sexta-feira, 5 de março de 2010

Jogos de Tabuleiro - Westeros

Vamos dominar a ilha de Westeros


Mais um daqueles ótimos jogos de domínio territórial. Neste belo jogo lançado agora pouco, em 2010, você terá de dominar todos os sete reinos - as Casas de Westeros. Isso pode ser conseguido com alianças, com intrigas ou mesmo na base do combate.

Neste jogo os participantes podem recriar as batalhas existentes na série de livros "A Song of Ice and Fire", de George Martins ou criar campanhas próprias. Você pode controlar ou a Casa starks ou a Casa Lannister. As batalhas acontecem em campos que possuem planos de batalhas determinando o ponto de partida de cada casa, os recursos existentes no início, regras especiais (se existirem) e as condições de vitória. Uma batalha é jogada em rodadas.



As condições de vitória são variadas (no melhor estilo War). Elas podem exigir desde apenas alguns pontos de vitória até a derrota completa do adversário. Mesmo assim, a criatividade é o limite já que permite aos jogadores criarem seus próprios campos de batalha. No jogo já vem um tabuleiro dupla-face com possibilidade de mais de trinta sobreposições criando muito cenários.


Para maior realismo o jogo trás peças plásticas (138 no total) para demonstrar a sua infantaria, cavalaria, arqueiros e unidades especiais. Além disponibiliza cartas de ordens e dados. É um jogo para cerca de uma hora, mas uma hora muito bem aproveitada. O jogo recebeu louváveis 9 pontos (de um total de 10 possíveis) pela BGG (Board Game Geek) e seus frenquentadores.



Quadrinhos - CSI japonês

CSI no formato Manga


Está sendo lançado “CSI: Investigação Criminal – Estágio de Risco”. Está é uma adaptação do famoso e premiado seriado sobre a investigação de crimes por um grupo de especialistas. O escritor Sekou Hamilton e o desenhista Steven Cummings transportam a emoção do seriado para um ambiente oriental.

A protagonista é Kiyomi, recém aprovado para trabalhar no departamento de investigação criminal juntamente com mais quatorze rapazes. No meio deste treinamento inicial eles se deparam com um crime onde a vítima é uma moça de sua escola e descobre que o criminoso pode estar naquele grupo de estagiários.

O manga tem160 páginas e custará R$ 14,00. Ele é um lançamento da editora NewPop.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Cinema - Transformers 3, Velozes e Furiosos 5 e Indiana Jones 5

Algumas Notícias

Transformers 3: o terceiro filme da série trará upgrades para alguns do robôs principais – Optimus Prime e Bumblebee. O site Sci-Fi Wire informou, segundo a Cinema com Rapadura, o anúncio dos supervisores da Industrial Light and Magic. Segundo eles: “Nossos dois personagens principais, Optimus e Bumblebee, precisavam de um ‘upload’ para o próximo capítulo da série ‘Transformers’. Bumblebee está um pouco mais maduro, então eu diria que ele passou por algumas mudanças no seu comportamento, que façam com que ele pareça mais maduro. Nós sempre queremos que os robôs pareçam mais legais do que da última vez, então Optimus vai ganhar um visual mais heroico” (...) “Prime terá várias coisinhas embutidas que o espectador comum não irá perceber, mas os fãs da franquia sim. Você realmente vai ver as peças que sempre estiveram presentes na série, e seria péssimo se elas não estivessem lá de novo. Mas se fizer um ajuste no ombro, no peito, em seja la o que for, pode ser proporcional apenas, mas pode dar mais usabilidade também. Então a tarefa dos animadores pode ser mais fácil”. O lançamento será no segundo semestre de 2011.

Velozes e Furiosos 5: tem séries que não querem terminar nunca. Este é um desses casos. Foi anunciado que o quinto filme da série será lançando para estréia em 10 de junho de 2011. Os atores principais ainda serão Van Diesel e Paul Walker.

Indiana Jones 5: Harrison Ford afirmou que um quinto filme deverá ser lançado. Steven Spielberg e George Lucas já teriam pensado e discutido o assunto. Não existem datas previstas para um lançamento.

A Verdadeira Interpretação em RPG

Interpretação: O Teatro da Realidade

Quem disser que não sabe qual a relação de RPG e interpretação, por favor, procure outro jogo. Numa tradução muito mais de entendimento do que literal, RPG seria um “jogo interativo de interpretação”. Ou seja, um jogo onde somos chamados a não só vivenciar um personagem, mas nos portarmos como ele em suas escolhas, experiências e modo de agir.

Desde muito cedo o RPG levou seus jogadores ao clímax da interpretação jogando-os dentro de aventuras vívidas e cheias de emoção. Mas um jogo pretender isso não garante que tal resultado seja alcançado. O sucesso desta emoção vem quase que única e exclusivamente dos jogadores. Por incrível que pareça a interpretação é o ponto, ao meu ver, mais difícil e crucial para tal sucesso. Por que digo isso e em que ponto avalio isso?

Criar uma ficha de um personagem na maioria dos sistemas existentes requer um pouco de cuidado, alguns cálculos, inspiração e uma idéia pré-estabelecida por parte do jogador ou do mestre. Vestimos e armamos esse personagem e acrescentamos uma pitada de realismo dando características física e sociais para torna-lo mais humano.

Manter a coerência com relação ao seu personagem é a real interpretação. Fazer com que seu personagem manque, ou seja cego, ou cago, ou algumas das inúmeras ‘desvantagens’ de GURPS (por exemplo) também é uma interpretação, mas apenas uma parte dela.

Para mim existe uma segunda parte da interpretação. A mais difícil e que exige do jogador uma perfeita compreensão do que é RPG e de sua real diversão. Se pretendemos realismo devemos procurar realismo. Interpretar não é somente narrar defeitos ou desvantagens, mas sim demonstrar uma coerência e coesão do pensamento e modo de ser do personagem que só é possível quando conseguimos unir esses dois tipos de interpretação. Essa segunda parte da interpretação é conseguir unir o personagem em seu ambiente (o cenário do jogo) como se estivéssemos realmente lá e fossemos realmente ele com toda a qualquer característica existente nele. Veja o exemplo que aconteceu à muitos anos.

Seis personagens – três guerreiros, um ladino, um mago e um ranger – entram numa galeria de túneis à procura de um artefato qualquer:

Jogador 1: “Vamos dividir o grupo, três vão por esse túnel e os outros por aquele.”

Mestre: “Ok, o grupo se dividiu. Cada grupo andou cerca de dez minutos por túneis escuros, mas sem nenhum sinal de armadilhas ou inimigos. Até que o primeiro grupo – onde estão o guerreiro, o ladino e o ranger – encontram um homem ferido jogado em um canto. Com uma conversa rápida ele lhes conta que ele e seus colegas também haviam se separado, mas que infelizmente o grupo que pegou o outro túnel encontrou uma porta com uma armadilha mortal. Depois da narrativa vocês três se olham e percebem que a porta deve estar no caminho de seus colegas.”

O mestre faz uma pausa macabra e se vira para os três jogadores do outro grupo.

Mestre: “Vocês encontram uma porta de madeira com aspecto apodrecido e frágil.”

Membro do grupo 1 (o ladino): “Vou tentar correr o máximo que eu puder para chegar até o outro grupo.”

Os jogadores do grupo dois se entreolham e decidem e decidem sem pestanejar.

Jogador do grupo 2 (um dos guerreiros): “Eu dou uma olhada na porta, coloco o mão na maçaneta e a abro.”

Esse guerreiro morreu instantaneamente (nem me lembro por que). Mas sua interpretação serviu de inspiração (e experiência) para o resto do grupo.

O jogador falecido conseguiu, mesmo sabendo o que ia lhe acontecer, interpretar de forma primorosa o que um ente como aquele, naquela situação, naquele momento, faria. Ele tornou-se o personagem e realizou o desfecho perfeito para aquele momento.

Lógico que um mestre pode interferir para que o realismo seja mantido. Mas a diversão de todos fica muito mais palpável quando isso acontece de forma espontânea, sem interferências, sem ordens. Quando atingimos esse ponto podemos dizer que o grupo amadureceu e realmente descobriu a beleza de interpretar de forma incrivelmente divertida seus personagens.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lançamento da Jambô

Livro-jogo Criatura Selvagem na gráfica



Jambô anunciou que seu quarto livro-jogo, da série Fighting Fantasy, com o título de Criatura Selvagem, foi para a gráfica. Este quarto livro traz uma novidade. Nele você não será o herói, mas sim o monstro. Vamos aguardar mais informações. Por enquanto curta a capa clicando no desenho ao lado.

Eu já vou encomendar o meu!!!

DC lança miniaturas de Sandman e Morte

Sandman e Morte na palma da mão


A DC Comics anunciou que lançará no segundo semestre (em 20 de outubro de 2010) miniaturas para os clássicos personagens criados por Neil Gaiman - Sandman e sua irmã, Morte. Elas serão lançadas pela DC Direct, dentro do selo DC Chronicles. O tamanho será de cerda de 19 cm (com a miniatura da Morte sendo um pouco menor). Essas miniaturas serão limitadas e feitas no sistema cold-cast porcelain, transportadas em caixa especial e possuirão certificado de autenticidade. Por tudo isso será cobrada a bagatela de cem dólares. Encomende a sua!!!

Novidades no RPG.Blog

Novidades no RPG.Blog e a
Décima Posição para a Confraria
Nesta terça-feira o agregador de blogs RPG.Blog inaugurou um novo layout para sua página. Duas grandes diferenças, em comparação com a aparência anterior, estão na apresentação e no ranking.

Agora os posts lançados são mostrados de uma forma mais limpa e com o ícone da fonte ao seu lado. Só acho que os ícones poderiam ser melhor definidos pois eles ficam distorcidos (mas com certeza isso será acertado com o tempo).

No rankiamento dos blogs, anteriormente era apresentado um posicionamento quase que diário, agora, pelo que eu entendi, esse posicionamento será feito mensalmente. E para começar já temos o ranking de fevereiro colocando a Confraria de Arton em um honroso décimo lugar. Não sei muito bem como é calculado este ranking, mas de qualquer forma um décimo lugar é um décimo lugar!

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores

MULHER-HULK – Jennifer Walters


Nível de Poder: 10

FOR 34 (+12) DES 16 (+3) CON 30 (+10) INT 16 (+3) SAB 12 (+1) CAR 16 (+3)

Resistência +14 (4 Impenetrável); Fortitude +15; Reflexo +4; Vontade +4.

Ataque +6; Dano +12 [desarmada]; Defesa +6; Esquiva +4; Iniciativa +3.

Capacidade de Carga: 8t (leve), 16t (médio), 24t (pesado), 48t (máxima), 125t (empurrar/arrastar).

PERÍCIAS: Blefar +6, Computadores +4, Concentração +3, Conhecimento [Manha] +7, Conhecimento [Educação Cívica] +9, Diplomacia +7, Intimidar +5, Investigar +5, Obter informação +5, Profissão [advogada] +9.

FEITOS: Agarrar aprimorado, Arremessar aprimorado, Ataque atordoante, Ataque dominó, Ataque poderoso, Bem-informado, Benefício [Identidade alternativa], Derrubar aprimorado, Estrangular, Imobilizar aprimorado, Tolerância, Trabalho em equipe 2.

PODERES: Força Ampliada 24; Constituição Ampliada 20; Proteção 4 (Extra: Impenetrável); Salto 4; Imunidade 8 [Calor, Frio, Radiação, Alta pressão]; Super-força 4 [Feito: Golpe Sísmico]; Regeneração 9 [Machucado/Inconsciente 2, Ferido/Abatido 3, Desabilitado 4].

Desvantagem: Identidade Normal [Ação completa - 4 pontos].

Pontos: 150
22 (habilidades) + 5 (salvamentos) + 24 (combate) + 8 (perícias) + 13 (feitos) + 82 (poderes) – 4 (desvantagem)

terça-feira, 2 de março de 2010

Rank Cinza de Fevereiro

Estamos subindo

É ótimo termos uma notícia deste tipo já no início de Março. O blog Área Cinza lançou seu já tradicional rank para esse mês de Fevereiro. Depois de um 17º lugar no rank de janeiro, atingimos o 15º lugar no rank de fevereiro. Duas coisas me deixam muito feliz com isso. A primeira é que temos tido um ótimo resultado com as iniciativas de assuntos e materiais que temos proposto. A segunda é que estamos aparecendo em um rank que, além de blogs, coloca na corrido sites e editoras. Assim conseguimos dividir espaço com sites como o da Jambô e da Devir e nos colocar junto de ótimos blogs, como a Taverna do Goblin.

Valeu pelo apoio de todos!!

Zumbis em Porto Alegre - Anotação 2: Achando minha filha


Anotação 2 – Achando minha filha
Vamos continuar as lembranças. Quero aproveitar que não terei de sair nos próximos dias. Estamos com a dispensa cheia e esses dias frios de inverno não me dão coragem de colocar o nariz para fora.

Quando chegamos à ex-Faculdade Porto Alegrense notamos uma grande movimentação militar. Eles estavam preparando uma barricada com alguns tanques e um considerável número de soldados. Nada exagerado, mas poderia resistir de forma adequada, eu achava.

Alguns soldados nos informaram que as zonas críticas eram o centro da capital seguindo até a zona norte, como já havíamos constatado, a zona sul entre o bairro Cristal até próximo do Guarujá e algumas parcelas do bairro Partenon. A cidade de Viamão, uma possível rota de fuga em direção ao litoral também estava tomada já. Segundo eles muitas barreiras estavam sendo feitas para tentar frear aquelas coisas enquanto esperavam novas ordens e reforços. Disseram que teríamos uma certa tranquilidade dali até o bairro Intercap, nosso destino. As orientações era para que todos tentassem permanecer em suas casas se protegendo como desse. A evacuação tinha sido um fracasso e mais gente nas ruas seria um prato feito para os zumbis.

Segui rápido pela avenida Manoel Elias até a Protásio, e dali até a avenida Antônio de Carvalho. Realmente não havia muito problema de trânsito. Para falar a verdade o movimento era de carros militares enquanto carros civis estavam espalhados aqui e ali, abandonados ou batidos. Mas nem tudo eram flores. Enquanto fui descendo em alta velocidade a Antônio, em direção à Intercap, o Raul mostrou algumas daquelas coisas saindo de uma esquina perseguindo dois jovens que logo foram capturados. A cena foi hedionda, mas não podíamos parar naquele momento. O que tinha certeza era que nem o exército sabia a amplitude daquilo tudo e que eles estavam enganados se achavam que as coisas estavam restritas à zonas específicas.

Acelerei mais ainda e entrei na contra-mão da Ipiranga para chegar mais rápido onde desejava. Quanto mais perto chegava mais ansioso estava. As coisas pareciam calmas por ali. Todas as casas fechadas, algumas famílias claramente preparando seus carros para fugirem, mas nada de zumbis em lugar algum. Era um alívio.

Quando cheguei à frente de casa tive o primeiro susto. Tudo estava fechado. Tinha a esperança de que minha filha estaria ali, protegida e me esperando. Mas estava enganado. Tão logo entramos pelo portão eletrônico e saltamos do carro com todo o cuidado e entramos na casa percebemos que estava vazia.

Paulo continuou tentando falar com sua casa, mas a ligação não se completava. Raul ainda estava preocupado com as notícias que os soldados haviam dito sobre os problemas na zona sul. Ambos estavam ansiosos para irem para casa. Tentei acalmá-los ao máximo enquanto não consegui manter eu mesmo a calma. Onde ela estaria a minha filha?

Disse para eles pegarem meu outro carro, um Palio e irem para a zona sul. Era o máximo que eu poderia fazer por eles naquele momento. Enquanto eles iam passando suas coisas da caminhonete para o carro e corri pela casa para ver se estava tudo bem e se havia algum sinal da filha. Por sorte ela havia deixado um bilhete na geladeira – “Não quis ficar sozinha. Estou na casa das gurias. Peguei um dos rádios.

Isso me aliviou. Pelo menos eu sabia onde procurar e era perto dali. Além disso, ela havia sido muito esperta. Além de nossos celulares normais, eu também tinha um daqueles celulares que possibilitava uma comunicação rádio e sem depender muito de sinal das operadoras, para quando eu estava em campo. Corri no escritório e peguei ele.

Beeep – “Alô Pam.... Está aí?”

A resposta demorou um pouco mas veio.

Beeep – “Siimmm.... Está em casa?”

Beeep – “Sim.... Está no apartamento das gurias?”

Beeep – “Sim, está tudo bem contigo?” [choro]

Beeep – “Como estão as coisas por aí?”

Beeep – “Tudo calmo por enquanto, vem logo!”

Beeep – “Estou indo. Arrumem as coisas da melhor maneira possível. Peguem tudo o que tiver de comida e o que for necessário. Vamos sair da cidade!”

Beeep – “Ok.”

Desliguei o aparelho no mesmo momento que Paulo e Raul voltaram. Já haviam terminado de arrumar o carro e já iam sair. Disse o que iria fazer e se eles não queriam ficar ali conosco, mas eles estavam ansiosos para encontrar seus parentes.

Aproveitei que eles iriam sair e combinamos de sairmos juntos. A casa das amigas da Pam era num edifício pequeno bem em frente ao Carrefour, apenas dois ou três minutos de carro. No mesmo caminho que eles teriam de pegar para ir para a zona sul. Dali eles iriam sozinhos.

Não ficamos mais do que vinte minutos na minha casa e, quando saímos, as coisas já estavam diferentes. Aquele silêncio todo já estava sendo incomodado por sons de tiros vindo de locais indistinguíveis. Já havia mais gente na rua, de curiosos à pessoas apavoradas tentando fugir. Mas pelo menos ainda não haviam aquelas coisas.

Trocamos um longo abraço e desejos de sucesso à todos nós. Deixei claro para eles onde me encontrar se precisassem – estaria indo para uma casa na praia de Cidreira e depois subir o litoral. Tiramos os carros, fechando o portão eletrônico logo atrás de nós.

Partimos com cuidado por dentro do bairro Intercap em direção ao Carrefour. O caminho foi rápido e quase sem problemas – fora dois ou três motoristas desesperados que quase nos atingiram. Quando nos aproximamos ao Carrefour as coisas estavam diferentes, com muitos carros circulando. Nos aproximamos pela rua detrás do hipermercado, que dava na frente do prédio. Minha filha já estava me esperando na frente do prédio, pelo lado de dentro das enormes grades frontais. Foi um momento de alívio vê-la. Fui parando enquanto desviava dos muitos carros que aparentemente estava interessados no Carrefour enquanto o Raul e Paulo passaram por mim buzinando e se direcionando para a avenida Ipiranga. A jornada deles seria muito mais longa e perigosa.

Mal eu abri a porta da caminhonete e minha filha já estava se jogando em meus braços. Foi uma sensação tranquilizadora. Algo de que eu precisava naquele momento.

Ela me contou que ia ficar em casa, mas resolveu na última hora vir para o apartamento de suas amigas para se sentir mais protegida e não ficar sozinha. Até pensou em voltar para casa, mas a loucura que estava começando a fez esperar.

Realmente as ruas ao redor do Carrefour estavam uma loucura. Aqui o trânsito estava muito diferente daquele que eu havia percorrido até chegar em casa. Muitas pessoas queriam ter uma reserva de suprimentos e a procura deste hipermercado era algo natural. Havia um grande engarrafamento nas entradas do Carrefour, correria e brigas.

Eu a tranquilizei como pude. Colocamos a caminhonete no estacionamento do prédio e pedi que fossem colocando as coisas dentro. Enquanto isso eu iria até o Carrefour para tentar trazer algo de comida e qualquer coisa que precisássemos. Tudo o que eu conseguisse seria lucro nesse momento.

Muitos carros tentando entrar no hipermercado ao mesmo tempo geraram um engarrafamento sem solução. Nada se movia. Alguns veículos até já estavam abandonados por seus donos desesperados. E algumas pessoas já tentavam passar por cima dos capôs.

Eu coloquei nas costas uma grande mochila de acampar vazia que já havia trazido propositalmente para uma eventualidade deste tipo. Tive de subir em mais de um carro para conseguir alcançar o outro lado da rua. As pessoas corriam para todos os lados. Muitos vinham do hipermercado trazendo sacolas e mercadorias nas mãos. Muito mais gente tentava entrar do que sair de lá.

Poucos policiais tentavam acalmar a multidão enquanto seus próprios rostos se faziam apavorados. Quando alcancei a entrada do portão para rua pude vislumbrar o enorme estacionamento abarrotados de carros espalhados de forma irregular. Muitos acidentes. Brigas. Entre eles uma multidão em forma de formigueiro em movimento irregular.

Por sorte, eu acho, consegui me espremer por um canto onde o fluxo de entrada pelo portão fluiu mais rapidamente. Tão logo cheguei ao pátio tentei correr como um louco para dentro. As pessoas estavam transtornadas. Muitos dos que saiam com compras eram atacados e roubados já na porta por outros desesperados.

Os seguranças, na entrada, quase não conseguiam segurar aquela turba. Disparos começaram a ser ouvidos vindos da multidão, de quando em quando. Nem todos podiam entrar. As coisas foram ficando pior quando começaram a permitir a entrada apenas de quem fosse pagar com dinheiro vivo. Isso revoltou muitos dos que estavam espremidos nas portas de vidro da entrada. Eu tentei aproveitar a confusão e passei por dois deles gritando que tinha dinheiro.

As coisas estavam completamente fora de controle.

Lá dentro tudo estava muito mais confuso. A ordem já estava perdida à algum tempo. Todos queriam passar ao mesmo tempo pelos caixas. Seguranças tentavam controlar os pagamentos. Realmente não tenho ideia de como havia gente que com toda aquela calamidade ainda tinha tempo para pensar em dinheiro. Isso sem contar naqueles que ainda tinham a intenção de levar aparelhos eletrônicos. O ser humano, quando não é louco, é maluco.

Corri na direção dos corredores de alimentos. Com toda a certeza tinha muito mais gente do que a estrutura comportava normalmente. Disputas eclodiam aqui e ali, a correria com os carrinhos era geral.

Passei mão num carrinho esquecido num canto. E comecei a pegar o que eu conseguia. Tudo tinha um valor inestimável de agora em diante, e não sabia quando conseguiria comida novamente. Enlatados e comida desidratada eram meus alvos. Sabia que a validade deles era muito mais longa. Mas mesmo assim, eu acabava pegando o que encontrasse fosse o que fosse. Nessas horas de desespero coisas básicas são esquecidas. Pilhas, baterias, fósforos, remédios, antisépticos. Coisas que não damos muita importância no dia a dia, que provavelmente passariam a ser úteis. Água já não tinha mais. Foi a primeira coisa que acabou nas prateleiras. Acabei levando algumas caixas de suco que estavam caídas no chão esquecidas na confusão.

Comecei a correr e disputar as coisas com os outros. No momento do desespero, por mais que sejamos, ou tentemos ser frios, acabamos sendo influenciados pela irracionalidade dos outros.

Quando estava começando a me direcionar para o caixa o pior aconteceu. De algum lugar do interior do hipermercado começaram gritos que destoavam do alvoroço que havia. Um momento de silêncio calou muitos que estavam ali. Logo em seguida, num segundo grito, veio a confirmação – “Zumbiiiissss!”. Isso foi o suficiente para criar uma espécie de estouro da boiada. Agora todos queriam sair de uma só vez. Se atropelavam. Se pisoteavam. Se agrediam.

Eu estava perto dos últimos caixas, logo ao lado do corredor dos refrigerantes. Ali o fluxo de carrinhos era um pouco menor e tive tempo de pensar. Com aquela confusão eu tinha de ser prático. Para o inferno pagar qualquer coisa. Tinha de sair dali e iria fazer isso de qualquer forma.

Com a confusão armada os seguranças correram para o meio dos corredores deixando a frente de caixa quase que livre. Haviam somente os seguranças nas portas de entrada mas, estranhamente, de onde eu estava percebia que mesmo o número de pessoas do lado de fora havia diminuído muito.

Respirei fundo e corri com o carrinho, seguido de um ou outro que perceberam o que eu ia tentar. No caminho de minha corrida ainda tive tempo de ver alguma coisa subindo num caixa e pulando sobre uma das atendentes sob o olhar pasmo de todos os que estavam em volta.

Eu literalmente atropelei os seguranças jogando os dois que estavam em meu caminho para os lados. Com a distração muitas pessoas correram para dentro atropelando o resto. Era tudo o que eu precisava. Atrás de mim mais alguns desesperados vinham com seus carrinhos abarrotados. Estranhamente havia menos pessoas na porta do que antes e eu não entendi naquele momento. De qualquer forma aproveitei para correr para fora e subir a rampa que dava acesso à rua Albion.

Somente quando eu cheguei à metade da rampa foi que me dei conta que aquela multidão havia se dispersado. Olhei para trás e tive a confirmação. O pátio de estacionamento do Carrefour tem o feitio de enorme panela. Tanto ele quanto o prédio do hipermercado ficam abaixo do nível da rua na frente e dos lados. A extremidade oposta da rampa em que estava subindo haviam pelo menos umas três dezenas de zumbis descendo pelas escadas em direção ao estacionamento. Mais à frente, próximo a primeira porta do Carrefour já haviam alguns zumbis se esbaldando com uns pobres coitados. Esse era o motivo da dispersão.

Não sei como eles chegaram até ali. Para isso eles teriam de ter vindo do lado oposto aos bloqueios e passando pela minha casa. Nunca fiquei sabendo ao certo como eles vieram daquele lado. O certo era que eu tinha tido uma grande sorte de estar na rampa oposta à eles.

Me concentrei no que tinha de fazer e parti para o prédio com o carrinho abarrotado até onde consegui empurrá-lo. Agora um novo problema – entre eu e o prédio haviam muitos carros abandonados, fora o corre-corre daqueles que tentava fugir desesperada. Não dava tempo de encher a mochila e eu não pretendia perder nada daquilo que havia conseguido juntar. Minha única opção foi costear os carros tendo de fazer quase o triplo da distância para conseguir chegar ao meu destino.

Comecei a descer a rua, em direção à Ipiranga, até achar um vão entre a tropa de carros uns cem metros do prédio. Foi mais fácil do que eu imaginara inicialmente. Mas tão logo eu contornei os carros e comecei meu caminho ao meu destino vi minha filha gritando algo que eu não escutava naquela balburdia e apontando para trás de mim. Quando virei percebi que eram alguns zumbis vindo pelas minhas costas, mas ainda um pouco distantes.

A minha sorte é que eles, pelo menos uma grande maioria, são relativamente lentos. Mesmo assim, naqueles primeiros dias eu ainda não sabia desse detalhe. Corri o máximo que pude, aos trancos e barrancos, perdendo alguns produtos no trepidar do carrinho. Mas, de qualquer forma, cheguei à frente do prédio. Eu até tive a falsa ideia de que aquilo não seria tão complicado assim - combater e sobreviver aos zumbis. Se eu imaginasse...

Pouco depois que eu entrei e que o portão se fechou atrás de mim os zumbis passaram por nós. Eles passaram reto pelo portão focando as pessoas que ainda estavam próximas, na rua. Essa foi outra característica que aos poucos fomos aprendendo – eles focalizam naquilo que está mais fácil para eles atingirem. A correria e o desespero das pessoas na rua só aumentava. Em alguns instantes a frente do prédio estava praticamente vazia com a população tentando escapar dos monstros correndo em direção à avenida Bento Gonçalves. Alguns policiais disparavam suas armas, mas o efeito era pouco efetivo.

Mesmo sem pessoas na rua, os carros estavam todos ali, abandonados. Tudo estava bloqueado. Não teríamos como sair. Em frente àquele quadro decidimos que o melhor seria continuar no prédio até as coisas acalmarem.

Eu já estava maquinando os próximos passos ao ficarmos ali. Teria de voltar à minha casa para pegar o que eu havia deixado por lá.  Principalmente minhas pistolas que até hoje não imagino por que as deixei por lá quando saí.

[Originalmente escrito em 02/03/2010. Revisado em 29/08/2022]

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Preconceito X Diversão, dois comentários

Preconceito X Diversão – Um comentário
Dois posts me chamaram a atenção esta noite. No primeiro deles, do RPG Pará, eram levantados os temas da falta de jogadoras do sexo feminino no mundo do RPG e a dificuldade de jogadores masculinos interpretarem personagens femininos. O segundo post que me chamou a atenção foi uma respostas do blog Cavaleiros das Noites Insones.

Bom, não tenho a pretensão de dar uma ‘resposta’ para os posts. Quero apenas opinar e fazer uns comentários.

Mulheres no RPG

Desde que comecei a jogar RPG, nem sei quantos anos fazem isso (dezesseis ou dezessete anos) sempre tive o enorme interesse de difundir ao máximo sua prática. Desde o colégio, a faculdade e por qualquer lugar que eu fosse eu sempre tinha um dos manuais básicos na mochila para jogos relâmpagos ou para instruir alguém.

Com essa visão eu nunca descriminei as mulheres da prática do RPG – lógico, já que eu queria cada vez mais gente jogando. Mas sempre esbarrei numa barreira quase intransponível – o interesse feminino.

As meninas se interessam pouco por RPG, quando lhes é apresentado de uma forma rápida. Diferente dos meninos, que pelo simples mencionar da temática do jogo já ficam interessados. Sempre percebi – e tive testes longos e comprovadores com minha esposa, filha e outros parentes – que para atrair o interesse delas era preciso muito mais do que somente dizer “é um jogo legal onde a gente interpreta personagens em aventuras incríveis e fantásticas!”

Mas, quando se tinha a possibilidade de uma investida mais longa, apresentando um jogo onde elas pudessem assistir uma seção, explicar pormenorizadamente as regras e a dinâmica do jogo, muitas delas acabavam por ingressar nesse mundo maravilhoso do RPG.

E isso era uma vantagem tremenda.

Mulheres num grupo de RPG é algo gratificante. Primeiro porque uma das características que mais me agradava é que elas ‘compareciam’ aos jogos marcados. Raramente tive faltas injustificadas em minhas seções.

O segundo que temos com a presença de mulheres num grupo de RPG é que elas impõe uma dinâmica diferente ao correr do jogo. E quando isso não acontece, elas conseguem, pelo menos, influenciar a dinâmica do grupo como um todo. Saímos do simples ‘pilhar por XP’ para ‘interpretação e investigação’. Elas dão a possibilidade do grupo pensar em formas diferentes de se chegar aos resultados procurados.

Além disso, elas adoram interpretar seus personagens chegando à extremos de preciosismo. Suas interpretações são divertidíssimas e ricas de detalhes. O sentido interpretativo, para elas, é o ponto fundamental dentro do jogo. Teve uma vez que mestrei para um grupo de quatro meninas e um rapaz uma aventura de GURPS ... nunca rimos tanto com as interpretações, sem perder o sentido do central do jogo.

Homens interpretando mulheres

Esse ponto é um pouco mais complexo e acho que não existe uma reposta completamente satisfatória. Ao meu ver passamos por dois pontos centrais.

Primeiramente. O RPG é um jogo que inegavelmente atrai muito os jovens. A média de início, para os rapazes, gira em torno dos quinze anos. É uma época de afirmação de gênero (questão sexual) perante o grupo ao qual pertencem. Vamos imaginar a situação – você, frente a frente com seus amigos, num jogo ‘sério’ de RPG e você interpretando uma elfa peituda. Na cabeça desse jovem seria preferível morrer empalado. Não podemos criticá-lo. Os jovens dessa idade passam muito por isso, à todo o momento.

Indo além. Isso pode (olhem bem que é só uma possibilidade) acabar por criar um paradigma vicioso da situação. Ou seja, por costume eles não interpretam ou se sentem incomodados com a interpretação de personagens femininos.

O segundo ponto, e que influência muito, é a dificuldade de jogadores masculinos interpretarem seus personagens. Isso não é uma regra, mas é algo observável no geral. Jogadores homens preferem gastar menos esforço na interpretação do que na descrição de suas ações. É só pedir para um deles interpretar um gago, por exemplo. Depois teste pedir para o mesmo jogador descrever os golpes ou manobras realizadas no combate.

Conclusão

Esses dois temas são e serão recorrentes. Quem sabe enquanto existir RPG existirão esses ‘problemas’. Mas não podemos simplesmente considera-los preconceitos. No máximo podemos classifica-los como características que os jogos de RPG acabam por deixar afloradas.
Com um pouco de observação, perspicácia e esforço de mestres e jogadores, podem não passar apenas de fases.

The Guild, agora em quadrinhos

The Guild: a união entre quadrinhos e RPG


Boas ideias surgem à todo o momento. Boas ideias que viram sucesso e são de qualidade são bem mais raras. Esse é o caso de The Guild. Para quem não conhece The Guild é uma série de episódios, em forma de vídeo, (procure noyoutube) contando a vida de seis pessoas normais, que não se conhecem, mas que juntas, em um RPG online formam o grupo de aventureiros “Knights of Good”

Essas pessoas simples - Cyd Sherman, Herman Holden, Sujan Balakrishnan Goldberg, Clara Beane, Simon e Tinkerbella – quando conectadas assumem os papéis de Codex, Vork, Zaboo, Clara, Bladezz e Tinkerbella em um maravilhoso mundo de fantasia cheio de aventuras.

A série é um sucesso desde sua criação em 2007 por Felicia Day e foi premiado mais de uma vez pelo South by Southwest. Ela mostra a vida dos personagens, em suas aventuras, e a vida de quem os controlam.

Com todo esse sucesso The Guild chega agora aos quadrinhos, pela Dark Horse, sendo lançado em Março próximo (nos Estados Unidos por enquanto). Segundo informações a série em três episódios quadrinizados mostrará fatos anteriores ao início do seriado eletrônico do youtube.