Lançamento de Ghost
in the Shell se
aproxima e a editora
conta
como foi a produção
A
adaptação de Ghost in the Shell, da Mantic Games, está preste a ser lançado no
meio deste ano trazendo o incônico mangá para uma experiência de RPG cyberpunk.
Este novo projeto está sendo criado em parceria com um dos autores originais
buscando trazer letalidade, filosofia e uma abordagem mais complexa à
jogabilidade. Para quem tem a lembrança de já haver um RPG de Ghost in the
Shell, no final ano passado a Mana Project Studios realizou um financiamento
coletivo muito bem aceito de uma versão sua do cenário - Ghost in the Shell: Arise
- dentro do sistema de regras de Blade in the Dark (chega em novembro de 2026).
Agora teremos a chance de uma nova alternativa.
Ghost
in the Shell, para quem não conhece, é um mangá lançado no final da década de
oitenta e que é cultuada até os dias de hoje. A obra acompanha a Major Motoko
Kusanagi, uma agente ciborgue de elite da "Seção 9" que investiga
crimes digitais. A discussão central é como a personagem, que não tem
praticamente nenhuma parte do corpo original, tenta descobrir se ainda possui
uma alma humana genuína ou se é apenas um robô com memórias programadas. Ghost
in the Shell já recebei uma adaptação live-action em 2017, além de versões em
anime.
Abaixo
temos uma entrevista feita pelo site TTPGInsider com Alessio Calvatore, da
Mantic Games, contando alguns detalhes da produção que está chegando.
1. Qual é a história
por trás de como você obteve a propriedade intelectual e decidiu fazer um jogo
baseado no cenário antigo?
Ah,
é porque me apaixonei por esse mangá desde o momento em que o vi pela primeira
vez, quando foi lançado. Continuo sendo fã da franquia The Ghost in the Shell,
em todas as suas encarnações, do anime aos quadrinhos e até mesmo ao filme
live-action, é um sucesso. No entanto, na minha opinião, nada supera a história
inovadora da obra original. Foi uma ficção científica revolucionária para a
época, definitivamente fundamental para estabelecer o cenário cyberpunk no
mundo dos quadrinhos.
Foi
por isso que entrei em contato com a Kodansha sobre o mangá original, e acho
que eles confiaram na minha paixão pela propriedade intelectual. Talvez tenha
ajudado mostrar a eles fotos do quarto onde cresci, cujas paredes ainda são
adornadas por um enorme pôster emoldurado de The Mangá!
2. Como este jogo
funcionará mecanicamente? Ele usará um novo conjunto de regras ou um
modificado, como o que foi feito em GITS: Arise?
É
um sistema de regras personalizado que Zak Barouh e eu criamos para o RPG. Ele
usa toda a gama de dados poliédricos de RPG (exceto o D100, eu acho...). Os
personagens, que começam como agentes em treinamento na Seção 9, são definidos
por seis Características principais e uma série de Perícias e Penalidades que
lhes permitem se especializar, mas não existem 'classes' propriamente
ditas.
Cada
personagem também possui uma matriz de Conflito de Síntese, uma luta entre dois
aspectos opostos (por exemplo, carreira versus família, ou humanidade versus
tecnologia, etc.) que levará a uma Crise inevitável. Os personagens podem
adquirir partes cibernéticas, geralmente perdendo membros e órgãos devido ao
sistema de combate extremamente detalhado e mortal (que inclui a localização
dos impactos pelos motivos já mencionados!).
Os
personagens jogadores também possuem uma reserva de pontos de Sussurro
Fantasma, o que os diferencia dos NPCs e lhes dá a chance de alterar o rumo da
história. A invasão de sistemas desempenha um papel fundamental na mecânica do
jogo, assim como a possibilidade de os personagens se equiparem antes de uma
missão, seja para furtividade e infiltração tecnológica ou para um poder de
fogo avassalador — preparem-se para a ação!
3. GITS tem uma
forte temática cyberpunk. Como vocês pretendem capturar a singularidade desse
cenário nesse mercado?
O
elemento que se destaca como único para Ghost in the Shell trata-se do já
mencionado Conflito de Síntese, que captura o debate filosófico (hegeliano?) no
cerne de cada um dos personagens do mangá.
Acreditamos
também que a natureza realista das regras e dos equipamentos captura a essência
crua da obra de Shirow, onde mesmo os personagens principais não parecem heróis
sobre-humanos e invencíveis, mas sim profissionais consumados, ainda que um
pouco traumatizados, com vulnerabilidades muito óbvias e que conferem
personalidade às suas obras.
4. Este jogo é mais
focado em táticas ou em narrativa?
Eu
diria que é uma boa mistura dos dois, e já vi a mesma missão sendo conduzida de
maneiras bem diferentes por dois mestres de jogo distintos. Um deles e seu
grupo estavam muito introspectivos, com bastante interpretação e
desenvolvimento de personagens. Invasões sutis e manipulação de cérebros
cibernéticos foram empregadas de forma bastante inteligente. Ótimas atuações de
todos os lados!
Outro
grupo era praticamente o oposto. Os jogadores estavam mais interessados em subornar,
esfaquear, atirar e explodir tudo para sair de qualquer enrascada em que se
metessem (com a ajuda tática, é claro, de abundante camuflagem termo-óptica!),
e o mestre de jogo atendia a todos os pedidos.
5. Onde isso se
encaixa na história? Os jogadores precisam estar familiarizados com o filme,
anime ou mangá para aproveitar isso?
Esta
história se passa bem no meio do volume 1 do mangá, logo após a criação da
Seção 9 e a nomeação de Batou para treinar os futuros agentes, e (alerta de
spoiler - pare de ler agora!) antes da Major deixar a unidade.
É
claro que familiaridade com a propriedade intelectual em geral, e com o mangá
em particular, aumentará seu prazer com este RPG. Afinal, é um projeto feito
por fãs para fãs. É necessário conhecer a propriedade intelectual? Não, acho
que gostar de ficção científica já é suficiente para entender o cenário,
principalmente porque ele aborda temas que estão se tornando cada vez mais
familiares para todos nós em nosso dia a dia — como a ascensão da Inteligência
Artificial. Tenho certeza de que muitas pessoas comprarão este livro de regras
sem conhecer o mangá, talvez por terem assistido ao anime ou ao filme
live-action, e estou bastante certo de que, depois de verem as ilustrações
deste livro, o próximo livro delas será o mangá!
6. Que experiência
você espera oferecer aos jogadores?
Adoraria
proporcionar aos jogadores a mesma diversão que tivemos durante os testes do
jogo e da missão Lost Patriot. Como eu disse antes, alguns jogadores
realmente mostraram suas habilidades de atuação, e eu vi um mestre e um jogador
improvisando loucamente sobre uma interação passada entre um personagem e seus
contatos do submundo, relembrando "os tempos em que ele era um dos membros
da gangue". Foi incrível de se ver! Mais tarde, eles admitiram que estavam
citando em parte um obscuro filme B cyberpunk que ambos conheciam, mas que
ninguém mais na mesa conhecia. Mas foi glorioso como eles se entrosaram e improvisaram.
Outras
ótimas histórias se baseiam no uso de armamento, particularmente em conjunto
com a mecânica de "dados explosivos". Histórias de granadas de
fragmentação ricocheteando em escudos antimotim e caindo de volta aos pés do
agente que as lançou (bem ao estilo Will Coyote...), histórias de auto-explosão
com granadas de luz, de terroristas atingidos por um rifle de precisão calibre
.50 através de um pequeno barco ancorado, decapitações com katanas camufladas
termicamente (apesar de todos terem apontado que katanas "não são muito...Ghost
in the Shell' (mas Andy insistiu…”).
7. Que tipo de
lendas ou segredos escondidos o livro conterá? Qual foi o nível de envolvimento
dos detentores dos direitos autorais?
Os
detentores dos direitos autorais, tanto a Kodansha (a editora) quanto Masamune
Shirow (o autor), puderam ver e aprovar cada detalhe do projeto. Um processo
complexo, mas muito gratificante para fãs como eu, principalmente quando o
feedback sobre algumas miniaturas veio na forma de esboços do próprio Shirow
Sensei, o que nos fez correr pelo estúdio gritando "não somos dignos, não
somos dignos!", num momento digno de Wayne's World.
8. O que mais te
entusiasma neste jogo?
Sinceramente,
mal posso esperar para que o livro e as miniaturas sejam finalmente lançados!
Quero compartilhar toda a minha empolgação com o público. Adoro o fato de que
uma nova série de anime, baseada no mangá original, será lançada neste verão.
Assisti ao último trailer e é incrível poder gritar: "Olha, essa cena é a
capa do nosso livro! Olha, a roupa do Major é exatamente a mesma da nossa
miniatura promocional!!!". Como fã de longa data do mangá, é incrível
vê-lo ganhar vida de forma tão eficaz tanto na tela quanto no tabuleiro!
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