sábado, 23 de maio de 2026

Lançamento de Ghost in the Shell se aproxima e a editora conta como foi a produção

 Lançamento de Ghost in the Shell se
aproxima e a editora conta
como foi a produção

 

A adaptação de Ghost in the Shell, da Mantic Games, está preste a ser lançado no meio deste ano trazendo o incônico mangá para uma experiência de RPG cyberpunk. Este novo projeto está sendo criado em parceria com um dos autores originais buscando trazer letalidade, filosofia e uma abordagem mais complexa à jogabilidade. Para quem tem a lembrança de já haver um RPG de Ghost in the Shell, no final ano passado a Mana Project Studios realizou um financiamento coletivo muito bem aceito de uma versão sua do cenário - Ghost in the Shell: Arise - dentro do sistema de regras de Blade in the Dark (chega em novembro de 2026). Agora teremos a chance de uma nova alternativa.

Ghost in the Shell, para quem não conhece, é um mangá lançado no final da década de oitenta e que é cultuada até os dias de hoje. A obra acompanha a Major Motoko Kusanagi, uma agente ciborgue de elite da "Seção 9" que investiga crimes digitais. A discussão central é como a personagem, que não tem praticamente nenhuma parte do corpo original, tenta descobrir se ainda possui uma alma humana genuína ou se é apenas um robô com memórias programadas. Ghost in the Shell já recebei uma adaptação live-action em 2017, além de versões em anime.

Abaixo temos uma entrevista feita pelo site TTPGInsider com Alessio Calvatore, da Mantic Games, contando alguns detalhes da produção que está chegando.

1. Qual é a história por trás de como você obteve a propriedade intelectual e decidiu fazer um jogo baseado no cenário antigo?

Ah, é porque me apaixonei por esse mangá desde o momento em que o vi pela primeira vez, quando foi lançado. Continuo sendo fã da franquia The Ghost in the Shell, em todas as suas encarnações, do anime aos quadrinhos e até mesmo ao filme live-action, é um sucesso. No entanto, na minha opinião, nada supera a história inovadora da obra original. Foi uma ficção científica revolucionária para a época, definitivamente fundamental para estabelecer o cenário cyberpunk no mundo dos quadrinhos. 

Foi por isso que entrei em contato com a Kodansha sobre o mangá original, e acho que eles confiaram na minha paixão pela propriedade intelectual. Talvez tenha ajudado mostrar a eles fotos do quarto onde cresci, cujas paredes ainda são adornadas por um enorme pôster emoldurado de The Mangá! 


2. Como este jogo funcionará mecanicamente? Ele usará um novo conjunto de regras ou um modificado, como o que foi feito em GITS: Arise?

É um sistema de regras personalizado que Zak Barouh e eu criamos para o RPG. Ele usa toda a gama de dados poliédricos de RPG (exceto o D100, eu acho...). Os personagens, que começam como agentes em treinamento na Seção 9, são definidos por seis Características principais e uma série de Perícias e Penalidades que lhes permitem se especializar, mas não existem 'classes' propriamente ditas. 

Cada personagem também possui uma matriz de Conflito de Síntese, uma luta entre dois aspectos opostos (por exemplo, carreira versus família, ou humanidade versus tecnologia, etc.) que levará a uma Crise inevitável. Os personagens podem adquirir partes cibernéticas, geralmente perdendo membros e órgãos devido ao sistema de combate extremamente detalhado e mortal (que inclui a localização dos impactos pelos motivos já mencionados!).    

Os personagens jogadores também possuem uma reserva de pontos de Sussurro Fantasma, o que os diferencia dos NPCs e lhes dá a chance de alterar o rumo da história. A invasão de sistemas desempenha um papel fundamental na mecânica do jogo, assim como a possibilidade de os personagens se equiparem antes de uma missão, seja para furtividade e infiltração tecnológica ou para um poder de fogo avassalador — preparem-se para a ação! 

3. GITS tem uma forte temática cyberpunk. Como vocês pretendem capturar a singularidade desse cenário nesse mercado?

O elemento que se destaca como único para Ghost in the Shell trata-se do já mencionado Conflito de Síntese, que captura o debate filosófico (hegeliano?) no cerne de cada um dos personagens do mangá. 

Acreditamos também que a natureza realista das regras e dos equipamentos captura a essência crua da obra de Shirow, onde mesmo os personagens principais não parecem heróis sobre-humanos e invencíveis, mas sim profissionais consumados, ainda que um pouco traumatizados, com vulnerabilidades muito óbvias e que conferem personalidade às suas obras. 

4. Este jogo é mais focado em táticas ou em narrativa?

Eu diria que é uma boa mistura dos dois, e já vi a mesma missão sendo conduzida de maneiras bem diferentes por dois mestres de jogo distintos. Um deles e seu grupo estavam muito introspectivos, com bastante interpretação e desenvolvimento de personagens. Invasões sutis e manipulação de cérebros cibernéticos foram empregadas de forma bastante inteligente. Ótimas atuações de todos os lados! 

Outro grupo era praticamente o oposto. Os jogadores estavam mais interessados ​​em subornar, esfaquear, atirar e explodir tudo para sair de qualquer enrascada em que se metessem (com a ajuda tática, é claro, de abundante camuflagem termo-óptica!), e o mestre de jogo atendia a todos os pedidos.  

5. Onde isso se encaixa na história? Os jogadores precisam estar familiarizados com o filme, anime ou mangá para aproveitar isso? 

Esta história se passa bem no meio do volume 1 do mangá, logo após a criação da Seção 9 e a nomeação de Batou para treinar os futuros agentes, e (alerta de spoiler - pare de ler agora!) antes da Major deixar a unidade.

É claro que familiaridade com a propriedade intelectual em geral, e com o mangá em particular, aumentará seu prazer com este RPG. Afinal, é um projeto feito por fãs para fãs. É necessário conhecer a propriedade intelectual? Não, acho que gostar de ficção científica já é suficiente para entender o cenário, principalmente porque ele aborda temas que estão se tornando cada vez mais familiares para todos nós em nosso dia a dia — como a ascensão da Inteligência Artificial. Tenho certeza de que muitas pessoas comprarão este livro de regras sem conhecer o mangá, talvez por terem assistido ao anime ou ao filme live-action, e estou bastante certo de que, depois de verem as ilustrações deste livro, o próximo livro delas será o mangá! 

6. Que experiência você espera oferecer aos jogadores?

Adoraria proporcionar aos jogadores a mesma diversão que tivemos durante os testes do jogo e da missão Lost Patriot. Como eu disse antes, alguns jogadores realmente mostraram suas habilidades de atuação, e eu vi um mestre e um jogador improvisando loucamente sobre uma interação passada entre um personagem e seus contatos do submundo, relembrando "os tempos em que ele era um dos membros da gangue". Foi incrível de se ver! Mais tarde, eles admitiram que estavam citando em parte um obscuro filme B cyberpunk que ambos conheciam, mas que ninguém mais na mesa conhecia. Mas foi glorioso como eles se entrosaram e improvisaram. 

Outras ótimas histórias se baseiam no uso de armamento, particularmente em conjunto com a mecânica de "dados explosivos". Histórias de granadas de fragmentação ricocheteando em escudos antimotim e caindo de volta aos pés do agente que as lançou (bem ao estilo Will Coyote...), histórias de auto-explosão com granadas de luz, de terroristas atingidos por um rifle de precisão calibre .50 através de um pequeno barco ancorado, decapitações com katanas camufladas termicamente (apesar de todos terem apontado que katanas "não são muito...Ghost in the Shell' (mas Andy insistiu…”).

7. Que tipo de lendas ou segredos escondidos o livro conterá? Qual foi o nível de envolvimento dos detentores dos direitos autorais?

Os detentores dos direitos autorais, tanto a Kodansha (a editora) quanto Masamune Shirow (o autor), puderam ver e aprovar cada detalhe do projeto. Um processo complexo, mas muito gratificante para fãs como eu, principalmente quando o feedback sobre algumas miniaturas veio na forma de esboços do próprio Shirow Sensei, o que nos fez correr pelo estúdio gritando "não somos dignos, não somos dignos!", num momento digno de Wayne's World.  

8. O que mais te entusiasma neste jogo?

Sinceramente, mal posso esperar para que o livro e as miniaturas sejam finalmente lançados! Quero compartilhar toda a minha empolgação com o público. Adoro o fato de que uma nova série de anime, baseada no mangá original, será lançada neste verão. Assisti ao último trailer e é incrível poder gritar: "Olha, essa cena é a capa do nosso livro! Olha, a roupa do Major é exatamente a mesma da nossa miniatura promocional!!!". Como fã de longa data do mangá, é incrível vê-lo ganhar vida de forma tão eficaz tanto na tela quanto no tabuleiro! 

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