detecção – descritor místico]; Escudo Mental 4; Weapon Summoning* 8 [Falha: Limitado +0/apenas uma arma - Soulsword]; PES 5 [visão e audição]}
Repertório [Senhora do Limbo] 10 [Extra: Amplo; Falha: Limitado: Apenas no Limbo] {Base: Controle do Fogo Infernal 10 [Dinâmico] - PA: Controle de Fogo 10 [Dinâmico]; PA: Controle Mental 8; PA: Controle da Terra 8; PA: Imunidade 30 [Dinâmico – Qualquer jogada que exija uma jogada de salvamento fortitude]; PA: Escudo 8 [Dinâmico – Descritor/Místico]; PA: Raio 8 [Dinâmico – Feito: Afeta intangível]; PA: Morfar 8 [Qualquer forma]; PA: Criar Objeto 7 [Dinâmico – Feito: Preciso]}.
Dispositivo [Soulsword] 9 [Nulificar [descritor mágico] 7 (Extra: Resistência ao poder]; Proteção 8; Golpe 9 (Falha: Limitado/apenas criaturas com descritor “mágica”; Feito: Acurado 2, Afeta intangível, Crítico aprimorado)]
Pontos: 150
20 (habilidades) + 7 (salvamento) + 32 (combate) + 9 (perícias) + 9 (feitos) + 73 (poderes)
*Ultimate Power
Quadrinhos
O grande sucesso dos cinemas deste final de ano, Atividade Paranormal, ganha uma continuação em quadrinhos. Lançado pela IDW Publishing esta produção tem o nome de "Atividade Paranormal: Busca por Katie, um estudo de caso pelo Dr. Johann Avery". Nela o Dr Avery se junta à um detetive na investigação da origem do demônio que está no primeiro filme. Esta produção será exclusiva para usuários de iPhone e iTune. Os produtores da Paramount e o gerentes da IDW querem aproveitar o sucesso desta obra surgido pela propaganda boca-a-boca.e ampliar a abrangência da franquia - "é um filme que deve sua popularidade enorme com os fãs pela publicidade boca-a-boca. Estamos empolgados em trabalhar com IDW para explorar novas linhas de histórias e temas tocados no filme” - disse Michael Corcoran, presidente da Paramount.
Se você desejar baixar estes quadrinhos é só acessar o site Apple iTunes.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Rank da Área Cinza
Foi lançado o rank para o mês de novembro do blog Área Cinza, outro rank conhecido nosso. A principal caracterísitca desse rank é que ele lista os melhores vinte blogs e sites sobre RPG. Então muita coisa aparece de diferente por aqui.
Então vamos aos colocados:
1 - RPG Online
2 - Ambrosia
3 - Devir
4 - Rede RPG
5 - Paragons
6 - Spell RPG
7 - Daemon
8 - O Goblin
9 - Jambô
10 - Moonshadows
11 - RPGArautos
12 - D3system
13 - RPG.Blogs
14 - Pergaminhos Dourados
15 - Rolando 20
16 - Non Plus RPG
17 - Nittro Dungeon
18 - A Matilha
19 - .20
20 - Dados Limpos
Com apenas dois blogs entre os dez primeiros tivemos muitas quedas de blogs no conjunto de pesquisa da Área Cinza, mas nada que tenhamos de nos preocupar.