domingo, 9 de novembro de 2008

Romance II

REVELAÇÕES
Julio "Julioz"

Capitulo – 1 “Caminho de casa” (continuação)


A luta recomeçara.

Os dois atacaram ao mesmo tempo desferindo uma serie de golpes com ambas as espadas. Enquanto um atacava o outro desviava, e assim alternadamente. Espadas se encontravam ocasionalmente. Os dois eram especialistas em esquivas, e faziam isso como uma arte. Randorill iniciara um movimento repentinamente, seu aluno recuou a tempo, e a lamina passou a alguns centímetros de seu rosto. O jovem desferiu uma estocada com as duas espadas, dando um passo a frente. O professor aparou com a arma da mão direita, deixando assim todo o corpo do aluno desprotegido. Em contra-ataque girou o corpo, acertando-o aluno no flanco com uma arma após a outra.

O jovem recuou alguns passos, ainda sentindo o peso dos golpes. Conseguiu se equilibrar com algum esforço, olhou para baixo e percebeu onde seu corpo tinha sido acertado. As duas marcas ficaram impressas em sua camisa, assim como a dor. Abaixou-se sobre um dos joelhos. Estava sem fôlego. Respirou longamente e sentiu dor. Uma de suas costelas devia estar quebrada.

“– Levante-se. Tenho que lhe acertar mais uma vez antes que desista – o professor parecia cansado, mas mantinha a postura perfeitamente ereta.”

“– Não acredita mesmo que eu vá desistir agora, acredita? - o jovem usou as espadas como apoio e se pôs de pé – Hoje vou lhe provar que posso vencer!”

“– Venha! – era Randorill, enquanto secava o suor da testa com a manga da camisa.”

Dessa vez, o avanço foi calculado. O estilo de luta usado pelos dois era propicio a defesa, mas quando no ataque, cobrava velocidade e resistência. A fadiga já começara a avançar, o ímpeto inicial cessara, estratégia tinha sido a saída adotada no combate.

O jovem saltou e desceu as espadas na vertical com força. O professor desviou as armas com as suas. O jovem estocou na altura do estomago e no ombro esquerdo, mas com um giro Randorill passou entre as laminas vermelhas já contra atacando. O aluno precisou se jogar no chão e largar uma das espadas para escapar. Ao tocar o solo, já se pôs em movimento rolando para esquerda evitando um ataque duplo.

O aluno recolheu a espada que soltara a tempo de usá-la para aparar. Conseguiu ficar de pé antes de se esquivar três vezes seguidas, abriu os dois braços e tentou cortar em direção ao centro. O professor apenas recuou um passo, e as armas encontraram somente o vazio. Aproveitando o impulso das armas o jovem desceu a espada da direita. Na diagonal. Randorill a evitou facilmente com outro giro já preparando o próximo ataque. Ao girar, confiante que seu ataque seria o ultimo, recebeu no centro do peito uma estocada fortíssima. Sua cota de malha quebrara no lugar do golpe. A tinta vermelha se transferia rapidamente para o tecido branco.

O professor parara pela segunda vez. Os anéis da sua cota de malha caiam aos montes. A armadura estava arruinada. Randorill embainhou as duas espadas, e soltou o nó que prendia a cota em suas costas. Retirou-a por cima da cabeça e a arremessou a esmo.

Cansaço, ansiedade e dor. Sentimentos partilhados pelos dois naquela hora. As espadas já apresentavam fissuras e arranhões, e a tinta vermelha estava chegando ao fim.

“– Dois acertos pra cada - o jovem falava com as espadas totalmente abaixadas – ainda acha que não aproveitei bem seus ensinamentos?”

"– Foi uma boa jogada, nada mais. Cuidarei para que o próximo ataque a acertar o oponente seja o desferido pelas minhas mãos". – provocou o professor.

“– Posso lhe garantir que não será!”

Com as espadas cruzadas a frente do corpo e andando lateralmente, o aluno voltou ao combate – Hoje, me sagrarei vencedor!

O combate terminaria nos próximos minutos. Caso o aluno conseguisse a vitória estaria livre para retornar para casa. Caso perdesse, deveria se preparar por mais um ano, antes de ter a chance de um novo combate.

Randorill imitara o gesto. A técnica dos dois era exatamente a mesma. Um erro cometido agora não teria volta. Os dois estudavam cada movimento, se aproximavam, fintavam ataques, mas não se tocavam.

Ele avançou com ímpeto impressionante. A fadiga deixou de incomodar. A juventude prevaleceria, a vontade prevaleceria, a ambição seria o ponto final. O jovem atacou por todas as direções, suas espadas no momento inicial pareciam furacões, tornados, fenômenos da natureza. O professor se assustara , estava sentindo extrema dificuldade para escapar dos golpes. Quase tinha sido tocado três vezes seguidas. Esperou o momento propicio e se jogou no chão. As laminas ferozes erraram por pouco. Randorill se levantou rapidamente, atacou seu oponente mirando-lhe as costas. O jovem por sua vez, de novo esperava o ataque. Mirou seu golpe no meio da espada adversária, o intuito não era o normal, desviar, ele queria mais.

As espadas se acertaram com força total. Dois ataques magníficos desferidos ao mesmo tempo. As duas vibraram nas mãos de seus donos. O impacto amortecera o braço do jovem. Ele piscou sem acreditar, nunca atacara com tamanha força. Olhou para o braço que doía e depois para a espada. Espanto. Ela jazia agora quebrada, o choque tinha sido enorme, sua lamina tinha sido mais requisitada na defesa. Rachou e explodiu em pequenos pedaços de ferro forjado, a metade de cima aguardava caída no chão, inerte. Seus olhos subiram em direção ao professor. Ele pôs-se em guarda como esgrimista e esperou.

“– Belo ataque meu rapaz. Para um pederasta como você, pode se considerar um grande feito. Pelo que vejo, terá de lutar em desvantagem.”

“– Vencerei com, ou sem espadas – provocava o aluno sem saber se acreditava nas próprias palavras – Sempre disse que podia vencer sem uma das mãos, hoje só te provarei que falava a verdade.”

“– Não lhe darei tal gosto. – e com isso enterrou a lamina de sua espada até o meio no piso frio – Lutarei a sua maneira!”

Avançaram e o combate reiniciou. Os ataques agora eram menos cuidadosos, o momento sugeria ousadia. A mesma espada que atacava tinha de defender. A luta com uma espada, sem escudos, penderia ao mais ousado. Randorill usava de inteligência, fazia seu prodígio defender os braços, as pernas e o tronco á todo momento, deixando-o assim sem chances para o contra-ataque. O aluno combatia bem, não atacava, mas estava se saindo melhor do que esperava. Defendeu-se por mais dois longos minutos e conseguiu seu primeiro ataque. A troca de golpes se tornara normal, intercalavam-se em defesa e ataque perfeitamente. Estranhamente, os dois sorriam.

“– Agora! – o jovem em um salto a frente surpreendeu o adversário, sua espada em um arco cortou o ar em direção ao ombro inimigo. O professor girou para lado esquerdo se esquivando por pouco. Ele atacou novamente com uma estocada, que o professor aparou com a espada.”

O combate continuou acirrado, o professor levava vantagem na experiência, o aluno na juventude. A variação de manobras era impressionante, cada golpe nunca era repetido. Nenhum dos dois ousava parar a essa altura. Voltar atrás não era uma opção.

Os ataques do aluno, não mais visavam seu combatente, Randorill percebera que sua espada se tornara o alvo. Defendeu-se por mais alguns minutos sem entender a estratégia adversária.

O jovem parou de sorrir. Estocou ameaçadoramente e recuou propositadamente. Aproveitando o espaço, o professor partiu ao ataque com a espada preparada. Levou a arma acima da cabeça, desceu-a com toda a força que lhe sobrava caindo na armadilha. O aluno não acreditava como seu simples truque não fora percebido. As longas partidas de xadrez, que jogara obrigatoriamente contra Randorill, tinham vencido a batalha.

Dera a impressão de descuido, mas sua verdadeira intenção só seria descoberta tarde demais. Contra o ataque do professor, revidaria igualmente. Levantou sua espada e rapidamente a fez descer. As laminas se tocaram no alto, novamente sentira seu braço adormecer, hesitou por alguns segundos, mas se manteve firme. Uma fissura prendia uma na outra como tinha previsto.Randorill sem perceber a gravidade de sua ação, colocou todo seu peso sobre a disputa. Passaram alguns segundos de puro silencio, e finalmente algo aconteceu. A lamina do professor começara a rachar, linhas aleatórias preencheram toda a espada. Um segundo estouro aconteceu, e os pedaços voaram.

Randorill, o professor de combate, que nunca havia perdido uma batalha na escola onde lecionava, despencou. A espada do aluno o derrubara, o golpe que destroçou sua arma o acertara em cheio. A tinta mágica tinha sido transferida totalmente a sua camisa. Uma mistura de tinta vermelha e suor, se espalhava por todo o tecido. O aluno sentiu euforia. Caiu de joelhos. Seu corpo não agüentaria nem mais um minuto de pé. Olhou o professor que levantava sem graça, fechou os olhos, abriu os braços e desmaiou.

O professor estava contente, em seu intimo sentia extrema felicidade. Aquela criança jovem e imatura que conhecera há cinco anos tinha mudado, mudado para melhor, tinha finalmente entendido. O treinamento excedera suas expectativas.

“ –Você venceu; o ciclo está completo; sua família o espera. Já pode se considerar um homem livre – Em seu rosto, um sorriso paternal – Volte para casa, Islade Valkair.”

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Entrevista da Confraria

A Confraria entrevista:
Marcelo Cassaro

O terceiro entrevistado da Confraria é Marcelo Cassaro. Muito embora ele não precise de apresentações vamos lembrar que ele é o criador do 3d&t, editor da Dragon Slayer e membro do "Trio Tormenta"... Não precisa dizer mais nada!

1) 3D&T é inegavelmente um dos sistemas mais jogados no Brasil. Como foi ser o responsável pela criação deste sucesso num ambiente, naquela época, cheio de grandes sistemas como D&D 3ª Edição, GURPS e Mundo das Trevas, chegando até o 3D&T Alpha?

Não foi coisa intencional. Ninguém nunca pensou “vamos fazer um RPG para superar todos os outros”. 3D&T só apareceu porque, em certo momento, percebemos que só estávamos ajudando outras editoras a divulgar e vender seus próprios produtos — sem autorização delas. Claro, essas editoras (especialmente a Devir) em geral aceitavam a ajuda sem reclamar. Mas na prática, era ilegal. AD&D, Gurps e Vampiro não eram Licença Aberta — até hoje o público não sabe, mas o acessório não-oficial Temporada de Caça por muito pouco não levou a um processo judicial.

A Trama Editorial (mais tarde Talismã) aceitava esse tipo de risco, por isso produzimos muito material dessa natureza enquanto estivemos lá. O mesmo não vale hoje para a Editora Escala, que publica a DragonSlayer; por isso a revista trata apenas de Sistema D20, por ser Licença Aberta.

De qualquer forma, 3D&T começou como nossa segunda tentativa para um sistema próprio (a primeira, na verdade, tinha sido o Sistema Daemon). E com certeza foi mais bem-sucedido que o esperado: até hoje, a revista Dragão Brasil que trouxe o primeiro Manual 3D&T como brinde foi a edição mais vendida da revista.

2) Depois de cinco anos com 3D&T parado, pelos motivos que todos já sabem, como foi estar novamente debruçado sobre ele? Muitos planos foram retirados da gaveta ou esses cinco anos serviram para uma reformulação mais profunda de conceitos?

Não tenho certeza se todos já sabem os motivos, então minhas desculpas por repetir tudo aqui. Essa história, eu faço questão que seja conhecida: Eu, Rogério Saladino e J.M.Trevisan conduzimos a Dragão Brasil durante uma década sem grandes problemas. Por volta de 2004 a editora mudou de direção, e tivemos problemas com essa nova direção. Estavam deixando de fazer pagamentos aos colaboradores. Gente esforçada e talentosa não estava recebendo por seu trabalho.

Foi quando Marcelo Telles, na época um de nossos colaboradores, sabendo dessa situação ruim, nos traiu. Fez secretamente uma proposta à editora, afirmando que poderia fazer a DB com seu próprio time. Graças a essa oferta a editora podia continuar com a DB, que era muito lucrativa na época, sem precisar pagar suas dívidas com a antiga equipe.

Essa fase enterrou a revista, que teve as piores vendas em sua história. A diretoria tentava compensar relançando nosso material antigo — incluindo livros 3D&T, sem pagar direitos autorais. Nosso trabalho pagava o salário do traidor. Para não compactuar com aquilo, deixei de produzir qualquer coisa para 3D&T. E então foi apenas questão de esperar o inevitável naufrágio.
Não posso dizer que havia muitos planos na gaveta, porque eu não achei que 3D&T sobreviveria. Minha intenção era trabalhar apenas com D20. Mas os anos mostraram que o jogo não morria assim tão fácil e, como a Jambô tem sido uma boa casa para nossos títulos, veio a idéia de voltar.

Depois de alguns anos mexendo só com D20, examinar de novo o sistema foi engraçado. Eu olhava uma regra, pensava “onde eu estava com a cabeça?” e mudava.

3) Um dos pontos que muitos aplaudem, com relação à 3D&T, é a incrível facilidade de entendimento por parte de iniciantes, servindo como ótimo elemento introdutório ao rpg. Numa entrevista que tu deste na edição número cem da DB disseste que se soubesse que Defensores de Tóquio seria tão bem-sucedido o teria feito mais genérico e mais avançado desde logo no início. Ainda tens esta opinião visto que o sucesso permanece o mesmo?

Perceba que o “início” de 3D&T foram revistas avulsas licenciadas de Street Fighter e outras franquias. Eram licenças de sucesso transformadas em RPG, precisavam de um sisteminha para acompanhar — Capcom era o produto principal, não 3D&T.

Aqueles módulos tinham regras focadas em cada cenário, não foram pensadas para virar algo genérico. Levitação só tinha esse nome porque apareceu primeiro na ficha de Dhalsim (muito tempo depois a vantagem serviria para voar, mas continuava se chamando “Levitação”). Essa e muitas outras decisões teriam sido diferentes, se eu soubesse que 3D&T seria tão popular.

4) Tu tens alguma relação com os Estúdios Maurício de Souza, não é!? A turma da Mônica sempre foi o bastião de resistência da produção nacional de quadrinhos contra gigantes do mercado internacional. E mesmo depois de tanto tempo o que se vê é o declínio destes produtos internacionais e a permanência, cada vez mais forte, dos quadrinhos do Maurício de Souza. Qual a importância dessa resistência, e sucesso, que ocorreram tanto com a turma da Mônica quanto para um cenário como Tormenta (cem por cento nacional)?

Muitos autores nacionais queixam-se da competição com franquias importadas, queixam-se que o público rejeita material nacional. Francamente, isso é pretexto para incompetência.

O autor nacional tem uma vantagem insuperável sobre o autor estrangeiro: nós sabemos quem somos, sabemos como somos, conhecemos nosso público. Podemos focar nosso trabalho na personalidade, na cultura brasileira — e não digo que “cultura” seja apenas fazer histórias sobre nosso folclore, carnaval ou futebol. Temos características ausentes em outros povos. Um autor ciente dessas características sabe produzir coisas interessantes para o público brasileiro. E um autor NÃO ciente disso, mas talentoso, ainda assim consegue ser bem-sucedido — porque ele é nativo da mesma cultura e teve as mesmas influências.

5) Estamos chegando ao aniversário de dez anos de Tormenta. Normalmente alguns planos vão ficando na gaveta por faltar inspiração ou algo parecido ou falta de tempo simplesmente. Tem alguma coisa que tu considere que foi ficando em segundo plano, mas que já está na hora de ser abordado?

Várias coisas já passaram da hora de abordar. Algumas não dependem de mim. Outras exigem tempo que não tenho. Acho que a prioridade no momento é concluir Tormenta OGL como um livro básico independente, agora que a Wizards desistiu de D&D 3E e não sabemos quanto tempo ele ainda durará aqui.

6) Muitos autores são pouco (ou muito) ciumentos com seu trabalho. Mesmo sabendo que Tormenta foi um trabalho em conjunto de três pessoas como tu viu os romances do Leonel e seu desenvolvimento dentro do cenário?

Muita gente mais talentosa que eu trabalhou (e ainda trabalha) em Tormenta, escrevendo e/ou ilustrando; se tivesse ciúme de todos eles, pode apostar que eu seria alguém beeem frustrado. Só fico aborrecido mesmo quando não gosto do resultado final. E mesmo assim, às vezes é necessário — o cenário precisa avançar, as coisas precisam acontecer. Nem todos os livros de Tormenta saíram 100% do jeito que eu gostaria, mas é melhor que não sair nunca.

Se tenho alguma reclamação com relação ao Leonel, foi não conseguir acompanhar tudo mais de perto — e também não ter mais tempo para tentar alguma coisa desse porte eu mesmo. Ele e o Trevisan conseguiram uma obra-prima e merecem os parabéns. Mas eu tive a sorte de trabalhar com o Leonel em Área de Tormenta e Piratas & Pistoleiros, que são ambos fantásticos.

7) Sendo um autor de sucesso no ramo de rpg (e nem se atreva a dizer o contrário hahaha) como tu vês a iniciativa de um projeto como Aliança Negra que gerou, na minha opinião, um bom material para o cenário?

Vejo que o criador original da Aliança Negra deveria se mexer, ou vai acabar sendo demitido do cenário, seguindo as novas tendências...

Falando sério, o Trevisan tem razão quando diz que “nossos fãs são os melhores”. E eu digo que esse é o espírito, os jogadores não deveriam esperar que os autores tomem todas as decisões, resolvam todos os problemas. Pode parecer discurso pré-fabricado, mas um cenário de RPG pertence aos fãs, eles podem fazer o que quiserem, mudar o que quiserem. Fico mais feliz quando surge algo assim, em vez de e-mails perguntando “quando é que sai isso e aquilo e aquilo...?”

8) Depois de toda esta experiência acumulada com 3D&T e Tormenta, quais os erros que devem ser evitados num cenário como Moreania?

Tormenta é grande demais, difícil demais de administrar. Vinte deuses! Trinta reinos! Centenas de NPCs! Por conta disso, foram anos até descrever totalmente o cenário, e mais alguns para resolver seus plots principais. E nem tudo foi ainda descrito ou resolvido. Por isso Moreania é bem menor.

9) A produção de material de rpg - seja para o cenário, seja para a DS - consome muito tempo. Existem projetos paralelos que teria vontade de colocar em prática?
Há quase um ano viajei ao Japão, trazendo na bagagem um monte de brinquedos e mangás. Até hoje ainda não tirei os brinquedos da caixa e nem comecei a ler nenhum mangá. Preciso fazer isso um dia destes.

10) Sem querer ser futurólogo, mas como tu acha que estará Moreania em seu aniversário de dez anos?

Espero que a essa altura seja um bom RPG massivo para celulares. Eles estarão ficando obsoletos por volta de 2017, mas eu gosto de videogame retrô.
por João

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Dragon Slayer 22

Dragon Slayer 22 está saindo


Dias atrás o blog do Trevisan apresentou a capa da edição 22 da DS e deu uma palinha dos artigos desta edição.

Notícias do Bardo - D&D 4E e a Licença não mais Aberta.

Encontros Aleatórios - Paladina, cadê os e-mails, criatura?!

Reviews - Manual 3D&T Alpha, Lobisomem: os Destituídos, Pathfinder RPG Beta

Sir Holland - HQ medieval

Mestre da Masmorra - Você não gosta de anime? Então vá pra...

Background - Mas então anti-herói não é o mesmo que anti-pulga?!

Chefe de Fase - Quando o playboy milionário Tony Stark resolve se tornar um lich, surge o...

Chefe de Fase - A Expedição da Academia Arcana chegou atrasada ao Mundo Perdido, então teve que estacionar aqui mesmo

Gazeta do Reinado - Você estava sentindo falta, né? Diz que sim!

Projeto Aliança Negra - Quando os fãs cansam de esperar o Trevisan.

Magia Moreau - A Mão, a Mente e — claro — a Magia.

Desafios - Para heróis e também para super-heróis.

Purpuri - Lembra daqueles elfos que deixam o coração largado por aí?

A Defesa de Norm - Aventura inédita, para palhaço nenhum dizer que em Tormenta são os NPCs que resolvem tudo!

Gnomos - Não é tão chato jogar com eles! (Mentira, é chato sim...)

Crash Test-Man - Quando aquele boneco dos Mythbusters ganha superpoderes...

sábado, 1 de novembro de 2008

Romance

Por mares nunca antes navegados
Parte 2 - A aventura inicia -
João Eugênio Córdova Brasil


VI. O Menino

A aparência do casebre não diferia muito do estado das poucas casas que ainda permaneciam de pé no fúnebre vilarejo. Estava até um pouco melhor do que as outras – ainda tinha paredes e teto. As paredes externas estavam chamuscadas e o teto parcialmente intacto. A coloração esbranquiçada – que outrora poderia ser chamada de pintura – já havia adquirido tons amarronzados à algum tempo.

O sol, que avançava em seu eterno percurso abençoado pelo deus Azgher, ia chegando perto do centro do céu. Sua posição trazia claridade para a vila, mas também criava um manto negro dentro da casa impossibilitando a qualquer um enxergar para dentro da habitação.

O som estranho se repetiu seguido agora de um gemido. Todos as atenções estavam depositadas na abertura daquela casa. Slocun já havia guardado seu sabre e recuperado sua pistola, deixando-a firme na mão. Tary, juntamente com outro marujo, estavam postando-se de ambos os lados da porta enquanto os outros permaneceram perto dos feridos.

Mais um gemido.

Slocun se aproximou lentamente, tentando fazer com que seus olhos se acostumassem com a pouca luminosidade do interior daquele cômodo.

Outro gemido.

Slocun já estava no vão de entrada, mas só conseguia divisar, com a claridade, alguns passos à sua frente. Mas sabia que não poderia ficar naquele impasse. A mão continuava firme em sua arma de pólvora. Deu mais um passo e adentrou no casebre. No segundo passo foi engolido pela escuridão.

Silêncio.

Do lado de fora todos permaneceram tensos na prontidão que lhes era esperada. Os ouvidos tentavam escutar muito além de suas possibilidades, mas agora até os gemidos haviam sumido.

Ninguém soube muito bem quanto tempo havia passado. Nem um instante ou uma eternidade seriam percebidos naquele momento.

De um ponto mais distante, junto com alguns marujos e à frente da porta, Syan segurou a respiração. À sua frente somente a porta e o breu. Alguns instantes e a mente começava a trabalhar na construção de fantasias – normalmente desagradáveis e pessimistas.

Um som novamente, baixo. Quase um sussurro.

Não era mais um gemido, mas sim um passo. Um passo em direção à porta. Algo estava saindo. A ansiedade mesclava-se à imaginação. Um pesadelo podia tornar-se quase palpável. Mas ainda era somente a ansiedade.
Um vulto transpareceu, ainda que enegrecido pelo breu do interior. A única certeza era de que estava vindo, lentamente, em direção à porta. Mais um passo e a figura disforme tomou consistência Outro passo e todos reconhecem Slocun. E em seus braços um rapaz. O capitão trazia junto um olhar frio, mas cheio de raiva, como se estivesse em muitos lugares, menos ali.

Ao sair da casa ele manteve o passo firme e constante sempre em frete, na direção de Syan.

Todos estavam paralisados. Mais pelo olhar no rosto do homem que se acostumaram a ver sempre descontraído e jovial, do que por todo aquele amontoado de atrocidades, ou pelo ente que carregava nos braços.

Slocun parou à um passo do sacerdote fitando-o firme – “Não o deixe morrer” – disse engasgando em cada sílaba. Abaixando-se lentamente colocou, com cuidado, o corpo do rapaz no chão. Ele não deveria ter mais do que treze anos.

- “Mas quem é ele Joshua?”

- “Ajude-o!” – gritou o capitão, passando a um “por favor” em sussurro como que caindo em si.

Prontamente Syan abre uma das pequenas bolsas que trás penduradas nos ombros. Enquanto procurava seus produtos apenas com o benefício do tato, ia avaliando a situação do jovem rapaz. E não era nada boa.

A fuligem e o sangue ressecado escondiam quase todo o corpo dele. Tinha os cabelos marrons e os olhos azuis. Seu olhar estava perdido mirando o vazio Tinha passado por muito mais do que se espera possível a sanidade suportar em um rapaz de sua idade. Os ferimentos eram abundantes e em todos os lugares imagináveis. Tinha perdido muito sangue. Era um milagre que tivesse sobrevivido.

“- Vocês, entrem e vejam se há outros sobreviventes” – ordenou Slocun – “e você Tary, vasculhe o que sobrou da vila”.



o O o


“- Ele está bem Joshua”.

“- Obrigado Syan. E os outros três?”– Slocun não tirava os olhos do jovem.

“- Estavam em melhor estado que o garoto, mas inconscientes”.

“- O garoto não pode morrer, entendeu?”

“- Ele vai sobreviver, não se preocupe. Mas por que tanta preocupação com ele Josh?”


“- Eu entendo a dor dele.”

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Novidades nas Telonas

Preparem-se amantes de Street Fighter

Tudo confirmado e bem adiantado para o lançamento que muito amante da série Street Fighter ansiava ou temia ver nas telonas. O SF tem lançamento previsto para 27 de fevereiro de 2009. Seguindo a nova onde de cinema realista, o diretor, o polonês Andrzej Bartkowiak, já declarou que a obra terá moldes que seguem a linha de Batman Begins. A intenção é realizar um filme onde os personagens sejam mais próximos do público sendo, mesmo fantásticos, mais reais.

O roteirista Justin Marks confirmou que a idéia é criar uma série de filmes - um para cada personagem. A série será inaugurada em 2009 com Street Fighter: Legend of Chun-Li. Segundo o produtor Ashok Amritraj "Sentimos que, no universo de Street Fighter, há três personagens que se destacam, que são Ken, Ryu e Chun-Li. Esperamos que o filme funcione para que possamos depois ter Ken e Ryu como protagonistas. Mas primeiro vem ela."

Para o papel de Chun-li a escolha recaiu em Kristin Kreuk (a Lana de Smallvile). Amritraj justificou "acho que ela é desconhecida o suficiente para viver a personagem e não ser vista como uma estrela. As pessoas meio que sabem quem ela é, por causa de Smallville, mas na verdade ela ainda é pouco conhecida, o que encaixa bem no papel."
Vamos aguardar e ver no que vai dar. Em muitos fóruns e blogs os fãs estão um tanto céticos quanto ao resultado...
P.S.: e Zelda vem aí também!!!!!

Tchê RPG

Encontro de RPG em Porto Alegre

Acontecerá em Porto Alegre (RS) a quarta edição do Tchê RPG. O encontro tem a intenção de reunir amantes do rpg e cultura afim para confratenizar, trocar informações e conhecer as movidades do mercado.

Patrocinado pela Jambô Editora, com apoio da Prefeitura de Porto Alegre e da Indústria Subterrânea e uma promoção da Revista Dragon Slayer, o encontro acontecerá na Usina do Gazômetro nos dias 8 e 9 de novembro (entre 11h e 18h). A entrada é franca, mas pede-se a gentilieza de ser levado 1 kg de alimento não perecível para doação à entidades assistenciais.

A iniciativa de manterem um encontro centrado na temática do RPG aqui em Porto Alegre deve ser saudado. Mesmo tendo um grande público de amantes deste estilo de jogo por aqui os grandes encontros ainda ficam restritos à São Paulo. Será uma ótima oportunidade para ficarmos a par dos novos lançamentos e novidades. Neste mês de novembro, junto a clássica Feira do Livro de Porto Alegre (a maior feira do livro da américa latina a céu aberto em sua 52º edição), a capital dos gaúchos fervilha em atividades culturais e nada mais apropriado que uma feira de RPG.... Tomará que isto vire rotina!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Material de Apoio - Arquearia I

Material de Apoio - Arcos
por Julioz



Um arco pode ser dividido em duas classes e dois tipos.

Os Arcos Planos eram feitos de uma grande viga de madeira, tendo como materiais mais usados o Freixo, o Carvalho e a Carya. Ele tinha baixo custo e podia ser produzido facilmente por alguém com alguma perícia. A haste que o compunha era única, com pouca curvatura e não reforçada. Essa haste, chamada “pala”, se inicia no centro do arco, com 5 centímetros, chegando a 1,5 centímetros nas pontas onde encontram a corda.


Já nos Arcos Compostos eram utilizadas duas palas; que se iniciavam no centro e se curvavam individualmente até a ponta. Seu formato assimétrico permitia ter seu tamanho reduzido sem perder a força nos disparos, sendo assim ideal para a cavalaria. Sua parte inferior era ligeiramente mais fina que a superior. Um Arco Composto podia também ser feito de madeira, mas freqüentemente usava-se cornos de diversos animais tais como cervos e alces (os de boi eram usados para arcos de baixa qualidade). Presas de grandes animais eram menos freqüentes, mas existiam arcos entalhados de presas de elefantes e outros animais.

Quanto ao tipo cabia ao arqueiro escolher o arco: curto ou longo. O primeiro era preferencialmente usado para a caça, mas em vários casos, camponeses e exércitos sem grandes condições o utilizavam em rixas e escaramuças. Media de 1m a 1,20m, podia ser encordado facilmente por homens e com alguma dificuldade por crianças e mulheres. O longo tinha finalidade militar. Suas flechas podiam trespassar cotas de malha, e acertar seus alvos com força suficiente para um ataque fatal. Um Arco Longo necessita que seu usuário tenha anos de pratica, sendo quase impossível de ser manejado por alguém sem muita experiência.



Um arqueiro habituado com um Arco Longo, na maioria dos casos, terá um dos lados do corpo mais desenvolvido que o outro. Isso decorre pela força exercida no braço usado para disparar as flechas e retesar o arco. Só podia ser encordado por homens pela extrema força exercida. Seu comprimento deve ser maior que a altura dos pés ao queixo do portador e jamais exceder a envergadura ou a altura do mesmo (apenas os Long Bow Inglêses exediam o tamanho de seus usuários).

O disparo

O Arqueiro deve se posicionar com uma postura reta, o rosto virado para a mão que segura o arco e pés afastados na direção dos ombros. O braço que segura o arco deve permanecer esticado, com o cotovelo girado para fora. Mão no alinhamento do antebraço.

A flecha deve ser retirada da aljava com os dedo indicador e médio, e encaixada primeiramente no descanso do arco e depois a parte traseira (nock) da corda. O arqueiro devera evitar exercer pressão com os dedos na flecha e tocar nas penas.



Os dedos indicador, médio e anelar são usados para tencionar a corda até que a mão do arqueiro encoste na sua boca. Por último ele deve inclinar a cabeça na direção do ombro do braço que segura o arco, e alinhar a corda do arco na direção do centro do queixo e do nariz. Fazendo assim o arco permanecer na vertical. A mira deve ser feita com o olho do lado que empunha o arco fechado. Primeiro sem a flecha, o arqueiro acerta um ponto fixo e não pode mais se mexer enquanto a corda é tangida.

O Paradoxo do Arqueiro

Paradoxo do Arqueiro é o nome dado ao fenômeno pelo qual, uma flecha disparada por um arco, deve ser apontada para um ponto deslocado lateralmente do centro do alvo para atingi-lo corretamente, daí a idéia de paradoxo.

O movimento da corda no momento do disparo, para a lateral e em direção ao alvo, provoca na flecha uma flexão na mesma direção. Em reação a essa força inicial, a flecha volta a se flexionar, dessa vez para o lado oposto, e assim sucessivamente, reduzindo a oscilação deste movimento até alcançar o alvo.


Falando mais facilmente, uma flecha necessita de ser balanceada quando é feita, e assim oscile na freqüência correta. Se estiver muito flexível, a flecha acertara a direita do alvo. Se muito rígida sairá à direita.

O movimento natural de uma flecha perfeitamente balanceada até seu alvo é de um arco bem curto para a esquerda, e não numa linha reta.

domingo, 26 de outubro de 2008

Romance II

REVELAÇÕES
Julio "Julioz"

Capitulo – 1 “Caminho de casa”

Passos.

Esse era o único som audível em todo o corredor. O barulho ecoava forte na madeira, como se varias pessoas andassem lado a lado. O ruído vinha das botas de um homem. Andava decido com os punhos cerrados e o maxilar rígido. Seus olhos miravam apenas a saída sem ao menos reparar no resto. O corredor, por sua vez, não era muito longo, mas um tanto largo, e ia do salão principal ao lado de fora da mansão. Nele ficavam as passagens para as salas de aula. Era limpo e bem iluminado, decorado com quadros e estátuas, todas feitas pelo diretor. Esta era a Escola Rongald de Aventureiros, uma das melhores do ramo, e parte das principais atrações de Gorendill.

Seus olhos miravam apenas a saida sem ao menos reparar no resto. Ele sabia o que queria, e sabia aonde ir. Apesar de jovem seus objetivos, hoje, estavam mais do que definidos. Tinha olhos e cabelos negros, taços leves, boca de sorriso facil, corpo esguio e bem definido. Trajava uma camisa de linho branca, calças do mesmo material pretas e botas de couroo que vinham até a metade da canela.

Alcançou a saída e desceu as escadas de mármore que davam no quintal. Atravessou o pequeno jardim, passando por um caminho de pedras. No chão jaziam centenas de folhas que caíram ha quase três semanas com a chegada do outono. Já conseguia observar os contornos das armações de madeira em meio ás arvores. Alcançou um outro lance de escadas. Este marcava o inicio da arena, subiu e atravessou um modesto arco entre as arquibancadas. Admirou.

Ventava forte, as árvores ao redor de toda a escola balançavam. Folhas passavam voando a todo instante, se chocando nas construções e produzindo um baque seco. Azguer já começara a descer, faltavam quase duas horas para que Tenebra dominasse os céus. As arquibancadas estavam todas vazias. Fazia frio, pois o inverno batia à porta. Mas hoje ele não ligava. Esperava ansioso. Suas mãos transpiravam e sua boca estava seca. Caminhou até o centro da arena de treinamento. Sentia o frio na barriga, costumeiro antes dos combates. Passou a mão nos cabelos deixando-os apontados para cima. Cuspiu o pouco de saliva que conseguiu acumular tentando espantar o azar. Esperava há anos por esse momento, e ele finalmente havia chegado. Tinha certeza que estava preparado, mas não sabia ao certo o que esperar de seu professor.

Deu um giro de trezentos e sessenta graus procurando algum movimento. Nada se mexia. Mal fechara os olhos, e lembranças de muito tempo inundaram seu pensamento como uma enxurrada.

Lembrou dos treinos exaustivos. Lembrou das surras e lembrou da dor. Lembrou da primeira vitória e de como ficara feliz. Lembrou que depois dela, conseguiu obter o devido respeito dos outros estudantes, e de como as provocações cessaram rapidamente. Lembrou de que os treinos, a partir daquele dia mudaram, e que todos os seus esforços até ali lhe surtiam efeitos. Seus braços se moviam precisamente. Atacavam, aparavam e estocavam como se aquilo fosse normal à muito tempo. Suas espadas não bloqueavam ataques, apenas os desviavam. Seu corpo tinha adquirido incrível mobilidade e resistência. Enquanto seus adversários se cansavam, ele apenas dançava, fugia e os evitava. Seu pensamento agora era rápido, e ele podia prever muitos movimentos antes deles serem executados.

“– Desculpe o atraso. Acabei indo até seu quarto para me certificar que não estava escondido como um rato em baixo da cama," - o professor sorriu com os lábios chegando as orelhas - "fiquei realmente impressionado por ter vindo."

O jovem se virou rapidamente. Em sua direção caminhava seu professor. Era relativamente gordo, e mancava de uma das pernas. Estava vestido igual ao seu aluno, com exceção de uma rústica e fina cota de malha. Tinha duas espadas embainhadas e em uma das mãos carregava outro par. O professor estancou a apenas cinco passos do jovem e atirou-lhe as espadas. Ele as recebeu com destreza, segurando-as pelo cabo e com um giro, fez as bainhas aterrissarem a alguns metros atrás de si.

“– Já estava começando a acreditar" - rosnou o jovem - "que quem estava em baixo da cama era você, Randorill de Warton.”

“– Além do medo, ousa perder o respeito moleque! Vou ensinar-lhe uma lição" – ele apontou para uma das arquibancadas – "atrás daquela arquibancada você encontrara uma grande jarra de barro, ela esta cheia de tinta vermelha. Mergulhe suas espadas e volte até aqui, rapidamente.”

Ele caminhou pelo chão de terra batida até o local indicado, mergulhou suas espadas sem entender o significado de tudo aquilo. Ao retirá-las do jarro, tentou escorrer todo o excesso de tinta de volta para o recipiente. Em vão. Tentou novamente, mas sem melhores resultados. A tinta parecia presa na lamina, e o mais impressionante era que ela permanecia em estado liquido. Retornou ao centro da arena, onde Randorill o aguardava. Estranhamente suas duas espadas já estavam cheias da mesma tinta vermelha. Aos seus pés, aguardava jogada uma cota de malha semelhante a que ele mesmo trajava.

“– Pra você pirralho!" – disse o professor chutando a peça para o aluno.

A cota de malha foi jogada a alguns metros, levantando poeira por onde passava, até encontrar os pés do jovem.

O aluno a olhou com desdém e respondeu: “– Isso só serviria para restringir meus movimentos" -, falou enquanto chutava a cota de malha para longe - "lutarei sem proteção. Agora me explique as regras.”

“– Se quer tratar tudo isso como um jogo, tudo bem. A tinta onde mergulhou suas armas é mágica. Ela só sairá da sua espada caso encoste-a em mim" – ele levantou os dois braços mostrando as suas espadas – "Já a tinta das minhas espadas, só sairá caso eu encoste-as em seu corpo. Não deve se preocupar em ferir-me, as duas armas não têm fio nem ponta" – o professor apontou suas duas espadas para o aluno – "Vence a batalha quem conseguir três marcas no corpo do oponente, só não sendo valida a área da cabeça. Consegue entender as regras?”

“– Minha espada lhe mostrará minha resposta!”

Antes que pudesse terminar sua frase, o jovem já corria. Suas pernas se movimentavam altas e seus braços já estavam a postos para o ataque. O aluno ganhara terreno rapidamente, e em alguns segundos já desferia sua primeira seqüência de golpes. Randorill, apesar do corpo desproporcional e a idade avançada, se esquivava habilmente. O aluno atacava repetidas vezes intercalando as duas espadas em cortes e estocadas. Enquanto uma mão subia, a outra já estava em descida. O jovem se movia como um dançarino. Trançando as pernas, girava o corpo para um ataque mais forte, pulando e se abaixando para tentar acertar o alvo. O professor se esquivava com destreza. O jovem era ataque após ataque. Sua guarda agora estava baixa, totalmente aberta a qualquer investida.

Passaram-se apenas cinco minutos. á para os dois, se passara uma eternidade. O aluno tinha atacado todo tempo sem, no entanto, conseguir acerto algum. O professor era muito mais rápido do que qualquer pessoa pensaria, e só havia usado suas espadas quando só o movimento não bastava. Sua perícia era tamanha que o aluno chocara suas espadas contra as dele menos de dez vezes. O jovem ofegava e suas vestes já mostravam as marcas de suor. O professor ainda nem começara a transpirar.

"- Acha mesmo que está preparado?" – disse Randorill – "te ensinei como combater por cinco anos, e no dia do teu teste final, lutas comigo deste jeito" – ele balançava a cabeça em sinal de desaprovação – "Assim só me mostra que tudo que falei por todos esses anos sobre você era a mais pura verdade. Sempre achei que você levava meu treinamento como levava sua vida. Tudo em sua vida caiu em suas mãos, nunca precisou lutar por nada. Hoje te mostrarei que se quiseres terminar teu treinamento, terá de entender o real significado das coisas. "

“– Concordo com o que diz" - falou o aluno em resposta – "mas não posso aceitar que não levo seu treinamento a sério. Venho me dedicando ao máximo desde quando cheguei a Gorendill. Aqui fui humilhado e isolado até conseguir provar meu verdadeiro valor" – ele começara a gritar - "quando falas que nunca lutei por nada em minha vida, mentes, pois minha vida nesse lugar foi uma constante batalha, e só hoje poderei lhe mostrar que tudo isso não fora em vão.”

“– Se acha realmente isso, mostre-me e lute como te ensinei!" - era o professor quem agora gritava.

“– Prepar..." - a frase foi interrompida, as espadas se chocaram novamente, o professor quem atacava dessa vez. Tentava estocar o jovem a qualquer custo, um ataque após o outro, fazendo-o recuar quase até a borda da arena. O aluno sentiu as arquibancadas encostarem-se em seus calcanhares, e com um salto subiu no primeiro nível. Trocavam golpes que passavam perigosamente perto, as armas chiavam pelo ar fazendo a tinta vermelha parecer viva.

Randorill agora cortava, cortava como um camponês cortava o feno. Seus ataques eram fortes e o aluno foi forçado ao segundo nível da arquibancada. Quando o professor se preparava para continuar a perseguição degraus a cima, cometeu seu primeiro erro. Sem perceber abaixou demais as duas espadas deixando assim a parte superior de seu corpo exposta. O jovem percebera o erro e abusou de seu oportunismo. Com um salto magnífico, passou sobre o professor, acertando-lhe as costas na altura dos ombros e aterrissando com uma cambalhota as suas costas.

O combate parara por alguns instantes. Randorill se virou calmamente. Seu rosto mostrava claramente espantado. O jovem tinha um pequeno sorriso preso na boca. As camisas estavam agora ambas ensopadas. Os dois se olhavam sem piscar.

“– Prepare-se. Farei você pagar em dobro" - falou o professor.

“– Estou esperando "- respondeu desafiadoramente o jovem.

(continua)

Material de Apoio - Navegação 8

Material de Apoio - Navegação


A pirataria em Arton

Mas então o que fazer com relação a personagens piratas em Arton ou em contos ambientados neste cenário com este estereótipo?

Vou repetir o que já disse mais de uma vez nesta série de artigos. Não existe uma forma correta. Existem tantas formas quanto tipos de jogadores. Como já disse, minha intenção é suprir jogadores e contistas com elementos que podem ou não usar. Se os jogadores ou mestre querem maior realismo (ou proximidade histórica) podem usar as informações daqui sem alteração. Mas, se preferirem algo mais livre, podem adaptar da forma que melhor desejarem. O que conta é a satisfação dos rpgístas.

Hoje vou colocar a forma mais provável dos piratas, em Arton, em contraposição aos piratas da nossa história. Não vou criar nada completamente novo sobre isto, pois já foi muito bem abordado em Pistoleiros & Piratas (Jambô Editora). Mas nunca é demais tentarmos aprofundar um pouco mais.

Primeiramente não podemos deixar de lembrar que toda a vida de aventuras em alto mar é elemento relativamente raro em Arton. Os artonianos nunca tiveram grande interesse em se enveredar pelo reino do grande deus Oceano. Por isso mesmo a existência de piratas é muito rara. Tanto que as referências à eles ficam restritas ao lado oeste de Tyrondir. Dificilmente iremos cruzar com um deles numa aventura.

Os piratas de Arton são bonzinhos? Difícil responder. Um pirata, por si só, já é um vilão, um ladrão ou assassino. Mas os jogos de rpg em mundos de fantasia dão uma roupagem diferente para isso. Acho que podemos colocar que o que muda são as motivações. Na história real (como apresentado no último artigo) as motivações são as mais baixas e vis possíveis. Eles se juntavam numa espécie de contrato por um período estipulado procurando riquezas, riquezas e mais riquezas. Não importa o que tivessem que fazer para conseguir isto ou sobre quem tivessem que passar por cima. Considero que este tipo de pirata existe em Arton, mas estes seriam os vilões propriamente ditos do cenário – e sim, eles existem por lá

Mas os piratas que todos querem ter como personagem são diferentes. Nosso imaginário está repleto de modelos que foram criados com personagens como Simbat (tanto os filmes da década de sessenta ou o desenho da Disney), a tripulação do filme Mestre dos Mares ou até Jack Sparrow e cia. Todos eles têm o mesmo elemento. Eram anti-heróis. O que isto quer dizer? Quer dizer que embora eles tenham motivações de ganhos e enriquecimento, sejam fanfarrões e mal-humorados, e tenham a incrível capacidade de sempre irritar a pessoa errada, mesmo com tudo isso, seguem de alguma forma um código de honra. Eles podem ser extremamente cruéis contra seus inimigos e até roubar descaradamente comerciantes desavisados, mas sempre têm limites para isso. Na hora H eles sempre tentam fazer a coisa certa. Não deixarão ninguém na mão por um punhado de pedras preciosas – bom, quase ninguém e claro que, se eles conseguirem ajudar e ficar com as pedras preciosas ao mesmo tempo, melhor!

O carisma destes piratas ‘bonzinhos’ cativa-nos. Tanto que em nosso imaginário transformamos horrendos e temidos bandidos históricos em personagens que ansiamos em representar. Este é o pirata que em muitos casos vamos encontrar em Arton (claro que vou ressaltar que o são para aqueles mestres e contistas que enveredam pela velha e boa fantasia). É um personagem com código de honra e sempre à procura de mais uma aventura. É um personagem que sai atrás de tesouros não só pela riqueza, mas pela emoção da procura e da conquista. São uma tripulação que age como uma família se odiando e se amando, mas sempre junta, onde o elemento de união está no doce sabor do desconhecido e na emoção de encarar o perigo de peito aberto. Este é o pirata que todos queremos representar e que com toda a certeza vamos encontrar em Arton.

Lançamento Jambô

Vem aí "O Terceiro Deus"

O blog Laboratório do Dr Careca disponibilizou, em primeira mão, a capa do terceiro romance ambientado em Arton com o título de "O Terceiro Deus". A continuação de "O Crânio e o Corvo" é uma das obras, baseadas em rpg, mais aguardadas do ano.

Fiquei impressionado com a qualidade e beleza da arte. Valeria um poster na parede do escritório.

Leonel Caldela já havia nos dado algumas pistas sobre esta obra na entrevista feita pela Confraria de Arton. Naquela ocasião ele deixou claro que teremos muitas surpresas. Se você perdeu a entrevista é só clicar aqui. Podemos dizer que quando do lançamento de "O Tercerio Deus" estaremos presenciando um grande passo para a produção nacional de rpg fechando o ciclo da trilogia de Tormenta. Com toda a certeza, num país como o Brasil, é um feito a ser muito comemorado.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores: Capitão Britânia [Marvel]

Arquivo de Fichas – Mutantes e Malfeitores 2ªed
CAPITÃO BRITÂNEA [Brian Braddock]
Ficha 012


“Boa tentativa. Mas, quando você está enfrentando o Capitão Britânia,
uma chance é tudo que você ganha.”

NP 11

HABILDIADES
FOR 34/14 (+12/+2) DES 20 (+5) CON 20/14 (+5/+2) INT 18 (+4) SAB 14 (+2) CAR 16 (+3)

SALVAMENTO
Resistência +7/+11; Fortitude +7/+10; Reflexo +7; Vontade +8

COMBATE
Ataque +10, Agarrar +22, Dano +12 [desarmado]; Defesa +10, Esquiva +5; Iniciativa +5.

CAPACIDADE DE CARGA
8 t (leve), 16 t (média), 24 t (pesada), 48 t (máxima), 125t (arrastar/empurrar).

PERÍCIAS
Acrobacia 5 (+10); Conhecimento [Ciência física] 8 (+12), Diplomacia 6 (+8), Intimidar 4 (+7), Intuir intenção 3 (+5), Notar 4 (+6), Ofício [Engenheiro] 6 (+11).

FEITOS
Ação em movimento, Agarrar aprimorado, Armação, Ataque atordoante, Ataque dominó, Benefício [Status: Protetor da Grã-Bretanha], Crítico aprimorado 2, Duro de matar, Esforço supremo [salvamento supremo], Evasão, Interpor-s, Liderança, Presença aterradora, Quebrar aprimorado, Quebrar arma, Trabalho em equipe 2.

PODERES
Força Ampliada 20
Constituição Ampliada 6
Vôo 12
Supersentidos 2 [visão e audição estendidos – PA: Supersentidos 1 [Pré-cognição - Falha: Incontrolável]
Imunidade 13 [fadiga, projéteis, calor e frio, poderes psíquicos da irmã Psylock]
Proteção 5 [Extra: Impenetrável ]
Superforça 5

Dispositivo [Uniforme] Proteção 1 [Fácil de Perder - cancela desvantagem Perda de Poder]

DESVANTAGEM
Perda de Poder [Estar sem o uniforme/longe da Grã Bretanha; dreno cumulativo de Força e Constituição – Incomum/Maior]

Pontos: 202
36 (habilidades) + 13 (salvamentos) + 40 (combate) + 9 (perícias) + 18 (feitos) + 89 (poderes) – 3 (desvantagens)

Ficha em pdf



Nota
- Como todos os personagens da Marvel, ele possui uma série de fases e características conforme a época ou arco. Esta é a ficha com suas características que mais ficaram em voga – sendo diferente de sua versão clássica original (ficha) e da versão mais recente em fase All-Nwe, All-Different Marvel.

- A desvantagem equivale à sempre que o personagem se afastar da Grã-Bretanha e estiver sem seu uniforme. Seu uniforme é uma espécie de bateria, absorvendo a energia e poder de todas as versões do personagem no multiverso. Na Grã-Bretanha ele pode atuar com ou sem uniforme, mas longe de sua terra natal ele perderá seu poder se estiver sem o uniforme, e mesmo com o uniforme, Brian enfraquecerá ao longo das semanas, conforme a “bateria” enfraquecer.

sábado, 18 de outubro de 2008

Caçadores de Abutre

Caçadores de Abutre
Capítulo 4
Grupos e Personagens Principais
João Eugênio Córdova Brasil

1. Grupo de Informações


“– Sabia que meu marido pegou pessoalmente um daqueles magos imundos e o entregou à Gregori?” – vangloriava-se uma dona-de-casa à outra às portas do Cotovelo Cerzido.

“- Que sorte à dele.... na certa receberá alguma gratificação do prefeito.”

“- Ele não fez isso por recompensa. Essa corja tem de ser aniquilada antes que corrompa nossas almas. Ferren tem toda a razão. Bendito o dia em que ele abriu nossos olhos. Meu marido disse que primeiro o mago será interrogado em Ith. E depois ele terá o que merece aqui na praça.”

“- Mas ele deve pelo menos ser agraciado com algum tipo de promoção?”

“- Já aconteceu. Ele será o responsável pelo transporte do prisioneiro até Ith. Ele saiu hoje pela manhã, bem cedo. Deve chagar por lá em alguns dias.”

As duas senhoras conversavam animadamente quase às portas da alfaiataria mais famosa da capital de Portsmouth. Tinham de esperar do lado de fora, pois o movimento de clientes, sempre em grande número, obrigava que muitas vezes tivessem de esperar por quase dois quartos de hora antes de serem recebido.

O estabelecimento estava localizado numa das principais vias da capital de Portsmouth. Ficava a duas quadras da praça central e bem próximo de uma área cuja população vivia em condições financeiras relativamente boas. Isso somado à grande qualidade dos serviços prestados pelas costureiras do Cotovelo garantia um quantidade regular de clientes.

A proprietária, Thânara, era aquele tipo de mulher cuja presença sempre era nota onde quer que estivesse. Tinha uma estatura baixa e feições simples, mas enchia o ambiente com sua presença sempre que entrava em qualquer lugar. Era muito ativa, dava atenção à todos os que atravessavam suas portas e sempre tinha um sorriso pronto para distribuir. Todas as cliente a conheciam e sempre que houvesse um grupo de senhoras “conversando”, ela estava no meio.

Ela tinha um filho que morava junto. Seu nome era Arthir. Um menino pequeno e sardento com doze anos que passava o dia sentado nas escadas da entrada. Muitos diziam, brincando, que ele parecia uma alma penada, pois aparecia do nada ao lado dos clientes bisbilhotando suas conversas. Mas deveria ser apenas impressão.
Ou não.

A conversa entre as duas senhoras às portas do Cotovelo Cerzido naquela manhã estava sendo acompanhando com muito cuidado por Arthir. Quem olhasse para o menino não perceberia nada, pois ele mantinha a mesma expressão despreocupada e desinteressada enquanto brincava com alguns gravetos. Mas isso não era de todo verdade. A conversa estava sendo analisada e guardada com o máximo de cuidado pelos ouvidos perspicazes do infante.

Alguns minutos depois ele levantou desleixadamente e ingressou na loja de sua mãe. Logo que ele ingressou seu olhar cruzou com o de sua mãe. Já sabiam o que fazer. Ele entrou mais para o interior da casa e desapareceu num corredor ao fazer uma curva. Logo atrás veio sua mãe sorrindo como sempre e dizendo que iria trazer umas amostras novas de tecidos, desaparecendo ao entrar na mesma curva do corredor.

Agora sem sorrisos nos rostos eles se entreolharam e trocaram poucas palavras.

“- Pegaram mais um ontem.”

“- Levaram para onde, Arth?”

“- Ith. Saíram hoje pela manhã. Devem chegar em cinco dias.”

“- Quantos homens estão indo? Para qual das prisões?”

“- Isso teremos de descobrir, mãe.”

“- Chame os outros. Não temos tempo. Agiremos hoje mesmo.”

O menino recebeu um beijo carinhoso na testa e um sorriso singelo. Depois entrou em seu quarto, pegou sua mochila e se dirigiu para a porta dos fundos.

“- Sabe o que fazer querido. Tome cuidado e peça à todos que estejam aqui na hora do jantar. Te amo.”
Essa era a verdadeira face da família Rhaster. E muitos já deviam suas vidas à eles.

o O o

O sol já havia deitado-se no horizonte à algum tempo. Tudo estava mais calmo no Cotovelo Cerzido. As escadas estavam vazias. As portas estavam fechadas assim como as janelas. Apenas uma luz fraca atravessava as frestas pela casa denunciando que havia pessoas lá. Era uma casa normal como tantas outras em Milothiann.
Duas batidas secas na porta dos fundos.

Thânara abriu a porta calmamente e aos poucos a luz trêmula das velas dispostas pelo ambiente iluminou a recém-chegada. Era uma moça linda, não fosse pelo semblante de poucos amigos. Ela tinha aquela expressão de que estava sempre sentido algum cheiro desagradável.

“- Marla querida, que bom que chegou cedo eu....” – começou dizendo Thânara que foi logo interrompida pela moça que ingressou de forma rápida na cozinha batendo os pés.

“- Espero que pelo menos dessa vez não seja uma pista falsa, estou louca para quebrar umas cabeças” – e jogou sua espada num canto enquanto puxava um pesada cadeira de madeira e atirava-se sentada – “quem já chegou?”

“- Por enquanto apenas nós e Stu.”

“- Eu já cheguei e estou preparando o jantar” – da porta lateral saiu uma figura pequena e suja de farinha dos pés à cabeça. Sturky usava um avental branco que deixava sua pele verde-cinzenta ainda mais evidente – “olá ‘m-a-d-a-m-e’, como tem andado?” – curvando-se à frente da guerreira carrancuda marcando com ênfase cada letra com um olhar de quem sabe que está fazendo uma travessura.

“- Nossa...cada vez que te vejo não sei se está mais baixo ou mais feio” – disse Marla com semblante ainda menos amistoso – “ e onde está aquele meio-elfo metido à Talude e, como sempre, atrasado?”

“- Estou bem atrás de você...” - o som grave da voz de Allianthalas surpreendeu à todos. Ele estava sentado calmamente inclinando sua cadeira de encontro à parede com os braços cruzados por sobre o peito. Essas chegadas surpreendentes eram típicas dele. Era como se aparecesse do nada onde bem quisesse.

“- A quanto tempo está aí?” – inqueriu o pequeno Sturky.

“- Tempo suficiente..... vamos começar de uma vez. Estou com fome".
o O o

Cerca de uma hora havia passado e pratos vazios estavam à frente de cada um deles. Parecia que ninguém estava disposto à se demorar mais. “Aquele” assunto deveria ser discutido.

Arthir pegou sua mochila que estava pendurada nas costas de sua cadeira e puxou uma pequena caderneta - “o mago foi capturado ontem logo que atravessou a fronteira, vindo de Wynnla. Pelo que disse aos guardas estava procurando a irmã que não dava notícias à mais de um ano. Foi levado esta manhã para Ith onde será interrogado da forma que eles sabem fazer melhor do que ninguém e com toda a certeza será executado logo depois num enforcamento.”

Todos ouviam com atenção. Não parecia uma criança falando. E eles, com toda a certeza não o viam como tal. O enxergavam como um companheiro. Continuou: “Pelo que consegui descobrir com meus amigos lá na Feira o boato que corre é que querem executar o infeliz no aniversário do prefeito de Ith daqui a duas semanas. O próprio Ferren estará por lá para a ‘festa’. Quanto a hoje nada poderia ser melhor. Os soldados receberam seu soldo e estarão loucos para gastá-lo nas tavernas da cidade com bebidas e mulheres. Então teremos força mínima nas casas da guarda e no escritório do chefe da guarda”.

Ele parou de falar ostentando aquela fisionomia de dever cumprido.

“- Faremos como de costume. Rápidos, limpos e precisos... escutou bem Marla?” – foi dizendo Thânara virando-se para a guerreira que impressionantemente estava com o rosto rubro.

“- Não tenho culpa se aquele guarda infeliz me confundiu com uma prostituta e resolveu apalpar meu traseiro. Mas garanto que ele não sentiu nada. Foi uma morte indolor...pelo menos para mim...hahahahaahah!!!” – e todos caíram na risada.

o O o

Já haviam feito isto centenas de vezes. Muitos de seus companheiros de ideal diziam que eram graças à eles que ainda estavam vivos, inteiros ou se divertindo. Um dos pressupostos básicos da sobrevivência nesses dias de hoje é a informação. E eles sabiam muito bem como conseguir isto.

Era uma noite sem lua. Nada poderia ser melhor do que isso. As sombras eram mais densas. Os becos mais sombrios. As ruas mais vazias.

Todas as tavernas, em contrapartida, estavam abarrotadas. Os milicianos de Asloth haviam invadido cada taverna da cidade. Desde o início das animosidades entre Portsmouth e Bielefield que Asloth mantinha um considerável contingente de mercenários sob suas ordens. E como de costume, no dia em que recebiam seu soldo por serviços prestados, corriam para fazer a felicidade dos comerciantes e cafetões da cidade. E hoje era este dia.

“Hoje será mais fácil do que nunca” – pensou Thânara sentada sobre um telhado observando um horizonte de chaminés fumegantes. Sua presença era imperceptível. Estava toda vestida de preto. Ao seu lado o velho Stu, igualmente vestido de negro, verificava cada uma de suas adagas e recolocava em seu cinto.

De onde estavam podiam ver com clareza duas Casas da Guarda, uma em direção à praça central e outra ao lado do castelo. Está segunda é que lhes interessava. Nela ficava o responsável em comandar as demais Casas da Guarda – Capitão Gregori. Toda informação sigilosa passava por ele e era aplicada. Se um novo mago fora encontrado lá teriam a resposta.

O trabalho deles era simples e organizado.

Arthir já havia realizado sua tarefa. Bisbilhotar, ouvir e conseguir informações nas ruas. Quem desconfiaria de uma criança?

Marla era o apoio armado do grupo. Sua capacidade de esconder-se e sutileza em se mover traria inveja à muitos dos membros das famosas guildas de ladrões de Gorendil. Claro que sua irritabilidade quase sempre lhe trazia problemas, mas ela dava conta de todos eles.

Allianthalas usava sua feitiçaria para tornar os ambientes mais sóbrios e os oponentes mais míopes. Isso diminuía em muito a capacidade de oposição. Além de que todos sabem que um manipulador de sortilégios é uma benção em qualquer grupo.

Para Thânara e Sturky restava o resto do trabalho. Entrarem sorrateiramente e sair desapercebidos com o que queriam – informação.


o O o

Chegar ao telhado desejado de forma silenciosa foi fácil para aquela dupla. Não só pela estatura pequena que tinham, mas pela incrível capacidade de moverem-se silenciosamente. Ao mesmo tempo sentiam-se seguros. Sabiam que bem próximo seus companheiros estariam velando por sua segurança.

Vagarosamente a proximidade da casa da guarda que pretendiam invadir era coberta por uma fina neblina. Uma fina camada que dificultava a visibilidade de forma sutil. Era a prova de que Allianthalas começara a agir. Era o suficiente para esconder os passos dos invasores.

A Casa da Guarda do Capitão Gregori não diferia das outras. Eram construções padronizadas. Todas eram sobrados de alvenaria com uma pintura cinza-escuro. Seus telhados eram quase retos com um leve inclinado para um dos lados. Numa das extremidades havia normalmente uma boca de chaminé que levava diretamente ao quarto do Capitão – no pavimento mais alto – e ao seu escritório.

Tinham de ser rápidos. A neblina servia para que os guardas no muro do castelo de Asloth, que ficava ao lado da casa da guarda, tivessem sua visão prejudicada. Mas aquele “fenômeno” deveria durar pouco tempo para não levantar suspeitas.

No que chegaram ao telhado, encobertos pela névoa úmida, cada um tomou sua posição. Stu partiu para a chaminé verificando se ela estava apagada e logo meteu-se no buraco desaparecendo pouco depois num vão quase impossível. Thânara correu para os fundos da casa e dependurou-se nas calhas que costeavam o telhado pulando com extrema precisão no parapeito de uma das janelas.

Stu chegou ao quarto de Gregori saindo silenciosamente pela abertura da lareira. As brasas ainda estavam fumegantes, mas o calor era suportável. O quarto ricamente decorado com tapeçarias e tapetes estava escurecido. Apenas uma vela acessa criava sombras distorcidas pelas paredes. O único som que quebrava o silêncio da noite era o ronco estrondoso do Capitão que dormia ao lado de duas mulheres, todos semi-nus e literalmente jogados sobre a cama. O ar estava impregnado com um forte odor de vinho. Como todos os outros membros da guarda de Asloth o Capitão também havia recebido seu soldo e não poupou despesas para se divertir naquela noite.

Eles já haviam feito isto outras vezes. Tantas que já era quase mecânico. Entravam sorrateiramente, pegavam as chaves de Gregori no bolso esquerdo de sua casaca, abriam a gaveta direita de sua mesa, pegavam o que queriam e recolocavam a chave no lugar. Stu estava tranqüilo e seguro do que fazer.

Já estava com o molho de chaves na mão quando percebeu um movimento na cama. “Estava tranqüilo demais....” Uma das moças acordara, ou pelo menos estava tentando acordar. Ele teve apenas tempo de se jogar embaixo da cama.

Ele ficou olhando pela fresta entre o chão e o cobertor o que a meretriz estava fazendo. Ele acompanhou seus passos nus para lá e para cá dentro do quarto. De repente ela se demorou num dos cantos do aposento. Ele, curioso como só um goblin sabe ser, não se conteve e esticando o pescoço espiou. A pele muito branca mostrava um corpo nu. Para ele isso fazia pouca diferença, pois particularmente achava o corpo humano muito pouco atrativo. Mas algo lhe chamou a atenção.

A moça vasculhava todos os bolsos das roupas do capitão passando depois para as gavetas da penteadeira. Ela juntou algumas moedas e algo que parecia uma jóia presa em um cordão de ouro. Depois vestiu-se silenciosamente e saiu pela porta levando suas botas na mão.

“Este sujeito não tem sorte mesmo...” pensou Stu tentando segurar o riso. Ele saiu debaixo da cama e moveu-se em direção à porta do quarto encostando a cabeça para ver se escutava algo. Girou a maçaneta e, por uma fresta, trespassou o arco saindo em um corredor escuro.

“- Você deve estar ficando velho. Demorou muito!” – denunciou Thânara risonha – “o que aquela moça estava fazendo?”

“- Ela estava apenas trabalhando minha cara. Era quase uma colega nossa” – disse Stu esticando a mão e mostrando a chave.

Thânara pegou-a. Antes disso ela já havia vasculhado os corredores e verificado se estavam seguros. Todas as velas e lampiões foram providencialmente apagados por ela. A casa estava vazia.

Desceram as escadas rapidamente e adentraram no escritório de Gregori. Vasculhando a gaveta Thânara achou as ordens confirmando o destino do capturado e o exato lugar onde estaria preso. Ela adora a organização burocrática que Asloth impunha aos seus subalternos.

Tudo já havia sido arrumado e só restava colocar a chave no lugar. Quando estavam subindo as escadas ouviram um barulho suspeito. Era a segunda moça. Ela estava vestida, mas descalça. Thânara e Stu se entreolharam com o riso contido. Gregori seria surrupiado pela segunda vez naquela noite. À exemplo da primeira ela estava procurando algo que pudesse engordar os ganhos da noite. Mas como a primeira moça já havia limpado o dinheiro de capitão ela teria de procurar alguma outra coisa.

A prostituta estava tentando abrir uma porta trancada sem fazer muito barulho na esperança de achar alguma riqueza. Thânara e Stu estavam se divertindo vendo a cena. A moça puxava e empurrava a porta até que ouviram um forte estalo. A porta abriu de sobressalto deixando cair uma enormidade de objetos. Ela havia aberto um depósito de quinquilharias que caiam fazendo uma confusão de sons metálicos que poderiam acordar um batalhão.

A diversão transformou-se em perigo e os dois membros dos Caçadores sabiam que tinham de sair naquele momento dali. Do quarto de Gregori gritos começaram a ser proferidos - “Guardas... Guardas... Ladrão!!!”
A noite estava ganhando a emoção que eles dispensavam. Sons começaram a ser ouvidos do andar inferior da casa. No primeiro andar ficava os dormitórios de muitos guardas, e mesmo num dia de pagamento nem todos estavam festejando. Só restava a janela.

Eles correram pelo corredor escuro pulando por sobre a infeliz moça estatelada no chão. A janela ficava à frente da porta do quarto de Gregori. Quando chegaram à janela a porta do quarto abriu e, saindo de dentro do quarto, surgiu a figura mais cômica que poderiam imaginar. Gregori estava enrolado em um lençol que mais atrapalhava sua movimentação do que escondia suas vergonhas. Com o cabelo desgrenhado e as bochechas rubras pela bebida segurando uma espada pela ponta, totalmente bêbado.

Gregori saiu cambaleando em direção à meretriz sem perceber as duas figuras naturalmente encobertas pelas sombras. Ele tentava correr, mas foi derrubado pelo próprio lençol sobre a moça que estava começando a se desvencilhar dos objetos que haviam saído do armário.

Passos começavam a ser ouvidos pela escada. Os primeiros guardas chegavam àquela confusão.
Stu correu para dentro do quarto mostrando a chave para Thânara tentando lhe dizer que iria colocar o objeto no lugar. Ela, por sua vez, abriu a janela e jogou-se com maestria para fora segurando-se pelo parapeito.
Stu, ao entrar no aposento, correu na direção das roupas de Gregori que estavam no chão e depositou a chave num dos bolsos. Em seguida jogou-se para dentro da lareira e escorregou para o piso inferior.

Thânara, segurando-se no parapeito, soltou seu corpo caindo seguramente no meio da escuridão. Mas com toda a confusão armada nenhum lugar era totalmente seguro. Logo que tocou o chão sentiu seu pescoço ser entrelaçado por um musculoso braço - “- Haha, e agora o que pretende fazer ladrãozinho?”. A surpresa e a força desorientaram Thânara que quase desfaleceu ante a força aplicada sobre sua garganta. Ela sabia que tinha apenas alguns momentos antes que toda a guarda da cidade estivesse aqui, mas não tinha forças para reagir.

“- Covarde!!!” – Marla jogou-se sobre o guarda derrubando ele e Thânara. Ao levantar-se o agressor ficou surpreso em ver que seu oponente era uma mulher. Mas a hesitação de alguns instantes foi o suficiente para ela. Marla com grande facilidade atingiu-lhe o queixo com um pontapé certeiro jogando-o contra a parede da casa. Ele bateu de costas e quando, pela força do impacto, avançou novamente encontro a lâmina de uma espada que atravessou-lhe o ventre.

“- Vamos Thânara, rápido!” – Thânara estava começando a recobrar a respiração normal mas estava ciente de toda a urgência nas palavras de Marla.

“- Stu está lá dentro ainda!”

“- Allianthalas foi ajuda-lo”.

Realmente Stu estava lá dentro ainda. Ele permanecia oculto dentro da lareira do escritório. Sua única chance seria chegar à porta dos fundos. Calculando que a maioria das atenções estavam concentradas no segundo andar ele tomou coragem e esgueirou-se da abertura da lareira rapidamente em direção à porta que fazia divisa com o aposento dos fundos da casa.

Quando atingiu a porta e estava prestes a abri-la sentiu um zunido passar rapidamente por sua cabeça quase acertando-o. Era uma seta atirada de um besta que estava agora presa à porta. Quando virou-se viu que um guarda estava pronto para jogar mais um projétil. Ele sabia que não teria tempo de uma reação.

Com um solavanco a porta, à suas costas, abriu repentinamente. Um enorme clarão surgiu numa explosão luminosa sem som algum. Era a distração que proporcionou os instantes que Stu precisava.

Tudo aconteceu muito rápido. Fora uma fração de segundos. Stu jogou-se para fora da linha de tiro do guarda arremessando duas pequenas lâminas que pegara em seu sinto. Ao mesmo tempo o guarda conseguiu atirar uma nova seta, mas que passou sem atingir o pequeno goblin. Logo depois o corpo do soldado estava estirado no chão com as duas lâminas cravadas em seu pescoço.

O goblin levantou-se rapidamente e correu para a porta para agradecer à Allianthalas pela distração. Mas a seta do guarda havia encontrado um outro alvo. Allianthalas estava sentado no chão com a seta cravada em seu ombro. O semblante do elfo era de muita dor.

“- Vamos lá orelha pontuda, temos de sair daqui e eu não posso te carregar” – mesmo sendo um goblin Stu aprendera a respeitar seus companheiros e não iria deixar nenhum deles para trás.

“- O que aconteceu?” – Marla e Thânara dobravam a lateral da casa e chegavam onde os dois estavam.

“- Alli, precisamos de uma distração para escaparmos e tirar você daqui, AGORA!”.

Allianthalas franziu a testa tentando esquecer a dor. Fechou os olhos e gesticulo proferindo algumas palavras quase inaudíveis.

Conseguiram a distração. A neblina estava mais densa agora e engolia mais de uma quadra ao redor deles. Ela engoliu à todos e com ela desapareceram definitivamente.



o O o

Pela manhã, logo após amanhecer, Arthir já estava à caminho de uma certa taverna levando na memória ordens específicas para serem dadas à um outro grupo de Caçadores.

O papel do grupo de Thânara estava realizado. As informações estavam agora correndo contra o tempo para tentar salvar mais uma alma desafortunada. Mesmo com toda a confusão daquela noite e dos ferimentos de Allianthalas eles iriam lembrar e rir daquela situação por meses.

O que mais os divertia foi que a notícia que correu a cidade nos dias posteriores dava conta de que a capital fora invadida por uma guilda de ladrões que usavam prostitutas entre seus membros.
(continua na parte 2)

______ o O o ______




“Onde menos se espera é onde a informação está!”.
- Arthir Rhaster – filho de Thânara e mais silencioso que uma sombra.

Este é um grupo cujo nome já diz tudo - obtenção de informações. A função básica é angariar informações secretas e importantes para Ferren – tais como próximos locais de investida do regente, objetos desejados por ele por alguma razão, suas intenções frente aos Paladinos de Khalmyr, prisões etc. Toda a informação é relevante. Embora os membros que atuem neste grupo sejam de classes das mais diferentes possíveis, normalmente todos possuem algum elemento importante relacionado ao mundo dos ladinos (as perícias Esconder-se, Furtividade e Disfarce são elementos quase que indispensáveis para fazer parte deste grupo) ou uma característica que seja importante para sua função.

Sua líder, Thânara Rhaster, ladina de muita experiência e grande aptidão, orienta esta ramificação e seus membros – inclusive seu filho de doze anos, Arthir – para a obtenção de toda informação possível. Com ela e seu filho estão o goblin Sturky, que com um vasto conhecimento da cidade consegue achar uma agulha em um palheiro (sem redutor algum!). Desde que teve sua vida salva por um mago, que se entregou à milícia de Portsmouth para salva-lo, Sturky integra o grupo com uma noção de justiça poucas vezes encontrada em sua raça. Há também Marla Dylmoore, uma guerreira de pouca paciência, mas com uma grande habilidade em esgueirar-se pelas sombras. Fechando o grupo há Allianthalas, um feiticeiro meio-elfo.

Seguem o lema de entrar e sair dos lugares sem que percebem que estiveram ali. Até para não levantarem suspeitas tentam não tirar a vida de ninguém sem necessidade extrema.

Sua sede é no interior do Cotovelo Cerzido, uma alfaiataria de renome que pertence à Thânara e que está localizada bem no centro da capital de Portsmouth. Nela, e em seus subterrâneos todas as estratégias são preparadas. Também serve como local alternativo para reuniões dos líderes dos quatro grupos dos Caçadores.
Novos membros são aceitos muito raramente, pois Thânara tem a opinião de que quanto menos pessoas tiverem acesso à suas ações melhor. Mas quando necessitam de um membro novo para atuar em outra cidade – sabe-se que possuem apenas outros oito membros secundários – investigam à exaustão sua vida e aplicam-lhe testes dos mais variados. Os aspirantes devem ter perícias ligadas à vida ladina em bons níveis para levantar algum interesse de Thânara. Esses membros investigados, normalmente, nem imaginam que estão sendo cogitados para integrar os Caçadores. O que Thânara procura são pessoas cuja índole e modo de vida encaixem-se com os preceitos do grupo.

A líder

D20
Thânara Rhaster: Humana Ladina 13; CB; DVs 13d6+10; PVs 79; Inic +10; Desloc 9m; CA 19 (10 + 6 Des + 3 Acolchoada); Agarrar 11, Toque 16; BBA +9/+4; Surpresa +13; Ataques: +18 corpo-a-corpo (adaga do retorno, 1d4+5 19-20/x2) e a outra +17 (+19 contra humanos) corpo-a-corpo (adaga anti-criatura, 1d4+4 - 1d4+6 +2d6 contra humanos - 19-20/x2); Fort +5, Refl +16, Vont +7; For 14 (+2), Des 22 (+6), Com 12 (+1), Int 17 (+3), Sab 16 (+3), Car 16 (+3). Perícias: Furtividade + 23, Blefar +18, Arte da Fuga +31, Disfarce +20, Esconder-se +37, Obter Informação +21, Procurar +18, Conhecimento Local +16, Observar +17, Ouvir +14, Prestidigitação +19, Diplomacia +17, Falsificação +15, Escalar +12, Identificar Magia +8; Perícias com Maestria em Perícia (efeito especial ladino 10º nível) Furtividade, Blefar e Esconder-se, Identificar Magia, Ouvir e Observar, idioma Valkar. Talentos: Reflexos Rápidos, Acuidade em armas, Foco em arma (adaga), Saque rápido, Iniciativa Aprimorada, Sorrateiro. Talento regional: Faro para Magos [Portsmouth]. Especiais: Ataque furtivo +7d6, Encontrar armadilhas, Evasão, Sentir armadilha +4, Esquiva sobrenatural aprimorada, Habilidade especial: Maestria em perícia em Furtividade, Blefar e Esconder-se, Habilidade especial: Amortecer impacto.
Equipamento: Adaga do retorno +3 e adaga anti-criatura (humanos) +2, Anel da Invisibilidade, Anel Poder do Camaleão, Armadura leve acolchoada +3 sombra (+5 Esconder-se) Slick (+10 Arte da Fuga).

3D&T
F1 H5 R2 A1 Pdf3 Pvs:8 Pms:10 Aparência inofensiva, Crime C.H dos Heróis, Devoção (Derrotar O velho Abutre) Protegido indefeso (Seu filho) Equipamentos: Arma especial, Adaga do Retorno

O Grupo:
Marla Dylmoore – D20: Humana guerreira 7/ladina 3; CB.
Allianthalas - D20: Meio-elfo feiticeiro 10; CB.
Sturky - D20: Goblin ladino 4/ranger urbano 8; N.
Arthir Rhaster - D20: Humano ladino 5; CB.