sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Ordem do Graveto

As traduções continuam.....


Recebi hoje um email do Nibelung. Ele é o tradutor das tirinhas mais conhecidas dos amantes do RPG - A Ordem do Graveto. Como todos já sabem essas são as aventuras de um grupo de "heróis" (Roy, Haley, Vaarsuvius, Durkon, Elan e Belkar) por entre masmorras e catacumbas enfrentando todo o tipo de perigo das formas mais engraças possíveis!

Ele veio me avisar sobre o link correto para seu blog - A Ordem do Graveto - onde as tirinhas estão atualizadas. São três novas toda a semana. E estamos quase chegando às 200 tirinhas publicadas..... Prestigie o trabalho magnífico realizado por ele e aproveite para dar boas risadas....

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Material de Apoio - Navegação 15

Material de Apoio - Navegação


Armamentos piratas em Arton II

Canhão Doherimm Médio: é um canhão de tamanho normal, tendo as vantagens básicas por ter sido fundido por anões. Seu alto custo quase que impossibilita que um navio esteja armado apenas com canhões desta natureza. Precisam de pelo menos três homens para manuseá-lo em todo o processo, desde o tiro até a recarga. O quadro abaixo mostra uma ckmparação entre as duas versões de canhões médios:


Seu grande peso também obriga que seja devidamente estudado o seu posicionamento nos conveses inferiores da embarcação. Normalmente eles estão dispostos no centro do navio. Além disso, eles são colocados em igual número, de cada lado da embarcação, quando mais de um.

Dano: 7d12 (ou outro se a munição for especial)
Decisivo: x3
Alcance: 90m
Peso: 350kg
Tipo de Dano: variado
Custo: 3000 PO

Canhão Doherimm Grande - o Inferno Anão: são peças de artilharia de tamanhos muito maiores do que os convencionais. Seu grande poder de destruição e alcance transformam-nos em peças mortais para seus adversários. Ao mesmo tempo são extremamente raros e caros. Sabe-se que pelo menos dois navios pertencentes à frota oficial do Imperador-Rei Thormy estão armados com estas beldades bélicas.

São peças magníficas, além de imensas, demonstrando toda a habilidade dos anões em fundir metal e dar-lhe forma. Normalmente, na lateral, possui o relevo de um animal, conferindo à peça de artilharia aquele nome.

Não se pode ter mais do que uma destas peças por embarcação devido ao grande dano que seu disparo pode conferir à estrutura da embarcação. Existem duas possibilidades de colocação dele no navio – uma de proa e outra de popa. Mas, sempre que ele for utilizado num navio, este precisa de uma reformulação em sua estrutura. Ele só pode ficar no primeiro dos conveses inferiores e ocupa o equivalente à dois andares. Por esse motivo nunca um navio de pequeno porte (embarcações abaixo do tamanho imenso) poderá utiliza-lo. Além disso, devido à necessidade de grande espaço para seu manuseio, a embarcação contará com apenas dois terços de seu total de peças de artilharia.

O disparo dele requer muitos cuidados e uma preparação prévia. São necessários pelo menos dez homens para todo o processo de disparo e de recarga deste canhão. O navio deverá ter sua estrutura reforçada e estar preparado com uma porta móvel que deverá ser retirada para o disparo do canhão (tanto na proa quanto na popa). Ele tem de ser carregado em sua posição recuada. Após isso ele será deslocado, para a frente, até a posição de disparo. Um emaranhado de cordas e roldanas é colocado para frear o retrocesso da peça depois do disparo. A mira para o disparo é efetuada pelo posicionamento do navio. É um trabalho minucioso efetuado entre o capitão, o piloto e o condestado, que trocam informações constantemente antes do disparo.

Com disparo a embarcação sofrerá um impacto que a fará elevar a posição do canhão (proa ou popa) em cerca de vinte e cinco graus. Qualquer marinheiro que não esteja preparado poderá ser arremessado (teste de Destreza para não sofrer dano). Com o navio sendo jogado para trás (ou para frente) ele terá um movimento igual, para o lado oposto, que se repetirá em pelo menos 4 vezes de vai-e-vem. Neste período nada poderá ser feito dentro da embarcação sem os testes devidos de Destreza. Devido à esta movimentação do navio nunca o disparo deve ser realizado à menos de 50 metros do alvo, podendo causar à embarcação metade do dano aplicado ao adversário.

O navio poderá sofrer danos estruturais em 25% das vezes no primeiro disparo. O dano, quando ocorrer, será de 5d12 à estrutura do navio. Num segundo disparo as chances de dano de 50% com dano de 6d12, e num terceiro disparo as chances serão de 75% com dano de 7d12. No quarto disparo o dano é inevitável, com dano de 10d12. Sempre que houver uma espera de uma hora entre um disparo e outro, o disparo será considerado um primeiro disparo. Um novo disparo não poderá ser efetuado antes de dez minutos do anterior. Neste tempo o cano deverá ser resfriado com água para que o processo de recarga seja iniciado. O processo todo leva até quinze minutos entre o resfriamento e a recarga.

Dano: 15d12
Decisivo: x3
Alcance: 500m (mínimo de 50m)
Peso: 1000kg
Tipo de Dano: apenas concussão
Custo: 10000 PO

domingo, 4 de janeiro de 2009

Caçadores de Abutre

Caçadores de Abutre
Capítulo 4
Grupos e personagens principais
Conto por Júlio Oliveira & Referências por João Brasil

3. Conto do Grupo de Ataque

O capitão da milícia formulava uma ordem, mas de repente, desabou. Duas flechas em sua garganta. Os soldados ficaram pasmos por alguns segundos e os olhares se dirigiram às janelas. Os companheiros encurralados no meio do salão sorriram.

Do alto de uma das janelas a figura de um arqueiro desapareceu como em um pesadelo.

“- Vocês quatro, vão atrás dele” – o capitão estava morto e aparentemente um sargento tomava as rédeas – “e quanto a vocês, ratos, morrerão agora. Homens, sem piedade, mas deixem o mago viver, ele não nos pertence!”

A força de ataque avançou e novamente os caçadores estavam juntos, de costas um para o outro. David protegia o mago na sua frente, e as três mulheres já erguiam as armas. Os soldados da escada desceram-na e os quatro já haviam começado a destrancar a porta principal em busca do arqueiro. As bestas estalaram prontas e então...

Explosão.

A porta dupla que levava ao pátio exterior voou pelos ares. Os guardas que tentavam sair foram abatidos pelos destroços. Mesas viraram e a poeira baixou no ar. Nada podia ser visto.

Mas podia ser ouvido – “Avançar!”

Kron invadiu o salão cavalgando um esplêndido corcel negro. Seu machado descomunal girava por sua cabeça. Ele instigou o animal por cima das mesas e foi direto a massa de milicianos.

- Atirem nele, acabem com essa escória – o sargento berrava evidenciando seu medo. Mas seus homens, mesmo com medo atiraram. Seus ferrolhos de besta voaram em direção ao enorme bárbaro. Mas paravam, a um centimetro de seu corpo, paravam em uma espécie de barreira, uma barreira mágica.

Demien o mago gargalhou alto, e junto com Slider Fastfingers e o elfo Paris, adentraram no salão. Kron já chocara-se com seus inimigos. Seu machado subia e descia ceifando as vidas daqueles malditos seguidores de Ferren. Ele urrava como uma besta, e sua lâmina espalhava sangue por onde passava. Os soldados foram obrigados a largarem as bestas e usarem suas ínfimas lâminas no combate.

Ellizabeth, Lillian e Agatha combatiam os seis soldados, já que estes estavam entrincheirados escada acima. David havia se arrastado com uma mão em seu ferimento e a outra prendendo o mago desmaiado junto a seu corpo.

Slider avançou em um pulo e juntou-se a Kron no combate. De cima de uma das mesas que sobraram intactas ele atacava. Sua capa esvoaçante não parecia incomodá-lo, e às vezes, parecia atacar junto a seu sabre.

Demien caminhou rapidamente e auxiliou David com o mago – “Não tema amigo, seu tormento acabará em instantes.”

Os soldados que combatiam Kron e o gladiador, que agora eram treze, formaram uma frouxa parede de escudos. O misterioso corcel se desfez no ar, e o meio-orc aterrissou confortável pronto para retomar o combate. Os inimigos ergueram escudos e posicionaram suas espadas curtas. Começavam a achar que poderiam derrotar os únicos dois que os combatiam pela superioridade numérica.

Mas novamente eles esqueciam-se do elfo.

Três flechas voaram fatais, cada uma seguida de um grito de dor. Paris usava seu arco com maestria, e com seus disparos a formação dos milicianos se desmanchou prematura. A primeira coluna ficara desfalcada exatamente quando a carga de Kron e Slider alcançava sobre seus alvos.

Paris desviou os olhos do que viria a seguir já puxando outra flecha. Trouxe o braço direito para traz tencionando a corda.

Alguns segundos.

A seta voou, mas dessa vez o alvo foi um dos soldados da escada. Esse, que estava mais acima, usava uma alabarda por cima dos outros guardas para atacar as três caçadoras. O guarda foi atingido no pescoço de raspão, e rapidamente largou a arma e levou as mãos ao corte. Seus olhos procuraram seu algoz instintivamente, e chocram-se com os olhos do elfo um segundo antes do segundo disparo. O guarda tentou gritar, mas seu grito morreu em sua garganta. A flecha acertara seu olho direito. O líquido ocular vazou do ferimento junto a sangue. O soldado convulsionou ainda em pé e tombou mole sobre os três que lutavam mais a baixo, causando assim a distração que as caçadoras precisavam.

Em mais alguns minutos o combate estava acabado. Vinte e quatro mortes. Todas do lado do Conde Ferren Asloth.

"- Como vocês sempre sabem a hora de aparecer?" – Era Agatha, enquanto limpava o suor na testa.

Kron desmanchou sua carranca em algo que podia ser confundido com um sorriso - "pelo cheiro do medo das “QUATRO” donzelas!"

Sorrisos.

"- Logo, mais soldados chegarão, temos de ir" - disse Demien.

"- Slider, você e Paris ajudem David. Eu levo o mago" – o ombroo esquerdo do meio-orc sangrava abundante, em seu corpo mais de uma dezena de cortes podiam ser visto. Sua armadura estava deploravel. Slider tinha um corte na cabeça que atrapalhava sua visão, e Lilian quebrara o braço esquerdo.

"- Venham!"

Ellizabeth se adiantou seguida por Agatha e o resto do grupo. Kron carregava o jovem mago nas costas, seus ferimentos não pareciam atrapalhar sua determinação. Iam em fila indiana, andando mais rapidamente que podiam. Todos suados e fatigados. Cada metro era um quilometro, cada minuto uma hora.

Alcançaram apressadamente a porta da despensa. Agatha tentou abri-la com um solavanco, mas para sua surpresa estava trancada.

“- Soldados invadiram pela porta frontal" – era Lilian do meio da fila – “ande depressa.”

Ellizabeth adiantou-se remexendo no cinto, retirou uma de suas ferramentas e quando começaria seu oficio, foi puxada para traz. Caiu sentada, e antes que pudese saber o que estava acontecendo ouviu um estrondo. Kron havia colocado o mago de lado, e inesperadamente desferiu um encontrão na porta, que caiu ainda inteira no chão do aposento.

"- Não temos tempo pra isso agora irmanzinha, agora andem!"

A guerreira e a ladra adiantaran-se despensa a dentro. Kron ergueu o mago como se não sentisse seu peso, mas delicadamente o colocou sobre os ombros, e as seguiu.

No cômodo, dezenas de prateleiras acomodavam armas, armaduras, uniformes e ferramentas. Uma porta esperava ja aberta na parede de fornte da primeira. Dessa vez, Ellizabeth sorria.

Começaram a seguir pelo pátio em direção aos estabulos.

Ainda nos corredores, Paris e Demien rechasavam os soldados recem chegados. Slider já levara David, e Lilian os seguira. Flechas voavam seguidas impedindo o avanço inimigo.

"- Vá, eu os manterei aqui por mais algum tempo" – disse Paris no intervalo entre um disparo e outro.

"- Como ousa amigo, dei-me essa honra. Sua munição ja esta quase acabando, e alem do mais, ainda tenho um truque na manga" – disse cordialmente o mago.

Paris atirou mais uma flecha e como um raio passou pela porta. Demien encostou-se na parede por um minuto e arregaçou a mangas das vestes. Preparava-se no corredor transversal aos soldados quando ouviu uma ordem do comandante da milicia - "Eles estão fugindo pelo armazem, saiam, temos de dar a volta!"

Era sua deixa.

Sibilou palavras arcanas e virando-se rapidamente fez uma enorme chama voar pelo salão principal. Recitou outro feitiço, e com as pernas movendo-se com o dobro da velociade fugiu em busca de seus companheiros; enquanto o teto de pedra, e o andar superior desabava sobre os soldados.

Era como ele sempre dizia - “Uma bola de fogo era sempre uma bola de fogo.”

________ o O o __________


“Nada que uma machadada bem dada não resolva”!
- Kron, sendo sutil ao querer mudar a opinião de alguns soldados.

O grupo não-urbano, parceiro do grupo de Agatha, é o responsável pelo ataque às forças de Ferren. Ele é verdadeiramente o braço armado dos “Caçadores”. Todas as caravanas ou comboios de interesse de Portsmouth, bem como ações militares, são alvos deste grupo. Minar o governo deste tirano passa por ações que visam enfraquecer a estrutura vigente. Se há uma rota de suprimentos para uma posição militar qualquer, ele passa a ser um alvo. Se existe uma prisão para magos em algum reduto deste reino, é um alvo. Se rotas são necessárias para manter o bem estar do reino de Ferren, então são alvos. Este grupo tem como líder um experiente guerreiro bárbaro meio-orc chamado Kron. Com sua virilidade e seu descomunal machado nenhum combate está encerrado ou perdido antes que ele decida por isto.

Seu grupo conta com três figuras dispares. Paris Lonodar é um elfo ranger que deixou sua terra natal pouco antes da supremacia globinóides esperando retornar um dia. Com a destruição da capital élfica não tem mais motivos para voltar. Seu vasto conhecimento da natureza, adquiridos em não menos de sete décadas de aventuras, o tornam um rastreador valiosíssimo.

Por outro lado Slider Fastfingers é retrato do astro que procura aplausos. Poucos entendem porque ele está inserido nesta luta altruísta, mas todos concordam que é bem melhor tê-lo como aliado.

Por fim, integra o grupo, Demien, um mago. Como a lenha alimenta o fogo da fogueira em noites frias, ele é alimentado pela raiva do que acontece com seus iguais. Espera-se apenas que a raiva não o consuma como a fogueira à lenha.

O Líder

Kron: Meio-orc, Bárbaro 13; CB; DVs 13d12+52; PVs 178; Inic +4; Desloc 12m; CA 26 (10 + 4 Des, + 1 deflexão, + 1 natural, + 9 peitoral de mitral, + 1 talento Esquiva); Agarrar +22, Toque +16, Surpresa +22; Ataque: + 26 corpo-a-corpo (machado, 2d8+20 +1d6 terra 20/x3), Ataque total: +26/+21/+16 corpo-a-corpo (machado enorme) Face/ Alcance 1,5 m/ 1,5 m; Fort +14, Refl +8, Vont +6; For 32 (+11), Des 18 (+4), Con 18 (+4) , Int 10 Sab 15 (+2), Car 12 (+1).
Perícias: Adestrar Animais +6, Cavalgar +10, Conhecimento (natureza) +3, Escalar* +13, Esconder-se* +7, Furtividade* +7, Intimidar +11, Natação* +10, Saltar* +11, Sobrevivência +16, Ler/Escrever; Idiomas valkar. *Foi aplicada a penalidade de armadura.
Talentos: Ataque Poderoso, Esquiva, Trespassar, Trespassar Maior, Usar Arma Exótica (Machado Enorme).
Especiais: Fúria (4/dia), fúria maior, Esquiva sobrenatural, Esquiva sobrenatural aprimorada, Movimento rápido, RD 3/–, Sangue humano, Sentir armadilhas +4, Visão no escuro 18 m.
Equipamento: Peitoral de Mitral +4, Amuleto de armadura natural +1, Anel de Proteção +1, Cinto da Força de Gigante +6, Machado Enorme Elemental (terra) +4.
Kron
F6 H3 R4 A3 Pdf0
Pvs: 28 Pms: 12
Desvantagens: C.H. dos Heróis, Fúria, Devoção (Derrotar Velho Abutre)
Equipamento: Arma especial retornável

O Grupo:
Paris Lonodar:
Elfo ranger 11; CB.
Demien: Humano mago 10; CB.
Slider Fastfingers: Humano Bardo 10/ Gladiador Imperial 2; CB.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo!!!

Um novo ano se inicia!!!

Estamos iniciando um novo ano. Parece mentira que já estamos com dez meses de blog. Foi um tempo de muita diversão e trabalho. Os resultados foram bem acima dos esperados. E o melhor é que muita gente tem nos acompanhado e gostado dos resultados.

Agradecimentos, como não poderiam faltar, são muitos. Em primeiro quero agradecer aos nossos leitores, pois o blog, na verdade, é feito para eles. Em segundo lugar quero agradecer ao nosso colaborador e amigo Júlio. Queremos agradecer também ao pessoal da Jambô - o Guilherme e ao Rafael - que sempre estiveram prontos para nos atender quando preciso. Não posso esquecer o Vill - do blog Desafio dos Dragões - que sempre nos acompanhou nesta jornada. Além disso, temos muitos outros leitores, seguidores etc. Muito obrigados à todos!

Feliz 2009 à todos!!!! Esperem por muitas novidades e surpresas.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Material de Apoio - Navegação 14

Material de Apoio - Navegação


Armamentos nos mares de Arton

Arton, como um cenário de fantasia típico, possui todos os armamentos apresentados nestes últimos artigos sobre navegação. Além deles, este mundo maravilhoso, possui variações próprias. Nos próximos artigos apresentaremos essas variações numa visão bem particular da equipe da Confraria. Além disso, vamos tentar apresentar a melhor forma, dentro das regras para d20 (e outros se possível), para usar os armamentos convencionais e os típicos do cenário.


Canhões

Arton é muito diferente de outros lugares no que diz respeito aos canhões. Como a maioria dos cenários de fantasia, a magia substitui em grande escala as armas de pólvora. Normalmente a crença e conhecimento das forças arcanas e a forte ligação das populações com as divindades do Panteão cria uma natural resistência à utilização da pólvora.

Mas, mesmo assim, a utilização de artefatos que se utilizem da pólvora existe, e são amplamente usados por navios. Em Arton há uma grande dificuldade para se adquirir uma peça de artilharia e maior dificuldade ainda para encontrar quem fabrique ou venda pólvora. Estes produtos são muito caros e raros, tornando-se um enorme atrativo para qualquer grupo de bandoleiros do oceano, e até mesmo, alguém interessado em conseguir um lucro fácil.


Canhões Doherimm

Os anões de Arton, como todo anão que se preze, não importa o cenário, são mestres na arte de fundição. Não por menos seus canhões são os mais procurados do continente. Seus trabalhos na fundição de peças de artilharia são verdadeiras obras de arte. A ornamentação vem desde a boca até a culatra da peça trazendo desenhos representativos da vida cotidiana dos anões, representando seres noturnos e das profundezas das cavernas ou outra figura da qual sejam pagos para fazer.

Pouquíssimos destas peças podem ser encontradas já que o povo anão não é muito afeito a sua produção sem um motivo especial. Como não utilizam canhões para lutar – acham um absurdo usá-los num combate – preferindo sempre o corpo-a-corpo, dificilmente algum aventureiro encontrará uma peça à venda em uma ferragem anã, mesmo dentro da cidade de Doherimm. Claro que com o pagamento certo e uma boa conversa qualquer anão ferreiro poderá se prontificar em produzir uma ou outra peça de artilharia. Isto poderá levar até trinta dias (para uma peça de tamanho normal) se o anão trabalhar sozinho e nunca menos de quinze dias.

As peças de artilharia fundidas por anões sempre terão 50% mais alcance e produzirão 30% mais dano (o alcance calculado usa como referência os dados utilizados no livro Piratas & Pistoleiros). Além disso, o peso das peças de artilharia anã, são sempre muito maiores do que seu equivalente.


Canhão Doherimm Pequeno: é uma peça de artilharia básica utilizada por apenas um homem. Possui um pequeno calibre e tamanho reduzido. Embora seu alcance seja pequeno, em mãos hábeis será um grande trunfo quando estiver próximo do navio adversário.

Possui duas variações. Uma delas é uma peça de artilharia sobre uma estrutura giratória. Esta peça giratória pode ser colocada tanto na proa quanto na popa. O sonho de qualquer capitão que se preze é ter uma delas na proa, bem na ponta do navio, e outras duas no castelo da popa, uma de cada lado. A outra variação seria uma peça, com rodas, que ficaria no convés principal pronto para ser deslocado de um lado para o outro ao sabor da batalha.

Recarregar um Canhão Doherimm Pequeno não requer muita prática, levando cerca de um minuto (ou 4 turnos) para tanto. Com a qualidade do trabalho anão, essas peças não precisam ser lixadas para retirar os restos de pólvora depois do disparo, tornando o processo de recarga muito mais ágil. Um artilheiro treinado poderá utilizar esta peça sem qualquer dificuldade. O disparo requer uma ação de rodada completa (da mesma forma que para canhões convencionais). Este aparto, diferente dos camhões de tamanho médio, requer uma jogada de ataque particular para cada peça utilizada.

Dano: 3d12 (ou outro, se a munição for especial)
Decisivo: x3
Alcance: 20m
Peso: 100kg
Tipo de Dano: variado
Custo: 1500 PO

Próximos: Canhão Doherimm Médio e o Inferno Anão.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Dragon Slayer

Dragon Slayer 22 - Avaliação

Fiquei um pouco apreensivo em escrever esta análise sobre a edição 22 da revista Dragon Slayer. Desde seu aumento de preço que não tenho me detido muito em analisá-la. Não por seu aumento, mas porque na época houve um debate mais ou menos acalorado sobre a questão preço/qualidade no Fórum Jambô. E não vou esconder que fui um dos grandes críticos da revista naquela ocasião. Desde então eu fiquei esperando o tempo passar para retomar o tema e ver o que acontecia de novo.

Bom....vamos ao que interessa.

CAPA: Este nunca foi um dos pontos fracos da DS. Para variar aqui seguimos a regra da qualidade da imagem e boa distribuição de títulos.

EDITORIAL: Eles acertaram em cheio dedicando o editorial à todos aqueles amantes do rpg que arregaçam suas manga, chamam uns amigos e saem por aí criando coisas incríveis - no caso, o Projeto Aliança Negra. Nem sempre querer é poder, mas pode ser o primeiro passo.

NOTÍCIAS DO BARDO: Temas variados e de momento. Seções como esta parecem fáceis de serem montadas, mas a quantidade de notícias e assuntos é tão grande que deslizes podem ser freqüentes. Mas elas foram muito bem escolhidas nesta edição. Destaque para o artigo principal esclarecendo o GSL da Wizard.

ENCONTROS ALEATÓRIOS & FALHAS CRÍTICAS: Esta seção não acrescenta em nada no que diz respeito à informação. Normalmente são cartas e email sem sentido. O que vale é o diálogo (pouco amigável e divertido das personagens). Já as falhas são hilárias.

REVIEWS: Três obras bem diferentes e, por isso mesmo, dando um equilíbrio à seção. Embora o texto sobre o 3D&T Alpha ser praticamente o mesmo já apresentado.

MESTRE DAS MASMORRAS – “ANIME”: Muito bom. Texto bem claro, desmistificando o gosto pelos animes e outros desenhos de estilo japonês. O mais interessante neste texto é a capacidade de sair daquela mesmice de dizer apenas “vocês devem gostar porque é bom, legal etc”. Há argumentos bem explicativos.

BACKGROUND – “ANTI-HERÓI”: O Leonel Caldela nos apresente um texto quase que filosófico (é sério...) sobre tudo o que há por detrás de um herói. Para aqueles que acham que jogar rpg é apenas sentar numa mesa e sair jogando não deixe de ler este artigo. É quase certo que muito (ou quase tudo do que tem neste texto) nunca foi pensado ou cogitado por aqueles que jogam e se dizem muito “experientes”.

CHEFE DE FASE – “O LICH DE FERRO”: Estamos voltando a boa fase do início da revista com bons chefes de fase. Este Lich, para Reinos de Ferro, é uma ótima preparação para os novos lançamentos do cenário para este 2009. Nele temos ganchos para aventuras, lendas & fatos e até um Novo Item. Vale até para quem é jogador de RF para ter umas idéias à mais.

CHEFE DE FASE – “EXPEDIÇÃO ARCANA”: Eles não poderiam deixar de fora algo para Tormenta. Bom temos uma ótima matéria aqui. Este grupo de expedicionários artonianos é realmente muito bem bolado. Não sei como deixaram de fora do “Galrasia: Mundo Perdido”. Além de que pode servir como chefe de fase, como enredo para aventuras, como foco central de uma campanha e muito mais.

GAZETA DO REINADO: Nada muito fora do comum. Algumas informações ligando Arton e Moreania em “Forjado a Ferro e Fogo”. Destaque para a matéria sobre Yuden.

PROJETO ALIANÇA NEGRA: Não há nada para se dizer sobre o projeto. Apenas reverenciar e bater palmas. Na verdade a matéria da DS serve apenas para aqueles desavisados que voltaram de Marte ontem e não sabem do que se trata. Junto há uma nova classe de prestígio – Rebelde Lamnoriano (inclusa no livro do projeto).

REINOS DE MOREANIA – “A MÃO. A MENTE. A MAGIA.”: Todos os amantes de Moreania (e me incluo entre eles) deve estar adorando esta matéria. É um verdadeiro beabá sobre magia. Para muitos pode ser bem básico. Mas se formos ver mais a fundo ele trás uma série de informações e detalhes para utilização neste cenário, inclusive com novos talentos. Além disso, essas matérias meio básicas, sempre ajudam muito aos novatos.

MUTANTES & MALFEITORES - “ACEITE O DESAFIO”: O sucesso de M&M não poderia passar batido pela DS. Aliado à isto teremos em breve o lançamento do segundo livro do sistema – “Manual do Malfeitor”. Esta matéira esmiúça o uso do “desafio”, tanto para M&M como para qualquer outro jogo d20. Muito interessante.

PURPURI: ótima matéria sobre os elfos de Ethora. É um boa opção para quem desejar variar um pouco de seus elfos convencionais. Acompanham novos talentos e uma classe de prestígio. Muito embora não seja uma matéria nova (pois já saiu na extinta DB) ela é muito interessante pois todo o dia temos novos jogadores ingressando no mundo do RPG.

AVENTURA – “A DEFESA DE NORM”: Uma aventura de 7º nível que faz um gancho com acontecimentos da Trilogia escrita pelo Leonel Caldela no “Crânio eo Corvo”. Curta, mas bem elaborada.

RAÇAS & CLASSES – “GNOMO”: Esta seção é muito boa pelo simples fato que demonstrar que todas as combinações são jogáveis se levarmos em conta as particularidades existentes.Imaginem jogar com um guerreiro gnomo!!!

HQs: Serei bem direto. Sempre gostei das tirinhas do Leonel Domingos. São curtas e divertidas. Sir Holland também continua no mesmo nível de antes, hilárias. Mas, para quem teve DBride até pouco, a hq do final desta edição foi lamentável.

GERAL: Está edição foi umas das melhores de muito tempo. O ponto forte foi a capacidade de trazer coisas novas para os leitores, seja em informação para os cenários, seja para o melhor desempenho dos jogadores. A Gazeta do Reinado ainda pode melhorar muito (não que ela seja ruim, ela esta ruim), mas seu potencial ainda será descoberto como em matérias do tipo a que fala de Yuden. Outro ponto positivo foi a variedade – tivemos Tormenta, Moreania, Reinos de Ferro e Mutantes & Malfeitores – sem exageros que transformassem a revista numa salada-de-frutas.

Nota: 8,5

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Felicitações natalinas

FELIZ NATAL!!!

Mais um Natal chegou. E a Confraria não poderia deixar passar em branco este momento.

Nesta época de festividades gostariamos de dividir com todos os votos de felicidade e alegria que recebemos. Todos aqueles que nos visitam regularmente sintam-se abraçados e congratulados neste dia especial. Que todas as meias estejam cheias de presentes, que todas as árvores natalinas estejam brilhantes e resplandecentes, que todas as ceias estejam fartas e que todos estejam alegres.

Um Feliz Natal para todos. São os votos da Confraria de Arton para vocês!!!!!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Diário de um Escudeiro - 19

Vigésimo nono dia de Cyd de 1392.

Nunca poderia imaginar que depois de um dia tão incrível, quanto o de ontem, tanta coisa pudesse acontecer. Foram horas de horror e ação. Não por milagre, mas por muito esforço estamos todos vivos. Parecia que o mundo havia virado de cabeça para baixo depois que adormecemos.

Estávamos todos em nossos locais de dormir. Não sei quanto tempo passou, mas foi o suficiente para que algumas das fogueiras perdessem sua força e para que as sombras conseguissem avançar um pouco sobre nós.

Enquanto Kalla ficava circulando por entre os arredores do acampamento, um vigia permanecia sobre um dos carroções à espreita. Todos dormiam tranqüilos.

Tudo aconteceu muito rápido e só no amanhecer é que conseguimos juntar as peças para percebermos como tudo começou.

Como a noite estava com um ar agradável de final de verão e o céu limpo, preferi dormir próximo à fogueira. A lua recém saíra de sua posição de trevas e iniciava-se timidamente em arco. Tudo estava mais escuro. Fui um dos primeiros a perceber tudo. Acordadei de pronto quando senti um impacto próximo de onde estava deitado com a queda do vigia de cima da carroça.

Demorei alguns instantes para perceber o que realmente acontecia. Mas antes mesmo de perceber já escutava os gritos vindo de todos os lados da floresta. Parecia que toda a mata estava acordando e dando salvas de guerra.

Do outro lado do acampamento Trícia já estava aos berros dando alarme enquanto Mikail escalava outra carroça. Os gritos da floresta agora eram engordados com os choros das raparigas e berros dos homens da caravana.

Eu ainda permanecia atônito sentado no mesmo lugar olhando o vigia que, pelo visto, já estava morto antes mesmo de tocar o chão. Seu pescoço estava transpassado por uma seta não muito maior do que dois palmos. Não era grande, mas suficientemente mortal para derrubar o homem. O sangue espalhava-se abundante.

Mais um instante e o céu ficou iluminado, mas não de estrelas. Flechas com pontas ardentes cruzaram a noite espalhando-se por todo o acampamento atingindo tendas e carroças. Estava longe de ser uma saraivada coordenada de arqueiros, mas eram mais que o suficiente para espalharem o terror.

A desordem estava feita.

Os homens que estavam correndo para pegar em armas agora tinham de se preocupar com o fogo também. Karbos juntou alguns indicando onde jogar água, enquanto Sullion, empunhando uma maça metálica e enferrujada, formava um pequeno grupo de resistência aqui e ali.

Os gritos estavam cada vez mais fortes. Do alto de uma das carroças vi Trícia – que subira rapidamente numa – lançar uma flecha, depois outra e mais outra. Mikail corria, empunhando sua besta, por sobre as carroças indo para o lado oposto ao que a caçadora estava protegendo. Mas mesmo assim os gritos pareciam mais altos e em maior número.

Pelas laterais do acampamento, por entre as carroças, surgiram os primeiros sinais do perigo que nos espreitava. Alguns homens de aspecto animalesco transbordaram por entre os vãos saltando de armas em punho.

As mulheres que se refugiaram na carroça que estava quase no centro do acampamento fecharam todas as janelas e portas. Ao redor da carroça cerca de dez homens, mais Sullion, prepararam-se para enfrentar os bandidos e proteger as mulheres. Eles correram todos tentando formar um obstáculo para os bandidos.

O transbordo de homens asquerosos não parou até terem entrado pelo menos uns vinte. A ação de Trícia e Mikail parecia ter impossibilitado a vinda de mais deles pelos outros lados. Mas os que já tinham entrado eram mais do que suficientes. Além do fogo, é claro, que já deixara uma carroça em chamas que subiam ao céu fazendo com que muitos homens tentassem com que as chamas não avançassem.

O combate começou forte, frio e desmedido.

Os invasores carregavam espadas curtas em sua maioria e um ou outro levavam machados pequenos, além disso um, pelo menos, trazia uma besta. De pronto eles derrubaram pelo menos a metade da oposição formada pelos empregados da caravana. Os trabalhadores de Sullion e Karbos não eram guerreiros de formação e tentavam o seu melhor. Mas isto não era o suficiente.

Sullion, que parecia ser o mais treinado deles, como todos os anões, derrubou dois apenas num movimento de sua pesada maça de um lado para o outro. Karbos correu com mais alguns para tentar impedir o pior. A luta continuou entremeada por berros de dor, ódio e medo.

Mesmo alguns dos bandidos sendo abatidos a diferença e o transcurso do resultado final parecia ser inevitável.
Do lado de onde estava Mikail surgiram alguns invasores cruzando o vão entre os carroções e indo na direção do centro. O jovem caçador não teve condições de frear à todos os que vinham por aquele lado.

Naquele momento meu senhor saiu de sua tenda, que ficava no meio do caminho entre os invasores que passaram pela posição de Mikail e o carroção do centro. Sir Constant, trazendo a espada em punho, mas com o rosto inchado pelo excesso de vinho, parecia ter sido acordado mais pelo barulho que o incomodara do que pela urgência do momento. Mas mesmo assim, não sei se por experiência ou reflexo, ele conseguiu desviar de um ataque e girando corpo decepou uma cabeça sem muito esforço, freando o avanço dos outros.

O centro da caravana tinha as feições de uma grande arena. Era só luta por todos os lados. Eu ainda estava inerte no mesmo lugar, e por esse motivo mesmo, havia passado desapercebido. Eu estava mais ou menos às costas dos bandidos. E cada vez mais bandidos permaneciam de pé, e cada vez mais camaradas da caravana estavam inertes no chão. Sullion e Karbos lutavam bravamente. Sullion parecia até estar com um brilho nos olhos, como todo o bom anão. E os bandido já haviam percebido que a maior resistência estava nos dois amigos.

Os dois estavam um de costas para o outro e iam lutando e lentamente girando contra pelo menos uns seis bandidos. Um dos homenzarrões um pouco mais distante, o líder quem sabe, pelas feições também percebera isso e gritou algo inintelegível para aquele que tinha uma besta em mãos. Prontamente ele fixou os olhos na dupla de donos da caravana, levantou o mecanismo e mirou a besta.

O infeliz com a besta estava a pouco mais de dez metros a minha frente. E ele estava a uns quinze metros de distância de meus novos amigos. Seria um disparo fácil. Ele já havia derrubado pelo menos uns quatro empregados da mesma forma. Era uma covardia sem tamanho derrubar nobres combatentes desta forma por motivos mesquinhos.

Eu tive de fazer algo. Nem imagino como cheguei tão rapidamente ao meu alvo. Corri com a adaga em punho e joguei sobre o bandido com a intenção de pelo menos dificultar-lhe o trabalho.

Com o impacto o disparo saiu completamente fora da direção do alvo, riscando o ar próximo à cabeça do anão. Eu cai me esfolado um pouco e o bandido um ou dois metros à frente. Com a queda a corda da besta arrebentou inutilizando a arma. O bandido levantou, jogando a besta para o chão e correu em minha direção. Sua espada pequena, que ele elevara acima da cabeça, baixou rapidamente. Se não fosse minha velocidade em desviar teria me cortado ao meio.

Mas as dicas de Mikail se mostraram muito mais importantes do que eu imaginava. Dei apenas um passo para o lado e a espada baixou rente à mim. Tive todo o flanco do bandido para enterrar minha arma. Ela penetrou um pouco abaixo das costelas. Mas deve ter sido muito mais fatal do que eu podia supor, pois logo que a adaga penetrou, ele perdeu forças e caiu de rosto no chão.

Foi minha primeira morte. Mas nada me tirava da cabeça que houvera sido por um motivo nobre. Às vezes temos de fazer o mau para que o bem triunfe. Ainda tive tempo de cooperar mais um pouco enfrentando mais um dos bandidos, mas sem matá-lo, pois já estava ferido.

Aos poucos nossa sorte mudou. Sullion e Karbos derrubaram, mataram ou inutilizaram a maior parte de seus oponentes. Sir Constant também tinha um bom número de corpos aos seus pés e parecia estar muito feliz com a matança. Trícia já estava no chão e ajudava com os últimos oponentes enquanto Mikail ajudava nos incêndios.

Mas quando tudo parecia calmo, do nada, surgiu um homem estranho. Era baixo, pouco mais alto que um anão. Tinha estampado no rosto uma carranca ornada com grossas sobrancelhas negras. Mas o que mais assustava era seu ar de tranqüilidade como se fosse dono da situação.

“- A perda destes homens será um transtorno, com certeza será. Mas de onde eles vieram posso conseguir muitos mais. E o dinheiro que ganharei com sua caravana vale este ínfimo contratempo” – disse numa voz que parecia estar dentro de nossas cabeças.

Logo percebemos que ele era um manipulador das artes mágicas. Num movimento rápido de suas mãos e palavras que saiam quase sem faze-lo mover os lábios lançou algo viscoso e esbranquiçado que grudava em tudo o que tocava. Esta teia avançou do mago e depositou-se em tudo que estava próximo da carroça central numa grande área circular. Sir Constant, Karbos e Sullion, juntamente com quase todos os sobreviventes, caíram totalmente enredados.

Trícia e Mikail, que estavam um pouco mais distantes, correram na direção do mago, mas ele apenas levantou a mão e com uma palavra fez os dois pararem. Eles arregalaram os olhos e largaram as armas. Incrivelmente eles se jogaram ao chão e rastejaram como se estivessem fugindo de algo desesperadamente. De início não entendi. Mas logo meu coração começou a ficar negro e o medo de algo que não entendia apossou-se de mim. Fiquei paralisado num momento e logo depois estava me jogando embaixo de uma carroça para me proteger de não sei o que.

Num segundo movimento ele abaixou-se, tocando a terra com uma das mãos, e disse algumas palavras tão incompreensíveis quanto as anteriores. Um pequeno redemoinho surgiu ao seu redor movendo muitas folhas e cinzas. Ele levantou-se calmamente e do chão surgiu algo incrível. Foram subindo estalagnites de cerca de um metro e meio do chão, uma atrás da outra, em uma fila que ia na direção dos infelizes presos naquela teia. Eles seriam empalados.

O sorriso estampado no semblante do mago chegava a ser irritante. Mas de repente seu sorriso foi freado. A boca entreabriu e uma estalagnite parou sua subida à centímetros da genitália do primeiro dos empregados da caravana que seria empalado.

Do ventre do mago dava para perceber a ponta de uma lâmina saindo ensangüentando toda a seu ventre. O mago caiu de joelhos, e dali foi ao chão com os braços abertos.

Somente o silêncio agora.

Atrás do mago estava Kalla. Segurava sua espada curta numa das mãos. O outro braço tinha a aparência de estar quebrado. Na verdade ele estava coberto de sangue e com um olho quase completamente fechado pelo inchaço.

“- Com toda a certeza eu odeio magos! Êta criaturinhas mais incômodas!” – disse Kalla numa tosse que veio junto com um pouco de sangue num bom humor desconcertante.

Com a morte do mago a teia sumiu e o terror em nossas almas também. Tudo se acalmou. Agora o peso insuportável da fadiga caiu por sobre todos nós. Aquele peso da perda de amigos e de sangue inocente derramado.

Quase nenhuma palavra foi trocada. Todos tentamos dormir. Poucos conseguiram.

__________ o O o __________

No outro dia não saímos cedo da manhã, como havia sido planejado. Só conseguimos levantar acampamento depois do almoço. O descanso foi merecido. Pouco antes do almoço a patrulha de cavaleiro yudeanos passou por nossa caravana e soube do ocorrido com uma certa surpresa. Chega a ser irônico que quando mais precisamos foi justamente quando não pudemos contar com eles.

Enterramos nossos mortos naquela clareira mesmo. Descansariam ali sob a tutela da mãe Allihanna. Kalla passou o resto da viajem deitado numa das carroças, se recuperando. Ele contou-nos que fora atingido por algum tipo de sortilégio do mago que o deixou desacordado. Ainda inconsciente foi espancado e deixado para morrer num canto qualquer daquela mata.

“- Mas seu erro foi que não se certificaram de minha morte, lentamente eu segui os bandidos e espreite até o momento exato. Eu sabia que o mago era o ponto principal daquele combate” – disse Kalla deitado em sua cama improvisada.

O resto do caminho até Gallienn não foi tão festivo. Todos estavam com as almas pesadas. As pouco mais de cinco horas restantes do percurso foram bem diferentes da noite anterior. Já no início da noite pudemos vislumbrar ao longe as luzes das casas de Gallienn. Meia hora antes já notamos que o fluxo de carroças e o vai-e-vem de cavalos intensificara-se. Muitas pequenas estradas desembocavam na via principal de acesso à cidade trazendo muitos viajantes. Era véspera do grande dia e a cidade estaria cheia com toda a certeza.

Já era noite fechada quando a caravana conseguiu atravessar os portões da cidade depois de responder à uma enorme lista de inquirições dos guardas yudeanos e de uma minuciosa revista. Sullion disse que todo o ano era a mesma coisa. Mesmo eles vindo para as festividades, nos últimos quinze anos, sempre tinham de passar pelo mesmo processo.

As carroças ficavam numa área próxima à praça central onde uma grande feira era organizada. Depois de tudo em seu lugar acompanhei Sir Constant para as despedidas. Enquanto ele conversava dentro da tenda dos donos da caravana eu fiquei esperando do lado de fora.

Quando meu senhor saiu disse apenas para não me demorar e encontra-lo na Taverna do outro lado da rua. Atrás dele saíram Karbos e Sullion.

“- Pequeno amigo, queria lhe agradecer” – disse Sullion – “eu vi o que você fez. Foi algo de muita coragem, além de que eu poderia estar morto não fosse a sua intervenção. O meu povo nunca esquece uma prova como esta” - ele colocou uma das mãos sob o seu manto e tirou um pequeno pano que enrolava algo – “tome este pequeno préstimo como prova de que nunca esquecerei sua ajuda”.

Eu recebi o pequeno embrulho e o abri. Dentro havia um anel. Mas não um simples anel. Era lindo, embora rústico, talhado em algo parecido com osso ou algum chifre. Tinha um símbolo estranho. Testei e coube perfeitamente em meu dedo. Parecia como tendo sido feito sob medida. Agradeci-lhe e recebi um grande abraço que quase partiu-me ao meio. Karbos também foi muito caloroso em sua despedida.

Por fim despedi-me do trio de aventureiros. Kalla ainda estava de cama e deveria ficar assim por mais alguns dias. Trícia e Mikail foram muito amigáveis.

“- Pelo visto iniciaste na vida das aventuras, heim!?! Podes acreditar que depois que tomamos gosto pela coisa é difícil de largar esse vício” – disse Trícia, continuando – “e agora tens todo o reconhecimento do povo anão”.

“- Como assim?” – perguntei.

“- Ora. Não sabes o que recebeste de presente? Este anel serve para que todo e qualquer membro daquela raça saiba que um dia você salvou a vida de um deles. E isso tem grande valor na cultura anã” - explicou ela.

“- Além disso comenta-se que quase sempre esses anéis têm alguma particularidade mágica” – sussurrou Mikail me dando um cutucão leve com o cotovelo.

“- Adeus pequeno Tyrias. Tenho certeza de que ainda vamos nos ver. Afinal, Arton não é tão grande assim!” – proclamou Trícia apertando minha mão e saindo com sua montaria.

“- Isso mesmo. Todos os nossos destinos estão entrelaçados num ou noutro momento. E como proclamas tua simpatia pelo grande deus da justiça – Khalmyr – deves ter sempre em mente que, embora Nimb jogue os dados, ainda é Khalmyr que move as peças!” – disse Mikail, fazendo uma reverência e saltitando para a direção de Trícia.

__________ o O o __________

Foi um dia para não me esquecer tão cedo. Matei meu primeiro adversário. Não sei ao certo o que isto mudou me mim. Sei apenas que mudei. Pensando melhor eu tenho uma vaga idéia de algo que aprendi com isso. Matar não é bom. Mesmo quando necessário, tirar uma vida não trás nada que nos acrescente algo. Em muitos momentos pode ser a coisa necessária a ser feita. Mas não é bom.

Aqui, deitado agora, fico revivendo aqueles momentos de combate e sangue. Gostaria de não ter que passar por isso novamente, mas algo me diz que nunca mais ficarei longe disso.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Material de Apoio - Navegação 13

Material de Apoio - Navegação


Armamentos dos Piratas III

CANHÕES


Não se pode pensar em grandes aventuras pelos mares sem lembrarmos das insuperáveis batalhas travadas com canhões de lado a lado.


O desenvolvimento dos canhões foi lento dentro da história, principalmente no que tange aos utilizados em navios. Inicialmente eram de ferro forjado e de tamanho pequeno. Costumavam ser colocá-los na proa, em uma estrutura giratória, para disparos um pouco mais precisos e eficazes em curta distância, mas faziam, na verdade, mais barulho do que estrago.



Com o tempo o desenvolvimento da arte de fundição possibilitou a criação de canhões de barras de ferro fundidas e reforçados por anéis de ferro, ficando ambas as extremidades abertas. Eles eram fixados em estruturas de madeira sem rodas. Ainda tinham uma capacidade de disparo muito reduzida, pois possuíam alma lisa (não havia ranhuras dentro do cano). Sua munição não passava de pedras de calcário. Nesta época eles eram dispostos em plataformas de madeira agrupados normalmente me número de três à quatro no convés. Assim poderiam ser disparados juntos ou individualmente.


Com o início do século XV a evolução da fundição do bronze possibilitou um grande impulso na fabricação dos canhões. A grande qualidade das peças fez com que sua utilização ultrapassasse cem anos em alguns países. Mas seu grande custo era um empecilho considerável. As possibilidades da fundição em bronze abriram as portas para a criação de diversos calibres.


Junto à evolução dos canhões, a munição começou à evoluir também sendo substituídas as pedras por projéteis de ferro ou chumbo. Como os projéteis variavam em tamanho e peso os canhões começaram a ser classificados conforme o peso do projétil que utilizava.



Mas, por incrível que pareça, a grande inovação técnica que revolucionou a guerra com canhões no mar, foi a invenção das portinholas nas laterais do casco. Sua utilização possibilitou que as peças de artilharia saíssem dos conveses e tomassem lugar em pontos que se tornariam ainda mais mortíferos. A possibilidade de dispararem de conveses mais baixos, podendo atingir o adversário na linha da água, era um incremento tremendo à utilização estratégica deles. Além disso, com as portinholas, poderiam agregar mais peças de artilharia por navio, utilizando-se de mais de uma linha de tiro por lado conforme as possibilidades da embarcação. A capacidade de mais ou menos bocas de fogo por embarcação criou uma forma de classificação dos navios conforme seu poder de fogo indo da primeira à sexta clase.



Os tipos de canhões fundidos são classificados conforme a munição possível dele utilizar.


PEDRAS COMO MUNIÇÃO: Estas peças utilizavam pedras (normalmente de granito) como munição sendo conhecidos também por pedreiras. Possuíam carregamento apenas pela culatra (parte oposto de onde há o disparo) e possuíam grande variedade de calibres, mas com pouquíssima precisão.


PEÇAS DE METAL COMO MUNIÇÃO: Estas peças de artilharia poderiam ser divididas em colubrinas (itens A e B na imagem abaixo) e canhões (item C na imagem abaixo). Eram carregados, na grande maioria dos casos, pela boca e todos possuíam uma armação com quatro rodas. O uso das rodas é explicado pela necessidade de recuar a peça para que fosse carregado de forma mais eficiente. Este processo era demorado, mas mais eficiente do que sua alternativa que consistia em colocar um artilheiro montado sobre o cano, do lado de fora, para recarregar a peça. A diferenças entre canhões e colubrinas estava na relação comprimento-calibre da peça. As colubrinas tinham maior comprimento do cano em relação ao calibre que utilizava, tendo, conseqüentemente, maior alcance que os canhões. Elas poderiam variar em: Quarto de colubrina (munição de 2 Kg e alcance de 0,4 à 2 Km); Meia colubrina (munição de 5 Kg e alcance de 0,8 à 4,5 Km); Colubrina (munição de 11 Kg e alcance de 1,5 à 6 Km); Grande colubrina (pesando 2 toneladas, com munição de 14 Kg e alcance de 1,8 à 7 Km).



Os marinheiros que manejavam as peças de artilharia tinham funções específicas. O Bombardeiro seria o artilheiro principal e a pessoa com maior conhecimento no ato de usar a peça de artilharia. À ele cabia escolher a munição, realizar a mira e efetuar o disparo. O bombardeiro só respondia ao Condestável – cargo ocupado por um imediato ou contramestre. O bombardeiro era auxiliado por um ou dois marinheiros variados (marujos ou grumetes).


O ATO DE DISPARAR:


A ação de disparo dos canhões era não muito complexa, mas necessitava de certo conhecimento e muita prática. Aqui será apresentada a forma de utilizar peças de maior calibre e localizadas nos conveses inferiores (mas não diferiam muito das pequenas peças de artilharia que eram utilizadas no convés superior, havia diferença apenas no tamanho da munição utilizada).


CARREGAR: O canhão era retrocedido cerca de um metro e meio à dois metros para melhor manuseá-lo. Este procedimento era demorado devido ao peso da peça, mas possibilitava um carregamento mais eficaz. Normalmente se utilizavam dois homens junto à embocadura da peça para carregar. A pólvora era depositada pela boca da peça. A medida de pólvora era, mais ou menos, o mesmo do peso da munição. Esta pólvora poderia ser colocada de duas formas – numa ela era colocada à granel dentro do cano; na outra ela estava acondicionada em pequenos sacos já na medida certa. Após isso ela era socada com uma vara comprida com um tipo de estopa na ponta. Depois a munição era depositada e igualmente socada. Novamente o canhão era avançado até a portinhola do casco. O bombardeiro efetuava a mira conforme as ordens do Condestável. Estava pronto para o disparo.


DISPARO: Com a pólvora socada, normalmente o atirador (bombardeiro), apenas encostava algum elemento em brasa no orifício, na parte superior da peça, que era o suficiente para acender toda a pólvora. Com a explosão da pólvora e o disparo da munição o canhão poderia ser jogado até três metros para trás. Para prevenir danos internos ao navio ou aos marujos, haviam calços para as rodas do canhão numa distância que possibilitava que recuasse cerca de dois metros. Além disso, poderia possuir um jogo de cordas, dispostos com roldanas, para amenizar e frear seu recuo.

RECARREGAR: Após o disparo o cano atingia grande temperatura não sendo incomum queimaduras nos artilheiros. Ele devia ser limpo e escovado dos restos de pólvora do disparo anterior antes de receber novamente a pólvora. Isso poderia levar mais de três minutos. Após isso só era necessário repetir os passos anteriores e efetuar novo disparo.

Confira também:
Armamentos dos Piratas - Armas brancas
Armamentos dos Piratas - Armas de fogo

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores - Manto e Adaga

Arquivo de Fichas - Mutantes e Malfeitores
Manto & Adaga


ADAGA – Tandy Bowen


Nível de Poder: 8

FOR 10 (0) DES 16 (+3) CON 12 (+1) INT 14 (+2) SAB 14 (+2) CAR 14 (+2)

Resistência +5; Fortitude +4; Reflexo +4; Vontade +6.

Ataque +4, +6 [adagas de luz]; Dano 0 [desarmada], 10 [adagas de luz]; Defesa +11; Esquiva +5; Iniciativa +7.

PERÍCIAS: Acrobacia +7, Intuir intenção +6, Notar +7, Performance [dança] +9.

FEITOS: Alvo esquivo, Armação, derrubar aprimorado, Especialização em ataque [adagas de luz], Iniciativa aprimorada, Sem medo, Sorte.

PODERES: Controle de luz 8 [PA: Criar objeto 8 [adagas de luz] [Feito: Maestria em arremesso 2]; Raio [de luz] 6 [PAD: Pasmar 6 (somente visão); Falha: Ação –1] – Ligado - Cura 5 [Feito: Sedativo; Falha: Limitado –1 (somente outros)]; Super-sentidos 2 [Detectar escuridão, Percepção da escuridão].

Pontos: 106
20 (habilidades) + 12 (salvamentos) + 30 (combate) + 4 (perícias) + 7 (feitos) + 33 (poderes)


MANTO – Tyrone Johnson

Nível de Poder: 11

FOR 16 (+3) DES 12 (+1) CON 12 (+1) INT 16 (+3) SAB 14 (+2) CAR 10 (0)

Resistência +8; Fortitude +6; Reflexo +3; Vontade +6.

Ataque +6; Dano +3 [desarmado]; Defesa +14; Esquiva +7; Iniciativa +1.

PERÍCIAS: Conhecimento [Manha] +7, Intimidar +7, Intuir intenção +5, Obter informação +6.

FEITOS: Agarrar aprimorado, Armação, Assustar, Ataque furtivo, Blefe acrobático, Duro de matar, Presença aterradora 2, Esforço supremo [salvamento], Sem medo.

PODERES: Intangível 3 [energia da escuridão] [PAD: Super-movimento 2 (andar no ar); Feito: Inato; Falha: permanente –1]; Controle da escuridão 6; Teleporte 5 [Falha: curta distância –1]; Bolsão dimensional 4 [Feito: Afeta intangível] – Ligado – Drenar 7 [Todas as características – Extra: Vampírico +1; Falha: Ação –1 (completa)].

Pontos: 175
22 (habilidades) + 40 (combate) + 18 (salvamento) + 5 (perícias) + 10 (feitos) + 80 (poderes)

Diário de um Escudeiro - 18

Vigésimo oitavo dia de Cyd de 1392.

Realmente o amanhecer na Estalagem fora ótimo. Sir Constant acordou cantarolando como raramente eu vira. Ele passou aquele dia numa alegria esfuziante. As brincadeiras dele eram constrangedoras para as moças que nos acompanhavam. Na saída da estalagem um grupo de comerciantes pediu o obséquio de acompanharmos sua caravana até Gallienn. Então, na nossa companhia, estava uma quantidade considerável de pessoas, e isso incluía algumas raparigas que se derretiam para cada piada que meu senhor contava.

Assim o humor de Sir Constant estava garantido pelo menos pelo tempo em que elas nos acompanhassem. E elas, pelo visto estavam, também, encantadas com a presença de um verdadeiro cavaleiro.

Aquele primeiro dia transcorreu calmo. Os ares do outono melindrosamente avançavam tentando quebrar o calor já não tão forte. Era um caminho fácil este pedaço até Gallienn. Florestas de árvores não tão exuberantes em tamanho, mas sempre belas como tudo o que a grande mãe Allihanna cria. Claro que vez por outra a presença de cavaleiros de Yuden nos escrutinando era notada numa permanente vigília.

Conheci algumas pessoas bem interessantes, sem bem que o termo interessante pode ser usado à exaustão por mim que nunca saí dos campos de Namalkah. A caravana que acompanhávamos era composta por seis carroções abarrotados de mercadorias. Tinham ainda mais cinco carroças particulares para os comerciantes e seus empregados.

A caravana era uma sociedade de dois amigos, Karbos & Sullion Mercadorias, como eles mesmos se denominavam. Karbos era de Deheon e Sullion era um anão. Conheceram-se num dos grandes festivais de Gorendil a mais de vinte anos. De lá para cá sempre trabalharam juntos. Sua caravana era seu lar. Suas carroças levavam tudo o que precisavam para viver, inclusive suas famílias. Não que não tivessem uma casa da forma convencional, mas preferiam ficar de olho nos negócios. Além deles, acompanhavam a caravana quase três dúzias de empregados de todos os tipos. Eram vendedores, aias, camareiras e empregados para todas as necessidades que o negócio pedisse. Inclusive um grupo de três aventureiros que prestavam trabalho de segurança para Karbos e Sullion.

Kalla era um ladino. Como ele mesmo dizia - “quem melhor do que um ladrão para proteger os outros destes larápios das estradas?”. Era um Halfing muito alegre de olhos vívidos. Usava uma roupa totalmente verde para lhe deixar o mais camuflado possível no meio do mato. Ele ficava o tempo todo à frente da caravana ora avançando algumas jardas ora acompanhando os donos dando-lhes algumas dicas.

Trícia era uma aventureira das matas. Muito bela logo chamou a atenção de Sir Constant, mas pelos seus olhares ela estava mais disposta à retalhar-lhe do que fazer afagos. Montava um belo cavalo malhado que parecia entender tudo o que ela lhe falava. Volta e meia seu arco era retesado sem aviso e uma flecha encontrava um alvo que faria parte do jantar.

O terceiro aventureiro era Mikail. Ele era um caçador muito jovem que se dizia com ser um adepto do deus menor Lupan, deus dos caçadores. Era um pouco mais velho do que eu, mas sua experiência estava léguas de distância. Me contou que crescera no meio da floresta numa pequena vila de caçadores aos pés das Uivantes.


Passei quase toda a primeira parte do dia ao seu lado ouvindo suas aventuras junto dos outros dois aventureiros.
Contei-lhe, com muito orgulho, de minha contenda nas portas de um templo de Keenn e de minha vitória. Mas disse-lhe que tinha vontade de me aprimorar para ser mais útil ao meu senhor.

“- Tinha que aprender mais do uso da adaga, pelo menos, e quem sabe de uma espada pequena” – disse-lhe.

“- É verdade. Acho que todo o rapaz tem o dever de aprender a manusear uma arma para lhe proteger e para proteger os seus.”

“- Meu senhor precisa de que lhe seja o mais útil possível.”

“- Não sei bem se ele é a pessoa mais indicada para precisar de algo ou se está interessado nisto, mas posso lhe dar umas dicas iniciais, até que encontre alguém mais indicado par isso.” – ao que parece meu senhor não atraia muitos fãs.

Na tarde, nem o almoço tinha se assentado bem e já estava procurando Mikail para minhas primeiras aulas.


Foram dicas sobre o uso correto da adaga num combate. Ele explicou-me que das diferenças de usar a adaga nos afazeres da fazenda, como eu estava acostumado, e do uso num verdadeiro combate.

É incrível como apenas mudando a posição da adaga na mão já sentimos grande diferença na luta. Ele ensinou-me primeiramente algumas posições de defesa. Ele disse-me que se conseguirmos nos defender já é meio caminho andado. Foi uma hora muito proveitosa. Quando recomeçamos a viajem e lhe continuou a dar-me dicas mesmo sobre o cavalo. Sir Constant continuava seguindo viajem ao lado da carroça das raparigas que quase caiam dela por tanto se debruçarem tentando chegar mais perto dele. Com isso meu treinamento passou desapercebido.

Na nossa parada para dormirmos dispomos as carroças em um círculo bem fechado e acendemos algumas fogueiras do lado de fora e de dentro do círculo. Trícia tinha caçado pelo menos uma gazela e um porco do mato. Além disso, Karbos e Sullion não eram conhecidos por serem mesquinhos quanto as refeições. O jantar fora fartíssimo.

Depois de todos meus afazeres junto ás necessidades de meu senhor, e aproveitando que ele já estava engraçando-se com pelo menos três moças, corri para a fogueira dos aventureiros. Kalla estava no meio do mato e por lá ficaria para espreitar nosso redor. Comi meu jantar junto de Mikail e Trícia. Nesta altura ele já contara minha aventura para a aventureira que logo me passou tantas dicas que confesso não lembrar nem da metade. Depois pediu para que demonstrasse o que Mikail houvera me ensinado numa demonstração teatralizada como se estivéssemos – eu e ele – num verdadeiro combate. Ela ia interrompendo e corrigindo uma coisa ou outra entre cada gole na garrafa de vinho.

Por fim, depois de algumas horas de muita diversão ela adormeceu recostada em seu cavalo. Todo o acampamento estava em silêncio e a maioria das lamparinas estavam apagadas. Os sons da floresta estavam mais presentes ainda. O único som díspar vinha da tenda de Sir Constant, e ele não estava sozinho.

Conversei ainda mais algum tempo com Mikail, mas logo vim para a minha tenda. Não desejava perder nenhum detalhe para colocar no diário.

Foi um dia incrível.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Romance II

REVELAÇÕES
Julio "Julioz" Oliveira

Capítulo - 2. O Mastro Partido

Islade caminhava apressado pelas ruas pavimentadas em direção ao porto. Andava por pequenos espaços deixados pela multidão que se dirigia no sentido contrário ao centro. O sol já iluminava pouco, a milícia se espalhava pela cidade em busca de confusões.

O jovem olhava um pequeno pedaço de pergaminho em que Rongald havia desenhado um rústico mapa. Seguindo as instruções, Islade dobrou a esquerda e se viu em uma rua ampla.

Nela, todas as casas eram grandes e de aparência fina. Olhou o mapa novamente procurando a casa a qual deveria ir. Identificou-a rapidamente. Continuou por mais alguns metros para só então chegar ao seu destino.

A casa que procurava era imponente. Mesmo comparada às outras obtinha destaque. Tinha arquitetura elfica - ele já vira construções do mesmo tipo em Valkaria. Janelas altas e de pouca largura, enfeitadas com vidro trabalhado de Cosamhir. Um muro não muito alto cercava completamente a propriedade, onde alguns guardas faziam ronda. Na entrada principal ficava um grande portão de madeira trabalhada. Islade se aproximou e um dos homens falou:

“– Quem se aproxima, e o que quer?”

“– Sou Islade Valkair, e desejo ter-me com Allaud Meroveu .”

“– Peço que aguarde” – e se dirigiu portão adentro, em uma postura exemplar.

Islade observou o segundo guarda. Era um senhor de idade avançada, cabelos brancos e barriga de taverna. Percebeu que aquela guarda, não era nada mais que fachada. Trajava uma velha armadura, que estava impecavelmente limpa. No centro do peitoral um símbolo, uma garça com um peixe em seu bico.

Ainda aguardando girou os calcanhares apreciando a bela vizinhança. O guarda retornou algum tempo depois – “Meu senhor o espera” – e abriu o portão – “siga-me, por favor.”

O rapaz foi guiado por um vasto jardim ornamentado de flores com cores exuberantes. Refletidas pelo sol, as de cores mais fortes, pareciam estar vivas. Havia estatuas, todas retratando mulheres nuas tocando instrumentos musicais, sendo a harpa o mais freqüente.

Chegaram a uma grande porta de madeira escura. Era entalhada com perfeição e mostrava a imagem da estátua de Valkaria, de joelhos e braços aos céus. Islade se espantou com tamanha obra de arte feita em uma simples porta de entrada. Seu guia se antecipou e de leve bateu na porta três vezes.

A porta se abriu sem ranger e de dentro surgiu um homem pequeno e velho vestido em trajes finos e aparentemente desconfortáveis.

“– Vamos, entre meu senhor o espera no salão de visitas” – ele se despediu e fechou a porta após Islade passar.

“– E onde fica a sala de visitas?” – perguntou o jovem - “Acho que se andar por ai sozinho posso me perder”.

O mordomo riu baixo, e com uma mesura - “Por aqui, senhor.”

Islade foi conduzido até um grande corredor, totalmente iluminado por janelas laterais, que levava a um salão imenso. Este era ricamente mobiliado tendo no centro quatro sofás, formando um quadrado. Em um deles, um senhor ainda menor que o mordomo, aguardava deitado.

“– Sente-se e me diga em que posso lhe ajudar meu jovem!” - o homem tinha uma expressão bondosa, que se perdia nos fartos cabelos.

Islade caminhou até o centro da sala. O cômodo tinha varias estantes, todas completamente cheias de livros. A organização era simétrica onde pergaminhos enrolados tomavam conta de várias estantes. O padrão de estantes só era quebrado por uma escrivaninha em um dos cantos. Parecia estar cheia com mais pergaminhos. O ambiente era arejado por um grande numero de janelas enfeitadas com lindas cortinas de linho vermelho. Tudo na sala brilhava de tanta limpeza. Os móveis eram de excelente qualidade. Coisas da nobreza.

O homem sentou-se desabarrotando suas roupas finas. Arrumou os cabelos bagunçados e fez um sinal ao mordomo, que se retirou rapidamente.

“– Bom. Vim até aqui senhor Meroveu, por que o diretor Rongald disse que podia me ajudar” – disse Islade cumprimentando-o com um aperto de mão.

“– Sem formalidades meu jovem, pode me chamar de Annaud” - disse o senhor – “se Rongald falou de mim, aceitarei lhe ajudar de bom grado. Mas que tipo de ajuda é essa?”

“- Preciso embarcar em um navio que siga para o norte” – falou Islade – “mas preciso embarcar ainda essa semana.”

O mordomo retornou com uma bandeja em mãos trazendo uma chaleira fumegando e duas xícaras de porcelana – “Aceita chá, senhor Islade?”

O jovem recusou. O anfitrião por sua vez aceitou sem demora, misturou o conteúdo com uma pequena colher de prata e bebericou suavemente.

“– Certo. deixe-me ver os registros” – dizendo isso Meroveu se dirigiu à escrivaninha, abriu uma das gavetas e retirou alguns documentos – “O próximo navio...” - falando isso o velho senhor colocou um pequeno óculos no rosto e começou a examiná-los. Depois de alguns minutos olhou para seu convidado e disse – “você não chegou em uma boa hora rapaz, a maioria dos navios já partiu e os que ficaram só partirão depois do fim do inverno.”

Islade coçou a cabeça pensativo. Arriscou algumas soluções, mas logo depois achou improvável. Arriscou a última possibilidade – “Não existe nenhuma chance? Qualquer um já é uma boa opção para mim.”

“- Receio que não tenha muita escolha, mas se insiste. Ainda há um navio que pode partir esta semana, mas eu não o indicaria a um nobre como você, meu jovem” – sua expressão não indicava convicção.

“- Não entendo o que quer dizer meu senhor.”

“- O que quero dizer, é que o único navio que partirá antes do fim do inverno é o ‘Intrépido’. Um navio mercenário, que é comandado por um capitão sem lei. Saqueia navios de nobres por todo o reinado, mas recebe carta branca do imperador por serviços prestados a coroa” - seu rosto agora era vermelho de raiva.

“- Entendo. Mas mesmo assim tenho de tentar. O senhor sabe me informar onde consigo encontrar a sua tripulação?” – Islade se levantara.

“- Garanto-lhe meu jovem que não será uma boa estadia, mas já que inciste. Eles sempre barbarizam em Gorendill em uma taverna ao sul das docas. Chama-se o ‘Mastro Quebrado’”.

“- Muito obrigado senhor, sua ajuda me será de muita valia.”

“- Fico grato por ajudar. Adeus.”

Islade foi levado pelo mordomo até a porta. Agora tendo como seu destino o Mastro Quebrado.